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Nazistas

08.04.2019
 
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Em artigo que publicou no Sul 21, Tarso Genro diz que, na reunião de Teerã, em 1943, entre Stalin, Churchill e Roosevelt, Stalin defendeu a justiça sumária para os líderes nazistas e não seu julgamento por um tribunal. Stalin teria erguido um brinde, dizendo: "Bebo a nossa resolução de os liquidar logo após a sua captura. Todos sem exceção".


O ex-governador deve ter suas fontes para fazer essa afirmação, porque ela vem contra o que se sabe da política soviética em relação aos nazistas. Mais do que nenhuma outra das grandes potências, o governo soviético, queria expor os nazistas a um julgamento público, não só para mostrar seus crimes, mas para lembrar que isso foi feito, senão com o apoio, ao menos com a tolerância das potências ocidentais (Pacto de Munique) e a colaboração direta de empresários ocidentais, que enriqueceram com o trabalho escravo dos campos de concentração.


Em outubro de 1942, o Ministério dos Negócios Estrangeiros soviético divulgou um comunicado oficial declarando que Moscou era a favor de "entregar os líderes da Alemanha fascista ao julgamento de um tribunal internacional especial para puni-los em consonância com toda a severidade do código criminal".


No mês seguinte, o chanceler  britânico, Anthony Eden, escreveu a seu embaixador em Moscou, criticando a ideia de julgar formalmente os principais criminosos, como Hitler e Mussolini,  "porque seus crimes e responsabilidade eram grandes demais para serem examinados juridicamente".


Como parte da 3ª Conferência de Moscou, no outono de 1943, os ministros das Relações Exteriores dos EUA, do Reino Unido e da União Soviética assinaram, enfim, um acordo comprometendo-se a levar à justiça "homens e oficiais alemães e membros do Partido Nazista que foram responsáveis por atrocidades, massacres e execuções"


Como fizeram, postergando ao limite a abertura da Segunda Frente na Europa, tentando fazer com o prolongamento da guerra exaurisse tanto os comunistas quanto os nazista, os líderes temiam que o julgamento público dos nazistas se transformasse num palco para lembrar atrocidades que os nazistas cometeram nos países do Leste, fundamentalmente a União Soviética e os esquemas de cooperação no Ocidente, caso do Governo de Vichy, na França.


A Guerra Fria já tinha começado e a política da revisão histórica de quem tinha ganho a Segunda Guerra já começara nos meios de comunicação e naquele  momento o comunismo voltará a ser o grande inimigo a ser combatido.


Foi somente durante a Conferência de Potsdam, no verão de 1945, que, Churchill (substituído depois por Clement Atlee) e Truman  concordaram com Stalin na criação de um tribunal militar internacional para julgar os líderes nazistas por crimes de guerra.
Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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