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Confirmações na Síria

07.10.2016
 
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Após cinco anos de guerra na Síria, as máscaras caíram. A difusão do texto do acordo russo-americano revela as intenções escondidas dos dois Grandes : cortar a «Rota da Seda» para Washington, liquidar os jiadistas para Moscovo. Por outro lado, o falhanço deste acordo e os debates no Conselho de Segurança atestam o surrealismo da retórica do Presidente Obama : em cinco anos, ele não conseguiu formar o menor grupo de oposição «moderada» e não se encontrava, pois, em condições de os apresentar, contrariamente ao estipulado no texto do acordo. Os Estados Unidos não estão à altura de honrar a sua assinatura.

Thierry Meyssan

O falhanço do acordo russo-americano de 9 de Setembro e os debates no Conselho de Segurança que se seguiram permitem confirmar várias hipóteses.

O actual objectivo estratégico dos Estados Unidos na Síria é sobretudo o de cortar a «Rota da Seda». Ao ter preparado durante vários anos e depois ao colocar no poder o Presidente Xi Jinping, em Maio de 2013, a China fez da restauração deste eixo histórico de comunicação o seu principal objectivo. Entretanto, ao ter-se a China tornado no principal produtor industrial no mundo Xi previu dobrá-la por uma «Nova Rota da Seda», passando pela Sibéria e pela Europa Oriental antes de chegar à União Europeia.

Logicamente, os Estado Unidos montaram actualmente duas guerras por "proxies" (fantoches-ndT), no Levante por um lado, e na Ucrânia por outro. A instalação do caos na Síria e no Donbass não visa satisfazer as teorias cínicas de Leo Strauss, mas, sim, exclusivamente cortar os dois trajectos da Rota. Não surpreende, pois, que o Presidente ucraniano Petro Porochenko tenha vindo participar no Conselho de Segurança para apoiar a delegação norte-americana acusando a Rússia de ter bombardeado um comboio humanitário sírio.

Por outro lado, o acordo russo-americano previa que os Estados Unidos separariam os combatentes «moderados» dos «extremistas»; depois, que estes «moderados» participariam com os dois Grandes e o Exército Árabe Sírio na neutralização dos «extremistas»; por fim, que um governo de unidade nacional seria formado em Damasco, sob a Presidência de Bashar el-Assad, integrando representantes dos «moderados» que tivessem participado na batalha final contra os «extremistas».

Ora, nada foi feito neste sentido. O compromisso do Secretário de Estado, John Kerry, mostrou não ser mais que um voto piedoso. Washington não encontrou combatentes para desempenhar o papel de «moderados». Na realidade, todos os «moderados» são «extremistas». Foi portanto necessário saltar sobre a ocasião -- ou, aliás, encenar -- do comboio humanitário queimado para escapar às suas próprias contradições. A retórica do Presidente Obama, segundo a qual apoia Sírios que se batem pela Democracia face a um regime que os reprime, não corresponde à realidade. Em 2013, o Presidente Vladimir Putin tinha razão em ridicularizar os Ocidentais que consideravam como «moderados» os canibais do Exército Sírio Livre (que num vídeo comiam o fígado de inimigos- ndT).

Finalmente, este acordo mostra que o objectivo da Rússia é o de esmagar os jiadistas, que se preparam aqui para ir depois atacá-la no Cáucaso. A solução negociada era ideal para Moscovo: ela punha fim aos sofrimentos do seu aliado sírio, abria uma via de comunicações para o seu aliado chinês, e assegurava-lhe o liquidar do jiadismo internacional. A contrario, Moscovo acaba de verificar que, desde a guerra do Afeganistão, o jiadismo é uma arma norte-americana virada contra si e que Washington não a vai abandonar. É claro, os novos jiadistas não estão cientes disso, mas aqueles que se batem com a ajuda dos Estados Unidos, nos últimos 38 anos, não podem ignorar que não passam de auxiliares do Pentágono.

Thierry Meyssan

Tradução 
Alva

Fonte 
Al-Watan (Síria)

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