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Mitos da alteração climática

08.10.2007
 
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Mitos da alteração climática

A entrevista foi englobada num artigo publicado na revista brasileira Com Ciência Ambiental que “freqüenta mensalmente, por meio de uma distribuição qualificada e de um amplo sistema de assinaturas, os cursos das instituições de ensino superior e médio, os institutos de pesquisa, as agências e órgãos ambientais, as instituições civis que se dedicam às questões ecológicas, as empresas, as bancas de jornais, as revistarias e as livrarias das principais praças brasileiras (sic).”


O artigo, mais geral, é intitulado “Aquecimento Global – Momentos de divergência”. O link do número da revista com a entrevista será disponibilizado logo que possível. Apresenta-se a seguir a entrevista, tal qual, com sabor da diversidade da língua portuguesa do Brasil.


“Variação climática é fenômeno perpétuo da natureza”

«A afirmação é do climatologista* português Rui Moura, autor do blog Mitos Climáticos , para quem a Terra é uma máquina térmica onde há constante troca meridional de energia. “Provavelmente, com o objetivo nunca alcançado de uniformizar as temperaturas em todo o planeta, a natureza nunca pára de trabalhar”.


Nesta entrevista concedida à Com Ciência Ambiental , Rui Moura explica as causas do aquecimento global e questiona o consenso científico apresentado pelo IPCC.


Com Ciência Ambiental — O número de cientistas que subscrevem as conclusões do IPCC reduziu do terceiro para o quarto relatório. E muitos deles foram a público criticar a forma como estão sendo conduzidos os estudos. O consenso sobre o aquecimento global está caindo?


Rui Moura — Em ciência não existe consenso. Como diria o sociólogo francês Edgard Morin, o IPCC produz ciência sem consciência. Ou, mais bem dito, produz hipóteses que nunca foram provadas. O que acontece é que muitos cientistas que colaboraram com o IPCC se afastaram pela falta de ética desse organismo da ONU, que está a provocar uma profunda crise na ciência. Outros cientistas mudaram de opinião porque as observações que fizeram não confirmavam as hipóteses do IPCC. Por exemplo, num dos seus primeiros relatórios, ditos de avaliação, dizia que as tempestades iriam diminuir - o tempo seria mais clemente - visto que cairia o gradiente (diferença) de temperatura entre os pólos e os trópicos, uma vez que os modelos “diziam” que os pólos iriam aquecer e os trópicos manteriam a temperatura.

Essa conclusão seria lógica. De fato, as tempestades acalmam-se nos verões, quando diminui o gradiente de temperatura. Mas aconteceu o inverso. Os pólos arrefeceram e aumentaram as tempestades. Logo, o IPCC mudou de opinião e disse que o aquecimento global, afinal, trazia um aumento das tempestades, o que é absurdo. Outro exemplo: os modelos do IPCC “dizem” que as precipitações vão ser concentradas nos invernos (com cheias catastróficas) e que os verões seriam muito secos. Mas está a acontecer exatamente o contrário. Vide as cheias na Europa durante este verão (o meu blog fala disto em pormenor). Portanto, o IPCC vai dar, proximamente, mais uma cambalhota. A palavra “consenso” foi inventada pelo IPCC, e logo seguida pelos movimentos ambientalistas, para pressionar os decisores políticos a tomarem medidas que lhes convinham.


CCA — O senhor sustenta que os modelos climáticos computadorizados que baseiam as previsões do IPCC não refletem a realidade observada em diversas regiões do planeta. Que realidade é essa?


Rui Moura — Os modelos matemáticos que pretendem apreender o sistema climático real – os computadores são utilizados para resolver as equações matemáticas – apareceram em meados da década de 50 do século passado. Pretenderam dar resposta às previsões do tempo que se apresentavam falíveis para além de alguns dias, que cabiam numa só mão. Mas essa apreensão falhou e continua a falhar. Os computadores, por mais potentes e rápidos que sejam, não conseguem resolver um sistema de equações que não corresponde à realidade, seja do que for.

 É o homem que põe em equação um determinado enunciado – climático ou outro –, não é o computador. Este serve de auxiliar de cálculo. Nada mais do que isso. Na fase atual do conhecimento dos fenômenos climáticos, o homem não sabe pôr em equação o que acontece realmente na natureza. É a falta de humildade de dizer que não se sabe responder as questões postas pelo clima que leva a toda essa sarrabulhada do IPCC. Um dos dilemas mais importantes para o aprendizado do clima está naquilo a que se chama circulação geral da atmosfera. Representa as trocas de massas de ar e de energia entre os pólos e os trópicos. O nosso maravilhoso planeta também pode ser explicado como uma máquina térmica. A natureza obriga essa máquina a realizar, a qualquer instante, essa troca meridional de energia.

Provavelmente, com o objetivo nunca alcançado de uniformizar as temperaturas em todo o planeta, a natureza nunca pára de trabalhar. Isto é, a natureza, de uma forma perfeitamente organizada – não caoticamente como alguns erradamente dizem – gostaria que São Paulo e Lisboa usufruíssem do mesmo clima. Ora, as equações utilizadas nos modelos matemáticos do clima baseiam-se no que se designa por esquema tricelular (células de Hadley, de Ferrel e polar). Os satélites

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