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Congresso Nacional Africano: 100 anos de lutas e vitórias

10.01.2012
 

Congresso Nacional Africano: 100 anos de lutas e vitórias

Congresso Nacional Africano: 100 anos de lutas e vitórias. 16242.jpegJohanesburgo (Prensa Latina) O centenário do Congresso Nacional Africano (CNA), que será celebrado no próximo dia 8 na África do Sul, representa um grande acontecimento político, já que esse organismo é símbolo da luta contra o apartheid e toda forma opressiva.
 
Para a ocasião, em Bloemfontein, capital da província de Free State e sede da cerimônia central, espera-se a presença, junto a 100 mil pessoas, de Nelson Mandela (93 anos), ícone do combate contra o regime segregacionista, indicaram os organizadores da atividade.


Ao advogado e político Mandela, quem permaneceu 27 anos na prisão por defender suas idéias, foi-lhe concedido em 1993 o Prêmio Nobel da Paz.

Também, em diversas partes deste país do sul de África promovem atividades esportivas e culturais, cerimônias religiosas tradicionais e conversas em torno da história do CNA.
Como avaliou o presidente sul-africano Jacob Zuma, a recordação dos 100 anos de fundação desse antigo ente, devém em baliza da história não só para o próprio CNA, como também para todos os ex-movimentos de libertação no continente e dos povos africanos em geral.

A história confirmou que não foram em vão os esforços e o sangue derramado por integrantes do ente político, que teve como aliado inseparável o Congresso de Sindicatos da África do Sul e o Partido Comunista, consideram analistas.

Todos unidos enfrentaram outrora o regime racista, que impôs a separação entre brancos e a maioria negra, despojou esta das melhores terras e a manteve na ignorância, sem acesso à educação. Também obrigou ao negro a portar passes especiais para seu deslocamento.

Quando Chefes de Estado e de Governo de diversos confins se preparam para assistir às festas pelo nascimento do CNA no domingo que vem, muitos recordam que essa formação deveio em partido dirigente desde o estabelecimento da democracia em maio de 1994.

Nascido com o propósito de defender os interesses da maioria negra, explorada e excluída socialmente pelos racistas alvos, o partido obteve uma histórica vitória nas eleições de 1994 ao ganhá-las com 62,65 por cento dos votos, num universo de mais de 22 milhões de eleitores.

Esse triunfo fez possível que a 10 de maio de 1994, o líder histórico do CNA Nelson Mandela assumisse a presidência sul-africana, com o que se pôs fim ao segregacionista regime racista do apartheid. O CNA, que esteve no poder desde então, propugna uma política inclusiva.

Tanto em etapas posteriores a essa data como antes, o mais antigo ex-movimento de libertação nacional na África defendeu sempre a prosperidade e uma vida melhor para todos os povos da região, com a erradicação da pobreza social.

Exemplo eloquente disso é que em data tão temporã como 1892, o presidente fundador do CNA (1912-1917), John Langalibalele Dube, chamou em sua conferência "Sobre Minha Terra Natal" à unidade dos africanos nos planos espiritual e humano, para a construção de um continente próspero.

Em 1919, um dos máximos líderes partidários do agrupamento político (1917 a 1924), Sefako Makgatho, fixava: "O CNA aponta para a união dos africanos, não somente da África do Sul, como também do Lesoto, Botsuana, Suazilândia em particular... para encabeçar a luta comum pela liberdade".

Mais adiante, em 1977, no I Congresso do Movimento Popular para a Libertação de Angola, o independentista Oliver Tambo ao expor sobre a futura política exterior sul-africana enfatizou a necessidade de fortalecer a solidariedade internacional na era pós-apartheid.

Tentaremos viver em paz com os vizinhos e povos do mundo em condições de igualdade, respeito mútuo e vantagens recíprocas, colocou Tambo, quem dirigiu o CNA de 1967 a 1991.

Ao render homenagem aos combatentes sul-africanos, numa recente mensagem o secretário geral do CNA, Gwede Mantashe, considerou que nestes 100 anos de história não devem ser esquecidas as memórias de luta, dor, resistência e fatos heróicos. A memória, disse, é nossa arma.
 


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