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Por que Bush quer atacar o Irã

07.06.2006
 
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Por que Bush quer atacar o Irã

Por Mário Maestri, junho de 2006


Em 24 de junho de 2005, quando as tropas anglo-estadunidenses encontravam-se já empantanadas no Iraque, os estrategistas imperialistas assistiram impotentes a maciça vitória do integralista islâmico Mahmoud Ahmadinejad, no segundo turno das eleições iranianas, sobre Hashemi Rafsanjani, reformista moderado, candidato das classes médias enriquecidas, dos segmentos capitalistas e do imperialismo.

A vitória do antigo guarda revolucionário deveu-se ao rechaço dos explorados à reconversão neoliberal do Irã, empreendida nas duas décadas anteriores. Expressou, igualmente, a consciência de que o terror imperialista não apenas podia ser, como estava sendo derrotado no Iraque. Interrompia-se, assim, a recuperação interna de nação que já vivera longamente sob o tacão imperialista.

Entronizada em 1925, a dinastia Pahlevi ocidentalizou superficialmente o Irã, congelou sua estrutura agrária feudal, aceitou o jugo britânico. Em 1951, sob o influxo do nacionalismo árabe, o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh nacionalizou a Anglo-Iranian Oil Company, sendo deposto, em 1953, por golpe da CIA que reprivatizou a exploração do petróleo. Então, por longas décadas, o xá Reza Pahlevi submeteu os iranianos a despótico regime pró-imperialista.

Em 1979, insurreição popular de inspiração xiita depôs a dinastia Pahlevi. O islamismo nivelador expressou a confusa percepção, pelos oprimidos, da exploração imperialista como resultado do abandono, pelas elites ocidentalizadas, do mítico solidarismo islâmico. Para esgotar o impulso revolucionário, os USA incentivaram a longa agressão do Irã pelo Iraque de Saddan Hussain, que ceifou um milhão de vidas.

Restauração neoliberal


Em 1989, três anos após a morte do aiatolá Khomeini, quando da vitória da contra-revolução neoliberal mundial, o novo presidente do Irã, o moderado Hashemi, iniciou reversão do impulso revolucionário, através de privatizações, liberalização da economia, restrição dos direitos sociais, etc. Eleito em 1997 e 2001, o pragmático Mohammad Khamenei prosseguiu o movimento, apoiado pelo clero islâmico que manteve zelosamente o controle da vida política nacional.

Vinte anos de liberalização fortaleceram classe dominante que vampirizou gulosa os recursos petrolíferos, enquanto a população empobrecia era vergada pelo desemprego, privatizações e desassistência. Hoje, 40% dos 70 milhões de iranianos vivem na pobreza, sobretudo nas grandes cidades, onde proliferam hotéis, restaurantes, comércios e moradias de alto luxo.

Durante a campanha eleitoral, Ahmadinejad atacou as privatizações, a liberalização, a internacionalização da economia. Comprometeu-se igualmente com o domínio do ciclo completo de enriquecimento de urânio que permite a produção de combustível para usinas nucleares e a fabricação da arma atômica. Ahmadinejad necessita do apoio popular para contrabalançar o controle de parte do Estado, do governo, do exército pelo alto clero islâmico.

Alardeando novamente o “perigo das armas de destruição em massa”, a administração Bush passou a defender ataque militar, mesmo na difícil situação em que se encontra, caso o governo iraniano não se submeta as suas determinações, abandonando o enriquecimento de urânio; colaborando na repressão da resistência iraquiana; interrompendo o apoio ao Hamas, na Palestina e ao Hezbollah, no Líbano; liberalizando a economia.

Petróleo como arma


Os Estados Unidos consomem 25% da produção mundial do petróleo, produzindo apenas 50% de suas necessidades. O imperialismo estadunidense aposta econômica e estrategicamente no controle mundial das reservas do petróleo. As grandes companhias petrolíferas anglo-estadunidenses já dominam, direta ou indiretamente, as reservas do Iraque, Arábia Saudita, emirados médios-orientais, etc.

No contexto da inevitável retirada anglo-estadunidense do Iraque, a emergência de um Irã enriquecido pelo petróleo, imune à chantagem militar imperialista, devido ao domínio da arma atômica, com influência sobre a população xiita iraquiana, desorganizaria o controle das reservas petrolífero da região e fortaleceria a luta pela nacionalização dos recursos naturais através do mundo.

A administração Bush passou a defender ataque militar, como “última medida”, nascida da ameaça à segurança internacional posta pela “injustificada” “ambição nuclear” iraniana, que planejaria nada menos do que o controle do Oriente Médio, a destruição de Israel, a agressão atômica aos USA!

A administração Bush obteve o apoio dos governos da Inglaterra, França e Alemanha, representantes de interesses dedicados à exploração predatória do petróleo mundial. O presidente Chirac chegou ao despropósito de sugerir uso preventivo do armamento atômico francês contra o Irã. Em macabro ato falho, Angela Merkel, representante da direita alemã, acusou raivosamente o Irã de pretender destruir Israel.

Nascidos para odiar

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