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Militantes sírios "selecionados" devem, sim, receber armas

07.11.2015
 
Militantes sírios

A 4ª-feira trouxe verdadeira parafernália de informação "nova" sobre o jato russo de passageiros que despencou do céu sobre a Península do Sinal no fim de semana passado.

Primeiro, foi um áudio gravado pela sucursal egípcia do ISIS, reiterando que eles haviam, sim, "caído" o avião. Na sequência, o escritório central doISIS em Raqqa (ou em Langley ou em Hollywood) distribuiu um vídeo de cinco sujeitos sentados no jardim em frente de casa, parabenizando seus "irmãos" egípcios pelo grande feito.

Depois, o controle em britânico de tráfego aéreo falando de Sharm el-Sheikh a observar que o avião "bem que poderia" carregar a bordo "dispositivo explosivo". 

Até que a mídia-empresa norte-americana pôs fogo na pilha de lixo, com 'informes' de que segundo fontes da "inteligência" dos EUA, provavelmente o responsável pela queda é o ISIS.

Ao longo da investigação, pergunta que sempre surge é se os militantes terroristas poderiam ter derrubado o avião. Em termos gerais, o argumento de que o ISIS (ou pelo menos a sucursal do Estado Islâmico no Sinai) teria a tecnologia e/ou a expertise para derrubar avião de passageiros que passasse por ali a 31 mil pés foi desqualificada por "especialistas" e por imagens de satélites em infravermelho.

Mas nada em que a CIA não possa dar um jeito

Com o Pentágono agora decidido a pôr soldados norte-americanos em solo na Síria (os quais de fato provavelmente já estão lá, operando perto de Latakia, nada mais nada menos), Washington está sabidamente reforçando as linhas de suprimento para os terroristas "moderados" anti-Assad, a pedido de (adivinhem!) sauditas e Erdogan. 

Inacreditavelmente, algumas das armas que estão chegando àquelas mãos podem bem ser sistemas de defesa portáveis, disparáveis do ombro, chamados Manpads, capazes de atingir aviões civis.

Mas não, não, ninguém precisa se preocupar, porque a coisa só é entregue a "rebeldes selecionados". E mais, do Wall Street Journal:

EUA e seus aliados regionais concordaram em aumentar os embarques [por navio] de armas e outros itens para ajudar rebeldes sírios moderados a se defender e a desafiar a intervenção de russos e iranianos na defesa do presidente sírio Bashar al-Assad, disseram funcionários dos EUA e seus contrapartes na região.

As entregas, a serem feitas pela Central Intelligence Agency, por Arábia Saudita e outros serviços aliados de espionagem visam a aprofundar a luta entre forças que combatem na Síria, apesar da promessa que o presidente Barack Obama fez publicamente, de que não deixaria o conflito converter-se em guerra à distância dos EUA contra a Rússia.

Funcionários sauditas não apenas pressionam para que a Casa Branca mantenha aberto o duto de armas, mas também avisaram o governo dos EUA que não volte atrás na exigência, já de tanto tempo, de que Assad tem de sair.

No mês já transcorrido de ataques aéreos russos cada vez mais intensos, a CIA e seus parceiros aumentaram o fluxo de suprimentos militares para rebeldes no norte da Síria, incluindo os mísseis antitanques TOW de fabricação norte-americana, disseram aqueles funcionários. Essas entregas continuarão a crescer nas próximas semanas, para repor os estoques consumidos na luta contra a ofensiva militar ampliada dos partidários do regime.

Funcionário do governo Obama disse que é preciso aumentar a pressão militar, para tirar Assad do poder.

“Assad não sentirá pressão alguma para fazer concessões, se não houver oposição viável, com capacidade, graças ao apoio de seus parceiros, para pressionar o governo dele" – disse o funcionário.

Além de armas que os EUA concordaram em fornecer, funcionários sauditas e turcos renovaram conversações com seus contrapartes norte-americanos sobre fornecer número controlado de sistemas lança-mísseis portáteis, disparáveis do ombro, os Manpads, para rebeldes selecionados. Essas armas podem ajudar a derrubar aviões do regime, especialmente os responsáveis pelos ataques com bombas-barril, e a manter ao largo também a força aérea russa, disseram funcionários.

O presidente Obama várias vezes rejeitou essas propostas, lembrando o risco de ataques contra aviões civis, e por medo de que essas armas acabassem em mãos de terroristas. Para reduzir esses riscos, aliados dos EUA propuseram 'retroformatar [orig. retrofit] o equipamento, para acrescentar os chamados "desligadores de segurança" [orig. kill switches] e software especializado que impediriam o operador de usar a arma fora de determinada área – disseram funcionários na região autorizados a falar sobre a possibilidade.

Agências norte-americanas de inteligência estão preocupadas porque alguns Manpads de modelo antigo já foram contrabandeados para a Síria, por canais de suprimento que a CIA não controla.

Se lhe parece total loucura, é porque é. Mesmo depois de a inteligência dos EUA (que não se pode afirmar mas pode-se supor que saia da CIA) sugerir que o Estado Islâmico Sinai provavelmente derrubou o jato russo com 224 pessoas a bordo... a mesma CIA continua trabalhando para fornecer armas capazes de derrubar aviões comerciais, a "rebeldes selecionados".

Mas, para garantir que nenhum doido faça explodir em pleno voo um 747, Washington "retroformatará" as armas com software "especial" que garante que o doido só poderá derrubar aviões comerciais em determinadas áreas, não em qualquer lugar. 

Já não se pode duvidar: a coisa ultrapassou o absurdo, já chega ao bizarro.

Pelo que se pode ver de fora, não basta que os EUA estejam fornecendo mísseis antitanques a terroristas que atiram contra as mesmas milícias apoiadas pelo Irã que os EUA implicitamente apoiam do outro lado da fronteira do Iraque... Agora, CIA e Arábia Saudita darão aos mesmos terroristas poder de fogo para derrubar aviões civis. Isso porque, no "melhor" cenário, os terroristas só derrubarão jatos de combate dos russos; e no pior, as mesmas armas acabarão em mãos "erradas" que logo se porão a usá-las para derrubar aviões comerciais. 

É difícil ver como John Kerry pode aparecer em conversações "de paz" em Viena sem corar de vergonha à frente de Sergei Lavrov. (...) EUA e sauditas estão armando grupos extremistas sunitas e encorajando-os a atirar contra forças russas e iranianas.  É absurdo Obama pretender que não é guerra por procuração. 

Juntando todas essas pontas, já parece perfeitamente possível afirmar que os EUA estão, sim: (1) entregando armas antitanques a rebeldes que as usam contra soldados iranianos; (2) infiltrando soldados por terra perto de Latakia, o que significa que, quase com certeza, eles entrarão em combate direto contra forças do Hezbollah; e (3) entregando a terroristas armas capazes de derrubar aviões de passageiros, dias depois que um avião russo de passageiros explodiu no céu sobre a Península do Sinai. 

Tudo é feito em conjunção com sauditas e Erdogan, que acaba de 'passar a mão' numa eleição na Turquia e já está a caminho de reescrever, ao modo dele, a Constituição de seu país. 

E a mídia-empresa privada ocidental noticia tudo isso na mais perfeita cara-dura, como se alguma coisa aí fizesse algum sentido... *****

5/11/2015, Tyler Durden, Zero Hedge


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