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EUA nega advogado a milhares de crianças deportadas de campos de concentração

10.04.2016
 

EUA nega advogado a milhares de crianças deportadas de campos de concentração

À medida que se afunda economicamente, acentua a falência moral de uma nação que leva milhões cada vez mais à pobreza e à opressão sob um sistema político, econômico e judicial também falido, jogando sobre as camadas menos favorecidas e sobre os pobres e oprimidos de todo o mundo a conta pela ganância desenfreada dos usurpadores do poder do regime de Washington

Edu Montesanti

A crise econômica norte-americana levou literalmente à "falência" a cidade de Detroit em 2013 - em tempos não muito distantes iluminada e ostentadora capital da indústria automobilística, hoje às traças, despovoada - em um país historicamente maquilado pela mídia predominante e pelas mesquinhas elites internacionais, que já tem hoje 4 em cada 5 pessoas, ou 80% da população próxima à linha da pobreza, mais de 46 milhões ou 15% de pobres além de mais de 1,6 milhões de lares que abrigam cerca de 3,5 milhões de crianças, encontram-se em situação de pobreza extrema totalizando mais de 20 milhões de pessoas, 6.7% da população nacional (números oficiais do censo dos EUA; leia 4 in 5 in USA face near-poverty, no work, em USA Today).

Porém, talvez ainda mais acentuada na nação da melhor democracia que o dinheiro pode comprar, sistema de ditadura bipartidista que nem sequer permite escolha pública dos candidatos às primárias partidárias, é a crise moral. Não sem razão: se não bastasse tudo isso, literalmente se compra candidaturas e eleições através de um lobby legalizado: devida e "eticamente" registrados, os maiores grupos de interesses que mercadejam eleições e aprovações legislativas são, historicamente, os sionistas e as indústrias armamentista e petroleira. Em 2015, a "indústria eleitoreira" oficializada nos Estados Unidos alcançou a cifra de nada menos que 3,21 bilhões de dólares, um dos recordes históricos (visite sítio norte-americano OpenSecrets.org, seção Influence & Lobbying).

Em um dos estados mais policialescos do planeta, onde a realização de a realização de manifestação pública (base de um Estado de direito) envolve forte burocracia estatal (é muito mais difícil protestar nos EUA que, por exemplo, na Venezuela ou em qualquer país latino-americano), está em vigor inclusive a "indústria carcerária" que tem como garantia do Estado: um mínimo de 80% dos leitos devem estar ocupados por "clientes" (i.e., presidiários), ainda que a criminalidade diminua, segundo análise do sítio norte-americano ThePublicInterest.com envolvendo 62 contratos de governos estatais com empresas privadas. Pois o negócio das prisões geraram lucros de 222 milhões de dólares à Corrections Corporation of America, e de 139 milhões à sua principal concorrente, a GEO Group. Em 2012, ambas acabaram isentas de pagar impostos ao Internal Revenue Service (IRS), receita federal norte-americana (mais informações no artigo How Private Prison Companies Use Big Tax Breaks and Low Wages to Maximize Profit, de 8 de abril de 2016, no sítio norte-americano Truth Out).

Para não se estender aqui diante de um crime bem pior, e a nível internacional: a Detenção de Guantánamo, em solo cubano (primeiro crime) a fim de safar o regime norte-americano de sua jurisdição, abriga ilegalmente cidadãos capturados à força, na maioria dos casos sem nenhuma prova, e os submete a torturas das mais crueis que chocaram parte da opinião pública mundial - choque inversamente proporcional ao da mídia de desinformação das massas, e de seus cérebros devidamente levados mundo afora.

Crianças Estrangeiras: Lixo na Capital do Capital

Junto de negros, latino-americanos, asiáticos oriundos de países mais pobres (para nem se mencionar os exterminados povos originários) e dos próprios norte-americanos das classes menos favorecidas, o impiedoso Império tem como excedente, "produtos descartáveis" de seu sistema excludente por natureza que se imagina portador do poder de tudo comprar e vender, crianças estrangeiras que vivem ilegalmente no país ou filhas de imigrantes ilegais, vítimas da pobreza, de invasões, de guerras e de governos autoritários - sem exceção, subproduto da "política" exterior "equivocada" com determinados "excessos" (crimes internacionais) do próprio regime de Washington.

