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Eleições no Reino Unido – Brown ainda reside no Number Ten, Downing Street

07.05.2010
 
Eleições no Reino Unido – Brown ainda reside no Number Ten, Downing Street

Os Verdes elegem primeira deputada – Conservadores falham, dois terços do eleitorado vota contra Cameron – pacto entre Trabalhistas de Gordon Brown e Liberais Democratas de Nick Clegg represantaria 52% do voto. Gordon Brown continua como Primeiro Ministro, mas até quando?

Não há vencedor nas eleições legislativas no Reino Unido. O Partido Conservador/Tory de David Cameron tem neste momento 302 lugares (precisa de 326 para uma maioria no Parlamento) que representa 36% do voto; Labour/Trabalhistas de Gordon Brown está em segundo lugar com 29% do voto e 256 lugares. Os Liberais-Democratas de Nick Clegg, depois de uma campanha brilhante e grandes promessas nas sondagens, tiveram um resultado desapontante, com 23% do voto, traduzido em apenas 54 lugares, vítimas do sistema eleitoral.

Conclusões

Em primeiro lugar, os Conservadores falharam em vencer claramente as eleições porque não conseguiram uma maioria absoluta, apesar de ter a comunicação social firmemente no seu lado e contra os Trabalhistas e apesar de terem gozado de três vez mais em termos de financiamento do que o partido de Gordon Brown. Em segundo lugar, o sistema eleitoral mais uma vez castigou os partidos menores, um dos quais (UN Independence Party) teve quase um milhão de votos mas sem qualquer representante no Parlamento, enquanto Plaid Cymru (Nacionalistas galeses) tiveram 165,000 votos e três deputados.

Como funciona? O país está dividido em 650 círculos eleitorais, ou “constituencies”, cada um elegendo um deputado. Por isso os votos para candidatos que ficam em segundo lugar ou abaixo, não contam. Visto que os liberais ficam muitas vezes em segundo lugar, a voz do eleitorado não se traduz na representação no Parlamento.

Dado que os Liberais Democratas favorecem um sistema eleitoral que se baseia na representatividade proporcional, e dado que isso dar-lhes-ia uma possibilidade de traduzir a vontade popular em lugares no Parlamento, e dado que Labour/Trabalhistas incluíram no seu manifesto eleitoral a questão de um referendo nacional sobre esse assunto, pode haver terreno comum para um entendimento entre Labour e os Liberais-Democratas, senão uma coligação.

No entanto, o maior partido é o Partido Conservador. Enquanto Gordon Brown continue como Primeiro-Ministro até que os partidos consigam formar uma coligação governamental, há um consenso presente nos discursos de Nick Clegg (líder dos Liberais-Democratas) e Gordon Brown (líder do Labour) que cabe aos Conservadores de David Cameron a primeira tentativa de formar uma coligação maioritária, ou um acordo informal, com os Liberais. Sendo esse o cenário, David Cameron será o próximo Primeiro-Ministro.

Ora, os Liberais e Trabalhistas têm muito mais em comum do que os Liberais e Conservadores, que não olham de bom grado qualquer tipo de alteração ao sistema eleitoral. Aliás, para as bases, os Conservadores estão demasiado à direita para os Liberais e os Liberais demasiado à esquerda para os Conservadores. Em coligar-se com os Conservadores, ou a chegar a um acordo informal para não derrotar o Governo numa altura em que se precisa de um Governo firme e estável, Nick Clegg também pode estar a dar um sinal que na próxima vez, por quê votar para o Partido Liberal?

Por isso dentro do acampamento Labour/Trabalhistas, reina a esperança das conversas entre os Conservadores e Liberais falharem e daí a possibilidade de outro Lib-Lab Pact (Acordo entre Liberais e Labour) para formar um Governo ou consenso de entendimento, talvez com o apoio dos outros partidos menores que conseguiram representação no Parlamento. Muitos destes, com a excepção das Unionistas de Ulster (DUP da Irlanda do Norte, que está mais perto dos Conservadores), tendem mais a favor de Labour. Neste cenário, Gordon Brown continuaria a residir no Number Ten, Downing Street, residência oficial do Primeiro Ministro do Reúno Unido.

A apontar, o primeiro lugar dos Verdes, liderados por Caroline Lucas, deputada eleita pelo circulo de Brighton Pavilion.

Faltando 9 lugares, a situação nesta sexta-feira à tarde é o seguinte:

Partido Conservador/Tory 301 lugares, 36,2% do voto, 10.561.428 votos

Labour/Trabalhistas 255 lugares, 29%, 8.478.042

Liberais_Democratas 56 lugares, 23%, 6,727,864

DUP (Irlanda do Norte) 8 lugares, 0,6%, 168,216

SNP (Nacionalistas Escoceses) 6 lugares, 1,7%, 491,386

Sinn Fein (Irlanda do Norte), 4 lugares, 0,5%, 150,638

Plaid Cymru (Nacionalistas Galeses) 3 lugares, 0,6%, 165,394

SDLP (Irlanda do Norte), 3 lugares, 0,4%, 107,396

Verdes, 1 lugar, 0,9%, 277,146

Alliance (Aliança entre as partes na Irlanda do Norte) 1 lugar, 0,1%, 42,325

Outros partidos sem representação no Parlamento:

UKIP (Independência do Reino Unido, Euro-céptico) 903,305 votos, 3,1% do voto

British National Party (Direita) 555,852 (1,9%)

UCU (Conservadores e Unionistas na Irlanda do Norte) 102,361 (04,%)

Democratas ingleses 64,826 (0,2%)

Respect – Coligação (Esquerda) 33,251 (0,1%)

TUV (Irlanda do Norte) 26,300 (0,1%)

Partido Cristão 17,890 (0,1%)

ICHC (Preocupação com Saúde e Comunidades Independentes) 16,150 (0,1%)

TUSC (Sindicatos e Socialistas) 12 ,275 (0,0%)

SSC (Socialistas Escoceses) 3,157 (0,0%)

Outros 295,354 (1,0%)

65,1% taxa de votação

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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