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Metamorfose

09.01.2019
 
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Metamorfose

Retomamos aqui o editorial do Al-Watan em que Thierry Meyssan apresenta aos leitores sírios a retirada das tropas dos EUA do seu país. Este artigo contem várias informações que foram ignoradas pelos média

Thierry Meyssan

Retomamos aqui o editorial do Al-Watan em que Thierry Meyssan apresenta aos leitores sírios a retirada das tropas dos EUA do seu país. Este artigo contem várias informações que foram ignoradas pelos média ocidentais e lançam luz sobre a maneira como a decisão foi tomada pelo Presidente Trump, com os seus aliados sauditas e catarianos, e seus parceiros russos.

A Síria fora transformada em campo de batalha pelas nações do mundo inteiro. Aí, os Estados Unidos e a Rússia confrontavam-se. A 20 de Dezembro de 2018, Washington decidiu retirar-se sem compensação.

Esta data irá contar na história mundial como a mais importante desde 26 de Dezembro de 1991 (dissolução da URSS). Durante 27 anos, o mundo foi unipolar. Os Estados Unidos eram a primeira potência económica e militar. Eram os maestros exclusivos dos acontecimentos.

Há três anos, perderam o seu estatuto económico e foram ultrapassados pela China. Depois, perderam o seu estatuto de primeira potência militar convencional face à Rússia. Acabam, agora, de perder o de primeira potência militar nuclear face às armas hipersónicas russas.

O Presidente Trump e o General Mattis cumpriram as promessas de retirar o apoio do seu país aos jiadistas, assim como a de retirar as suas tropas de combate tanto da Síria como do Afeganistão. No entanto, para Mattis o fim da Coligação anti-Daesh (E.I.), reunindo 73 nações em torno dos Estados Unidos, prefigura a dissolução da OTAN. Enquanto soldado, ele não pode aceitar o risco de ser privado de alianças. Pelo contrário, o Presidente Trump afirma que a decadência dos Estados Unidos já não permite manter seja que guerra for. Segundo ele, é impossível continuar comandar os aliados e a urgência é recuperar a economia dos EUA.

A decisão do Presidente Trump foi maduramente reflectida.

Ela segue-se à viagem a Damasco do Vice Primeiro-ministro Yuri Borisov. No seu país, ele dirige o complexo militar-industrial. Dispõe para isso de um orçamento especial, que escapa a qualquer controle ocidental e não figura no orçamento oficial de Estado. Está organizado de acordo com as condições da reconstrução e das relações económicas futuras, unicamente em rublos e a partir de um banco especial, fora do alcance do dólar.

Esta decisão também se segue à visita a Damasco de um chefe de Estado árabe, Omar al-Bashir. O Presidente do Sudão representava, ao mesmo tempo, os seus homólogos norte-americano, saudita e catari. Assim que ele informou o Presidente Trump do resultado da sua entrevista com o Presidente Bashar al-Assad, foi feito o anúncio da retirada militar dos EUA.

Foi considerado um plano de reintegração dos combatentes curdos no Exército Árabe Sírio com a ajuda do Irão. O que passaria por uma intervenção da principal milícia xiita iraquiana.

Simultaneamente, o acordo (deal-ndT) do século não foi anunciado, mas já está a ser posto em marcha. O Hamas não combaterá mais contra Israel, antes será agora financiado por ele, via Catar. A monarquia hachemita terá que aceitar reinar sobre os Palestinianos mesmo correndo o risco de por eles ser derrubada. O regime de apartheid de Telavive deverá conhecer, nos próximos anos, a mesma sorte que o de Pretória.

O mundo não evolui como nós o havíamos imaginado: de um sistema unipolar para um sistema multipolar. Certo, existe de um lado a união eurasiática russo-chinesa, mas já não há mais Ocidente. Subitamente, cada Estado da OTAN reencontra a sua independência. É provável que alguns venham a tomar iniciativas, convencidos em saber o que devem fazer. É até possível que se envolvam, novamente, em guerras entre eles.

Tudo o que havíamos aprendido do mundo acabou. Uma nova era começa.

Thierry Meyssan

Tradução 
Alva

Fonte 
Al-Watan (Síria)

 

Fonte : "Metamorfose", Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 8 de Janeiro de 2019, www.voltairenet.org/article204556.html

 


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