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Colaborador de nazistas ucranianos perde o título de "Herói da Ucrânia"

08.05.2011
 

Por Cristiano Alves

O famoso colaborador de nazistas Stepan Bandera, outrora declarado "Herói da Ucrânia" durante o governo de Yuschenko, o mesmo que tanto propagandeou o "Holodomor" teve seu título revogado pelo poder judiciário ucraniano, conforme noticiado no The New York Times1.

Embora o tirano alemão Adolf Hitler considerasse os eslavos como uma untermensch (raça inferior), ele e sua gangue nazista viam os colaboracionistas como um importante elemento na política de eliminação racial, usando judeus contra judeus através dos destacamentos armados denominados kapos, responsáveis pela manutenção da repressão nos guetos e campos de concentração. Deste modo, ao invadir a Ucrânia, os nazistas usaram-se de movimentos cujas raízes nasceram na parte ocidental da Ucrânia, outrora sob domínio polonês, que veio a ser incorporada à URSS somente em 1939. Vale salientar que, ironicamente, nomes como Stepan Bandera, antes prisioneiro da justiça polonesa, fora libertado pelos soviéticos, uma vez que o direito da URSS não reconhecia o direito do então extinto Estado polonês.

 Com a invasão dos fascistas alemães, o movimento conhecido por Organização dos Ucranianos Nacionalistas - Exército de Libertação da Ucrânia(OUN-UPA), em realidade pseudônimo para sua organização nazista, junto com a organização de nome similar de Andri Melnik, atuou como pitbull de Hitler na Ucrânia, promovendo atrocidades contra a população local que não aderisse o seu movimento, principalmente civis não-combatentes. As atividades colaboracionistas desta organização de facínoras foi documentada pelo Exército Americano em pelo menos 9 álbuns da inteligência, relatada por sobreviventes do holocausto judeu, inclusive o famoso diário de Rudi Weiss, e condenada por poloneses e soviéticos, tendo sido ainda combatida pelos últimos. Embora o Comissariado Popular de Assuntos Internos(NKVD) tenha logrado em desmantelar a organização banderista após a II Guerra Mundial, Stepan Bandera conseguiu fugir para a Alemanha Ocidental, que sendo país vassalo dos EUA, concedeu asilo a vários criminosos nazistas.

Segundo o Professor Vladimir Herasymchuk, ucraniano, todos os funcionários do governo de colaboração na Ucrânia foram instalados pelos fascistas alemães, o próprio Bandera recebeu seu bastão de oficial destes mesmos. O colaborador de nazistas anunciava que "nossa autoridade deve ser terrível", recomendando a matança de todos que ficassem em seu caminho e no de seu regime. De acordo com um artigo de Olexa Panasenko, do jornal "Tovarisch", "aqueles que não quisessem cumprir as ordens destes nacionalistas ucranianos, o Destacamento de Segurança da OUN/UPA, não apenas recebiam entre 30 a 50 chibatadas, mas eram fisicamente mortos. Por que Sidor K. Oniskovets, vivendo na vila de Innje, região de Sernetsky, não quis juntar-se à UPA, primeiro eles mataram-no em frente aos seus filhos, com um machado. Depois, mataram quatro membros de sua família e, por último, seu filho de dois anos, Ivan, pela "glória da Ucrânia" eles cortaram sua perna e com o seu nome escreveram em um muro: "Por ato de traição contra a Ucrânia".

Num esforço de reescrever a história, a administração de Viktor Yuschenko exaltou figuras como Ivan Mazepa, Roman Shuhkevich e Stepan Bandera, conhecidos colaboradores do invasor(o primeiro colaborara com os suecos, quando o Rei Carlos XII invadiu a Rússia de Pedro, o Grande, ao passo que o segundo se tornara um comandante da Waffen SS Galizen3). A reabilitação deste tipo de criminoso tornou a Ucrânia um dos países a promover o revisionismo e reabilitar o nazismo, junto com a Estônia e Letônia, um passo denunciado por vários grupos ativistas de Direitos Humanos, associações de veteranos, historiadores e outros cidadãos ucranianos. Sobre o movimento colaboracionista ucraniano recaem muitas acusações sobre crimes graves, tais como a "limpeza étnica" de judeus. Segundo o documentário bielorrusso "A verdade vergonhosa sobre Hatyn", os colaboradores nazistas ucranianos teriam sido responsáveis por um dos episódios mais horrendos da Grande Guerra Patriótica, o massacre de Hatin, na Bielorrússia, cuja população inteira foi incinerada viva dentro de uma igreja, incluindo mulheres e crianças, incidente dramatizado no clássico do cinema "Idi i smotri"(Vá e veja). Até recentemente, acreditava-se que teria sido obra exclusiva dos alemães.

Assim como o KGB logrou em executar a sentença de morte do facínora  Stepan Bandera, responsável pela morte de milhões do seu próprio povo, na antiga Alemanha Ocidental, é importante que, após este passo em direção à democracia, o povo ucraniano pressione o atual governo ucraniano para que este possa extirpar do país toda a sorte de movimentos neonazistas e revisionistas no país de nomes como Ludmila Pavychenko e de Timoshenko(não confundir com a Primeira-Ministra pró-imperialista da Ucrânia atual), assim como desmascarar em caráter oficial a grande farsa do holodomor.

 

1- LEVY, Clifford J. 'Hero of Ukraine' Award to Partizan leader is revoked. Artigo do jornal The New York Times. Em http://www.nytimes.com/2011/01/13/world/europe/13ukraine.html?_r=1&scp=1&sq=Hero%20of%20ukraine&st=cse  
2- HERASYMCHUK, Vladimir. No rehabilitation to the national fascism. Artigo no jornal Northstar Compass. Em http://www.northstarcompass.org/nsc0203/herasym.htm

3- Braço da Waffen SS, organização terrorista formada pelos nazistas mais extremistas. Para pertencer à esta organização, era necessário ter ascendência de "sangue puro" alemão no mínimo até o século XVIII, recrutando ainda elementos colaboradores nos países ocupados. Estes destacamentos eram com frequência formados por elementos infiltrados formados na Alemanha nazista, assim como marginais, desertores e ex-kulaks expropriados. Muitos de seus membros eram obrigados a servir na OUN-UPA ou na Waffen SS Galizen, para atuar como policiais nazistas nos territórios ocupados.


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