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Visita de Obama a Moscovo: Sinopse

07.07.2009
 
Visita de Obama a Moscovo: Sinopse

É um começo. A honestidade, dignidade e respeito demonstrado pelo presidente dos Estados Unidos da América constituiram uma mudança muito refrescante da arrogância do regime de Bush e fornecem um cenário para uma restauração nas relações e um espírito genuíno de parceria para o futuro. Um exemplo excelente para o mundo mais largo. Foram proferidas as palavras, passemos às acções.

Barack Obama sai de Moscovo com um punhado de documentos, que poderiam ser descritos como pouco mais do que o começo de um processo para reduzir os arsenais nucear da maior potência nuclear, a Federação Russa, e da segunda maior, os EUA e também, a permissão de tropas e equipamento norte-americano voarem sobre o espaço aéreo russo com destino ao Afeganistão.

À parte disto, pouco mais de grande importância.

Há ainda a questão da expansão da OTAN a leste, algo que foi prometida à Rússia em várias ocasiões que não aconteceria se o Pacto de Varsóvia fosse desintegrado e que prontamente aconteceu, um acto que constituiu uma falta monumental de respeito, ausência de caráter e uma mentira descarada.

Há igualmente a questão do escudo anti-mísseis nas fronteiras da Rússia, que é uma intrusão no status quo estabelecido entre as partes ao longo dos anos.

Entretanto, o que há agora após a visita que não existia antes é um espírito de cooperação. O Presidente Obama prometeu continuar a estudar os planos e deixou a porta aberta para uma possível mudança de opinião dado que a situação altere no que diz respeito ao Irão. Será que estava dizendo “dá-me um Irão sem a capacidade de produzir a material nuclear bélico e eu não construirei o escudo protetor?

Para destacar, a cuidadosa escolha do Presidente Obama das suas palavras, comportamento de um convidado bem educado e polido, como seria de esperar, um enorme contraste à insolência da Condoleeza Rice, Bush e Cheney durante os últimos oito anos que azedaram as relações a tal estado que chegram ao ponto mais baixo dos últimos 15 anos no Agosto passado, quando tropas georgianas, treinados por conselheiros militares dos E.U.A., lançaram um covarde acto terrorista contra Ossétia do Sul, chacinando quase dois mil civis russos.

O Presidente Obama deixa Moscovo mais em foco no exterior do que cá dentro (muitas pessoas não souberam nada da visita e os canais de televisão não lhe atribuem grande destaque) mas o primeiro passo foi tomado, a primeira pedra foi lançada para reparar as relações e construir as pontes, não edificar muralhas.

Verdadeiramente nós temos agora um Presidente dos E.U.A. com estatura para chamar-se digno do seu posto no início do século XXI, alguém cuja visão global parece ser mais próxima à de Moscovo, que tem sempre defendido um mundo multilateral que trabalha em conjunto em fraternidade e respeito mútuo.

Nós podemos certamente reiterar as palavras proferidas nesta coluna após a eleição de Barack Obama: Bem-vindo, amigo! Foram proferidas as palavras, passemos às acções.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Directoe e Chefe de Redacção

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