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James Petras: Algumas considerações sobre o Irã e a Síria

10.02.2012
 

James Petras: Algumas considerações sobre o Irã e a Síria

(Comentários para a CX36 Rádio Centenário, no Uruguai)

James Petras: Algumas considerações sobre o Irã e a Síria. 16417.jpeg"Essa é outra armadilha em que caem os esquerdistas tontos, idiotas úteis que sempre condenam a Síria, sem entender que se trata de um esforço imperialista em repetir a experiência da Líbia, onde hoje o caos impera. O povo perdeu todos os benefícios e empregos que tinham durante o governo de Kadafi. O mesmo poderá acontecer na Síria. Por esta razão, a maioria do país não quer esta intervenção".

Atualmente, é recorrente que o Irã vai cortar as exportações de petróleo à Grécia, Espanha e Itália, como forma de antecipar o embargo anunciado pelos países europeus. Mais uma vez os países imperialistas da Europa tomando decisões que vão prejudicar o sul da Europa. Os países líderes não serão afetados por uma possível restrição sobre as exportações do Irã, pois recebem seu petróleo da Arábia Saudita, da Rússia e de outras partes.

Por esta razão, agora existe um perigo. Caso a Europa anuncie um embargo contra o Irã, o mesmo irá cortar as exportações e colocar a grande parte da Europa imersa numa crise ou, pelo menos, aprofundar a situação catastrófica existente.

Isso mostra que o Irã não está  disposto a entregar-se aos países imperialistas. O Irã está  capacitado a exportar o petróleo à Ásia, não dependendo da Europa. A Europa só constitui 18% do mercado do Irã. E, se os europeus impuserem um embargo, seguindo a liderança do império norte-americano, a China poderá comprar mais petróleo do Irã, assim como a Índia e outros países da Ásia.

Isso mostra, mais uma vez, que o Irã  tem a capacidade de enfrentar o imperialismo, tomar medidas de defesa e contestar as agressões.

E, além disso, escutamos muitas vezes sobre o projeto de armas nucleares no Irã. Hoje, o Irã declarou estar disposto a conceder que os investigadores das Nações Unidas tenham acesso a qualquer centro nuclear, perguntem a qualquer cientista e possam investigar qualquer documento. Isso mostra a transparência do Irã e como as acusações, principalmente as movidas pelos EUA e por Israel, são falsas e fabricadas para montar campanhas de difamação. O Irã não possui programa nuclear, isso é um consenso entre todos os especialistas.

Agora, o que dizem os Estados Unidos é que, no futuro, poderão ter... Como os EUA sabem sobre o futuro, quando não sabem nem como manejar suas próprias políticas orçamentárias do dia a dia? Aí, outra vez, devemos defender o direito do Irã em seguir como país independente, contra todas as agressões do mundo imperialista.

Isso não implica que devamos aprovar o caráter religioso que influi sobre a política. Uma coisa é que o Irã tenha que mudar sua forma de governar, outra coisa são os países imperialistas lançarem campanhas militaristas contra um país pacífico.

Isso nos leva a outra contradição relacionada à Síria. A Síria é um país independente, soberano e secular. Agora, encontra-se sob o ataque e armado. Ultimamente, as fotos publicadas nos jornais mostram pessoas encapuzadas com metralhadoras, atirando sobre os soldados e contra o governo, ocupando os subúrbios de Damasco, a capital. Todas as pesquisas mostram que na grande cidade de Alepo e também em Damasco, a grande maioria está contra os terroristas; os mercenários tentam derrubar o governo a partir da força e da violência. Em todas as reportagens não são mencionados quantos civis estes terroristas matam, não são mencionados quantos soldados são assassinados. Só falam de vítimas. E vítimas, para eles, são apenas as de oposição e não as vítimas que apoiam o governo e os setores militares.

Essa é outra armadilha em que caem os esquerdistas tontos, idiotas úteis que sempre condenam a Síria, sem entender que se trata de um esforço imperialista em repetir a experiência da Líbia, onde hoje o caos impera. O povo perdeu todos os benefícios e empregos que tinham durante o governo de Kadafi. O mesmo poderá acontecer na Síria. Por esta razão, a maioria do país não quer esta intervenção.

E quero acrescentar uma coisa, pois muitos outros mostram que existem sírios nas ruas, protestando contra o governo. Historicamente, a conquista imperial no mundo passa pelo uso de mercenários... França, Inglaterra e agora os Estados Unidos utilizam colaboradores nacionais, internos e, especialmente, importam mercenários de outros países para fazer o trabalho sujo.

Eu estou lendo uma história do império inglês e, na conquista do país hindu, milhares de centenas de mercenários conquistaram a Índia. Depois, utilizaram os hindus para conquistar a África. E, depois, trataram de montar um ataque, no século XIX, para conquistar a América Latina, onde fracassaram.

Porém, esta é a utilização dos mercenários e, mesmo tratando de dar uma roupagem progressista, é uma tática velha, de 300 anos de uso, já que os países europeus utilizam somente oficiais militares para dirigir as tropas de mercenários e isso agora se repete.

www.radio36.com.uy

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)

Crédito:4.bp.blogspot.com

 

 


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