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Hillary Clinton aprendeu: o Brasil não é mais quintal dos EUA

10.03.2010
 
Hillary Clinton aprendeu: o Brasil não é mais quintal dos EUA

Madame Hillary Clinton veio ao Brasil para botar banca e visivelmente pressionar o governo brasileiro no sentido de mudar de posição em relação à questão nuclear do Irã. De quebra, madame ainda sugeriu que o Brasil comprasse os jatos da Boeing para a Força Aérea Brasileira. Na verdade, a secretária de Estado norte-americana nos dois casos verdadeiramente cumpriu missão do complexo industrial militar.
Por Mário Augusto Jakobskind, no Direto da Redação

Clinton agiu como se o Brasil ainda fosse governado por dirigentes subservientes que mudavam de posição apenas com um pito de algum representante estadunidense, como acontecia nos tempos de FHC, amigão de Bill Clinton. A secretária de Estado deve ter aprendido uma lição, qual seja, a de que os tempos de “pátio traseiro” e “quintal” acabaram. Ou seja, os tempos são outros e não adianta pressão e ameaças. Hillary Clinton, em suma, portou-se como uma Condoleezza Rice loura.


Os gajos midiáticos se superaram em matéria de salamaleque a Clinton e foram acionados para desancar em cima do Irã. De quebra, Lula e o ministro Celso Amorim não foram poupados. De agora em diante, Mahmoud Ahmadinejad vai ser apresentado como ainda mais pernicioso do que antes. Os colunistas de sempre vão alertar em matéria de “perigo da bomba atômica”. E vão continuar dizendo que Ahmadinejad quer varrer Israel do mapa.


Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, o insuspeito historiador estadunidense Juan Cole, da Universidade de Michigan e especialista em matéria de mundo islâmico, garantiu que o presidente do Irã nunca pregou a destruição de Israel. E ele é insuspeito, diga-se de passagem, porque é um crítico ferrenho de Ahmadinejad.


O historiador estadunidense domina o idioma persa, falado no Irã, e garante que a imprensa ocidental, deliberadamente ou não, tem feito má tradução e interpretação errada das declarações de Ahmadinejad.


Cole argumentou que o presidente iraniano nunca ameaçou atacar Israel ou matar civis judeus, como a todo o momento é afirmado por analistas das mais variadas tendências. O que diz Ahmadinejad, segundo Cole, é esperar que o regime de ocupação israelense entre em colapso, assim como ocorreu com a União Soviética e seria um erro matar civis judeus.


Ahmadinejad, no entanto, comete um equívoco, aproveitado pelo lobby israelense, quando se refere ao Holocausto. No entender de Cole, ao subestimar o número de judeus assassinados pelo 3º Reich, o líder iraniano na prática nega a tragédia. Mas o dirigente do Irã, diz em certo momento, lembra Cole, que “mesmo que o Holocausto de fato tenha acontecido, certamente ele foi obra do governo alemão e, por isso, deveria ter sido concedida aos judeus a Bavária ou alguma outra parte do território alemão, e não a terra natal dos palestinos”.


Em relação à questão nuclear, o erro de tradução ou interpretação das palavras de Ahmadinejad segue o mesmo diapasão, segundo ainda o professor estadunidense. Ou seja, ele é apresentado como instigador de guerras e só falta dizer, como antigamente se fazia com os comunistas, que come criancinhas. Ahmadinejad negou inúmeras vezes que o Irã possua um programa de armas nucleares e chegou a enfatizar que tais armas matariam um alto número de civis inocentes e que, portanto, (as armas) são anti-islâmicas, já que essa religião não permite tal prática.

Mas Madame Clinton e o governo israelense, sob o comando do troglodita Benyamin Netanyahu, interpretam à maneira que querem o ideário de Ahmadinejad. Há quem diga até que Madame Clinton está repetindo o então secretário de Estado norte-americano Colin Powell nas semanas que antecederam a invasão e ocupação do Iraque ao denunciar na ONU a existência de armas de destruição em massa. Deu no que deu.

Neste momento, a questão palestina está estagnada. Netanyahu aproveita o embalo e procura convencer o mundo, juntamente com o governo dos Estados Unidos, que é preciso endurecer o jogo contra o Irã por causa da suposta bomba atômica. E mesmo se existisse a tal bomba atômica, por que Israel pode ter e o Irã não? Por que Paquistão e Índia também podem?


Mas a matéria de fundo no Oriente Médio, a resolução da questão palestina, se arrasta. A Liga Árabe acabou de se posicionar em favor de uma retomada das conversações entre palestinos e israelenses. E neste momento, o governo israelense procura colocar a boca no trombone para evitar que haja alguma possibilidade de acordo que signifique suspender os assentamentos em território palestino.


Aí, quanto mais se demonizar Ahmadinejad e colocar Israel como eterna vítima, melhor para o projeto colonial do governo de Netanyahu. O resto, bom, o resto é perfumaria. Resta saber agora que relatório Madame Clinton entregará ao chefe Obama.

vermelho.org.br


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