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G8: África – mais palavras?

08.06.2007
 
G8: África – mais palavras?

No relatório Crescimento e Responsabilidade em África, os estados membros dos G8 empenharam-se numa “África estável, próspera e democrática” e frisaram a importância da realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015.

Há dois anos, depois da Cimeira de Gleneagles em Julho de 2005, os líderes dos G8 concordaram lançar um pacote de grande escala de perdão da dívida das nações africanas e providenciar 25 biliões de USD em ajuda até 2010. No final de 2006, somente 2,3 biliões de dólares tinham sido aplicados.

O exemplo da Rússia

No caso da Rússia, nos anos recentes, muito foi feito para estimular o desenvolvimento das nações africanas. No dia 25 de Maio, Dia da África, Sergei Lavrov declarou que a Federação Russa perdoou 11,3 biliões de USD de dívida de países africanos, enquanto Moscovo empenhou-se a aumentar as suas relações comerciais com o continente em meio bilião de dólares até ao final do ano. Moscovo está envolvido em negociações com nações africanas no sentido de cancelar a totalidade da dívida devida pelos Países Pobres Altamente Endividados até Janeiro de 2008. A dívida dos países africanos à Rússia é de 20 biliões de USD.

O Kremlin aborda a questão das relações bilaterais com países africanos no sentido de desenvolver as relações económicas em vez de simplesmente aumentar o AOD - Apoio Oficial de Desenvolvimento - (em que fundos passam mais entre instituições bancárias estrangeiras em vez de serem aplicados no terreno) e no sentido de cancelar a dívida destes países à União Soviética.

O compromisso dos G8 à África

Em Heiligendamm, os G8 reiteraram seu compromisso a realizar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015 e realçaram o seu “interesse forte numa África estável, democrática e próspera”. Por isso, os oito países mais desenvolvidos prometeram implementar programas de perdão de dívida no valor de 60 biliões de USD, aumentar o AOD até 2010 a 50 biliões de USD/ano e lançar uma série de medidas que fomentam o desenvolvimento sustentável, que promovem o crescimento e investimento, que combatem doenças e fome enquanto garantem a paz, segurança e boa governação.

A abordagem adoptada pelos G8 não será de cima para baixo mas sim, através do Mecanismo Africano de Revisão pelos Pares (MAAP) – abordagem sob a qual os países africanos avaliem uns aos outros e fazem sugestões sobre a implementação dos programas.

O continente africano é uma belíssima causa para aqueles oportunistas que querem projectar uma imagem de benfeitores, dando palmadas nas costas da criança mais perto, desde que seja negro, e de preferência, pobre, fazendo promessas de apoio para o desenvolvimento, proclamando pelo mundo fora que são amigos da África, que são africanos brancos e depois banhando-se na glória dos elogios resultantes. Mas depois quando vem a altura de traduzir palavras em acções, é ver cada um a fugir o mais longe possível no mais curto espaço de tempo, como ratazanas a abandonarem uma embarcação condenada. Aconteceu depois da Gleneagles. A ver se acontece outra vez depois de Heiligendamm.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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