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Cimeira U.E. – União Africana: Desbloqueamento estratégico

09.12.2007
 
Cimeira U.E. – União Africana: Desbloqueamento estratégico

Quais foram os objectivos principais da Cimeira União Europeia-União Africana? Fala-se de uma nova era, uma “parceria entre iguais” substituindo o padrão colonial de estados-dadores que perpetuou sistemas de dependência. Para os que acusam Lisboa de Cobardia Política, a resposta é a realização da II Cimeira. Quantos países tentaram e falharam a organização desta Cimeira?

Que Portugal tem seus problemas políticos, tem. A influência partidária na vida empresarial, na função pública, nas instituições, chega a ultrapassar os níveis de países em vias de desenvolvimento e por isso, Portugal cai a pique, aproximando o fundo de qualquer classificação apresentada nos jornais numa base quase semanal. No entanto, Portugal está muito bem servido de diplomatas e a realização desta Cimeira em Lisboa é uma mais-valia para o país, que demonstra ano após ano que é bem capaz de organizar e gerir eventos de grande destaque com um grau de competência singular. Quem sai bem desta Cimeira, é Portugal.

Por isso aqueles que acusam Lisboa de cobardia política (Nadine Gordimer, Wole Soyinka e Vaclav Havel), por causa de não realçar mais a questão de Mugabe e Darfur, falham em não conseguirem ver o “grande quadro”, que foi a realização da Cimeira. Que Gordon Brown se recusasse a sentar na mesma mesa que Mugabe, tem esse direito mas Lisboa fez muito bem em aceitar a presença do Presidente do Zimbabué porque caso contrário, não haveria Cimeira. E há dois lados a cada moeda: muitos líderes africanos respeitam a maneira em que Robert Mugabe tratou da questão da reforma de propriedade dos terrenos, um assunto pouco discutido na U.E.

Basicamente, há os que conseguem organizar eventos desta natureza e os que não conseguem. Portugal conta-se no primeiro grupo.

Imigração

Encorajar a criação de postos de trabalho no continente africano para diminuir a pressão colocada pela imigração africana na Europa e trabalhar pela integração dos imigrantes na União Europeia, são os objectivos principais. 20 milhões de trabalhadores vão ser precisos na U.E. nos próximos 20 anos.

Comércio

Uma questão espinhosa. Desde 2000, as exportações da União Europeia à Africa aumentaram de 66 a 92 biliões de Euro e as exportações africanas à U.E. aumentaram de 85 até 126 biliões. No entanto, a China tem investido no continente africano e os pacotes de investimento não têm vínculos políticos, ao contrário das propostas da U.E.

Sob os auspícios da Organização Mundial do Comércio, os laços comerciais terão de ser governados sob Acordos de Parceria Económica, baseados nos preceitos de comércio livre, o que, para muitos estados africanos, seria uma sentença de morte, pois não têm quaisquer mecanismos para competir com bens de consumo europeus, mais baratos.

Paz e Segurança

Darfur e a situação de centenas de milhares de civis apanhados neste pesadelo há quatro anos sublinha a necessidade de criar mecanismos internacionais, quer ao nível continental, quer ao nível intercontinental, de intervenção.

Direitos Humanos

O grande sucesso desta Cimeira é o documento de Parceria sobre Democracia, a Lei e Direitos Humanos, que inclui cláusulas contra corrupção e fraude, boa governação e a reforma do sector de segurança social.

Desenvolvimento

O Acordo de Lisboa foca a necessidade de respeitar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que visam a redução de pobreza em 50% até 2015

Alterações Climatéricas

Não são os países africanos a contribuírem para as alterações climatéricas, mas sim, sofrendo as consequências. Ciclos de seca e inundações são testemunho há muitos anos dos efeitos climatéricos nas vidas dos africanos. Entre os projectos postulados na Cimeira é a Muralha Verde à volta do Saará (plantação de árvores, barragens e reservatórios de água), a formulação de regulamentos para proteger as florestas e planos para desenvolver fontes de energia renováveis.

O bom clima de Lisboa e o ambiente agradável em Portugal, criado pelo meio-ambiente dum país que é dos mais seguros na União Europeia e por uma abordagem inteligente dos líderes que se concentram nos dossiers e recusam de oferecer dicas políticas gratuitas aos outros, criou o que se vê: uma Cimeira que, evidentemente, não resolve os males de 500 anos de colonialismo e imperialismo mas sim, lança na mesa de forma frontal e sem complexos, questões para serem resolvidas.

Por isso, o continente africano e a União Europeia fariam bem em lembrar deste grande evento e tentar concretizar o que foi lançado neste fim de semana em Lisboa.

Timofei BYELO

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