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Divórcio Europa/EUA, por causa da Ucrânia

09.03.2015
 
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Divórcio Europa/EUA, por causa da Ucrânia

7/3/2015, Moon of Alabama
http://www.moonofalabama.org/2015/03/a-europe-us-divorce-over-ukraine.html


O governo alemão afinal acordou, embora um pouco atrasado, e reconhece o fato evidente de que os neoconservadores norte-americanos estão dedicados a arrastar a Europa para uma guerra. Os alemães já estão culpando abertamente alguns círculos dentro do governo dos EUA e da OTAN de estarem sabotando o acordo de cessar-fogo, de Minsk. Especialmente ofensiva, na avaliação dos alemães, é a fala-delírio do general norte-americano Breedlove, comandante da OTAN:


Já há meses, Breedlove comenta sobre atividades russas no leste da Ucrânia, fala de tropas de avançam pela fronteira, fala de armazenarem munição e fala de colunas de tanques russos. Mês a mês e sempre, os números de Breedlove sempre foram significativamente mais altos que o correspondente a armas, munições, colunas e tanques que realmente pertencem a aliados dos EUA na Europa, na OTAN. Vê-se assim claramente que o general é manobrado diretamente pelos agentes linha-duríssima que há ativos no Congresso dos EUA e na OTAN.

O governo alemão está alarmado. Estarão os norte-americanos tentando fazer gorar os esforços de mediação liderados pela chanceler Angela Merkel? Fontes na Chancelaria referem-se aos comentários de Breedlove como "perigosa propaganda". O ministro alemão de Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier chegou a falar sobre o que Breedlove anda dizendo com o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, a tal ponto lhe pareceu grave a incontinência do general norte-americano.

Mas Breedlove não é o único ponto de atrito. Os europeus também começaram a considerar daninha a ação de outros norte-americanos, que trabalham contra a busca de solução diplomática para o conflito na Ucrânia. À frente desses, aparece Victoria Nuland, que coordena a área europeia dentro do Departamento de Estado dos EUA. Nuland e outros trabalham sem parar para fazer entregar armas de Washington  à Ucrânia, ação apoiada não só por Republicanos, mas também por poderosos Democratas, no Congresso dos EUA.

Verdade é que o presidente Obama parece quase isolado. O presidente jogou o peso de seu apoio a favor dos esforços diplomáticos de Merkel, mas fez bem pouco contra os que se dedicam a aumentar as tensões contra a Rússia e insistem em fornecer armas à Ucrânia. Fontes em Washington dizem que as declarações de Breedlove são analisadas e liberadas ou não pela Casa Branca e Pentágono. O general está na função de "super falcão", cujo papel é aumentar a pressão sobre parceiros considerados mais reservados, dentre os parceiros transatlânticos dos EUA.


Os EUA, inclusive Obama, querem fortalecer o comando dos EUA sobre a OTAN e, assim, a capacidade para influenciar a Europa. E a Europa, que já perdeu negócios com a Rússia e agora está ameaçada de ver-se envolvida numa guerra, teria de pagar por isso... 

O público alemão, apesar das toneladas de propaganda transatlântica, compreendeu muito bem o jogo; o governo alemão não tem como fugir dessa evidência. Se, para que a discussão retome alguma via racional e admissível, o governo alemão tiver de confrontar Washington, o confronto virá.

Os ministros de Relações Exteriores de Alemanha, França e EUA estão atualmente reunidos em Paris. Dificilmente o secretário de Estado Kerry gostará do que vai ouvir:


Em Berlim, políticos influentes sempre consideraram assumir posição comum em relação à Rússia, como pré-requisito necessário para o sucesso dos esforços de paz. Por enquanto, essa frente comum ainda se mantém, mas a disputa é fundamental e crucial - e tem a ver com se a diplomacia pode ser bem-sucedida sem a ameaça de ação militar. Além disso, os parceiros transatlânticos também têm hoje objetivos divergentes. 

A meta da iniciativa franco-alemã é estabilizar a situação na Ucrânia, mas o que mais preocupa os falcões linha-dura dentro do governo dos EUA é a Rússia. Querem fazer recuar a influência de Moscou na região e desestabilizar o poder de Putin. Para eles, o sonho perfeito realizado é conseguir 'mudança de regime' [derrubar o governo democraticamente eleito de Putin] em Moscou.


Nenhuma 'mudança de regime' na Rússia interessa à Europa. O resultado será provavelmente governo muito pior e governante muito mais difícil de enfrentar que Putin, o super liberal.

Os EUA, o império do caos, não querem nem saber do que acontece depois de um regime ser 'mudado'. Na avaliação dos 'estrategistas' e políticos norte-americanos, agitação, tumultos, desassossego no "resto do mundo" sempre ajudam a melhorar a posição (relativa) dos EUA. Se todas as capacidades produtivas europeias forem destruídas numa grande guerra... os EUA conseguirão afinal ressuscitar a indústria de exportação norte-americana!

Parece que agora, afinal, alguns líderes europeus começam a dar-se conta de que foram ludibriados por Washington e tentam voltar ao jogo em melhores condições. Uma esfera eurasiana realmente interessa à Europa

Será que Obama aceitará essa posição europeia e fará calar os falcões norte-americanos pró-guerra? Ou escalará ele também, pondo em risco a aliança com a Europa? À primeira vista, pode-se ter alguma esperança boa. Os EUA já adiaram um projeto para dar treinamento militar à Guarda Nacional Ucraniana (neonazistas de Kiev):


Na 6ª-feira, porta-voz das forças dos EUA na Europa confirmou o adiamento: "O governo dos EUA gostaria de ver alcançados os objetivos do acordo de Minsk."

"A missão de treinamento está adiada, mas o Exército Europa [exército dos EUA na Europa] está preparado para aquela missão se e quando nosso governo decidir avançar" - dizia a declaração oficial.


Alguns europeus, como quem escreveu a declaração acima, ainda veem Obama como guerreiro relutante, que tem de ser empurrado para a guerra pelos falcões linha-dura pró-guerra que há em seu governo e pelos Republicanos no Congresso. 

A 'avançada' [surge] no Afeganistão, a destruição da Líbia, a guerra contra a Síria e as dificuldades na Ucrânia, todos esses eventos, foram coordenados por um mesmo esquema de propaganda: Obama não quer guerra; Obama é empurrado para a guerra; e Obama, relutantemente, aceita a guerra. Essa visão é absolutamente falsa

O pacote acaba sempre sobre a mesa do presidente. E Nuland, como o general Breedlove e outros falcões, todos sempre muito preocupados com o bom fluxo de seus preciosos fluidos vitais [Dr. Fantástico] obedecem o comando direto de Obama. Obama pode fazê-los calar o bico, porque pode demiti-los com um telefonema de 30 segundos. 

Cada vez que Nuland, o general ou qualquer daqueles falcões,  faz uma 'das suas', e Obama não os faz calar, é absolutamente claro que Obama deseja que digam exatamente o que estão dizendo. Quem dirige a viatura pela estrada neoconservadora é Obama em pessoa.

Os europeus que tratem logo de entender isso. E de afastar-se dessa estrada de destruição.******

 


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