Milhares dessas crianças - na maior parte originárias do México (que teve o território anexado pelos EUA em 50%, não sem traumas e subjugação pelo imperialismo norte-americano até hoje), Guatemala, El Salvador e Honduras (igualmente vítimas de golpes e de políticas coercitivas dos EUA até os dias de hoje) -, que ingressaram ao país desacompanhadas, têm sido sumariamente deportadas: sem direito a advogado de defesa, devem defender-se a si mesmas diante dos tribunais de "Justiça" dos Estados Unidos.

Diversos organismos por direitos humanos, locais e internacionais, têm protestado há muito contra o autoritário regime de Washington, através de intensa pressão também junto ao Departamento de Justiça do país. Entre eles, a União Norte-Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla en inglês), cujo argumento é que o governo viola a Constituição que garante o devido processo, e a lei de imigração e nacionalidade, que defende "uma avaliação completa e justa" perante um juiz de imigração. O governo, por sua vez, alega que não tem "obrigação constitucional de oferecer advogado a crianças. em tribunais de imigração".

Campos de Concentração no Paradigma da Direita Global

E se não bastasse,  ao menos 57 mil crianças encontram-se "depositadas" em campos de concentração. Denunciado pelo presidente venezuelano, o"ditador" Nicolás Maduro em novembro de 2014, o tratamento desumana de crianças imigrantes detidas no "berço da democracia" chegou a ser condenada pela ONU, que parece ter se esquecido de mais um "excesso" do Nobel da Paz, Barack Obama de quem se exigiu inclusive informações de abusos sexuais - nenhuma novidade, prestação de contas jamais fornecida pelo "paladino" dos direitos humanos.

Em outubro do ano passado, a Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos (CIDH) fez uma "solicitação" ao regime estadunidense: que fechasse os centros de detenção de crianças e famílias, além da investigação sobre os abusos sexuais contra menores por parte de "educadores" oficiais ali.

Porém, Obama e a Justiça norte-americana permanecem irredutíveis, tanto quanto a trivial indiferença midiática.

Patéticos Aprendizes 'Made in Brazil'

 

Enquanto isso, o movimento Estudantes pela Liberdade no Brasil, um dos que lideram as manifestações de péssimo gosto intelectual e moral dada a truculência que, não raras vezes, tem levado a inúmeros atos de violência física da mais covarde, postou dias atrás em seu perfil no Fez-se buque (aquela rede social do Mark Zückerberg, "laranja" da CIA) em louvor a seuslibertadores tipo exportação: "A diferença que mais e menos liberdade faz na vida do cidadão comum", exibindo imagem aérea dos arranha-céus de Nova Iorque debaixo de um belo crepúsculo. Com ligação a uma pretensa mini-crônica em seu sítio na Internet (tudo para esse tipo de mentalidade é "mini" a fim de garantir a superficialidade que garante a manipulação, uma vez que não se aprofunda na verdade dos fatos, além da marcante preguiça intelectual em se dedicar a leituras mais ricas em apresentação de fatos e de dados, que fornecem credibilidade para se argumentar).

Na mini-postagem que se imagina crônica, o jovem da extrema-direita tupiniquim afirma escrever direto de um café nova-iorquino e, sem maiores explicações, louva a prosperidade daquele que, para ele, é um país modelo a ser seguido pelo Brasil.

Nem precisava dizer mais: meia palavra basta para razoável entendedor ter plena consciência do que realmente ocorre em meio à despolitizada e medíocre sociedade brasileira de mentalidade elitista hoje. Pateticismo pouco tem sido uma grande bobagem no Brasil especialmente entre as mentes pautadas pela velha e envelhecida grande mídia, cuja verdadeira essência não é novidade para absolutamente mais ninguém. 

 

 


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