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Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)

07.03.2014
 
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Há muito tempo os EUA tentam firmar uma frente anti-Irã nos países árabes no Golfo Persa. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), fundado em 1981, incluía Bahrain, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O braço militar do CCG, o escudo peninsular, foi formado sob orientação dos EUA e como uma grande feira cativa para a venda de armas fabricadas nos EUA:


Esfacela-se mais uma 'frente-contra' inventada pelos EUA
5/3/2014, Moon of Alabama
- http://www.moonofalabama.org/


Há muito tempo os EUA tentam firmar uma frente anti-Irã nos países árabes no Golfo Persa. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), fundado em 1981, incluía Bahrain, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O braço militar do CCG, o escudo peninsular, foi formado sob orientação dos EUA e como uma grande feira cativa para a venda de armas fabricadas nos EUA:[1]


"Gostaríamos de expandir nossa cooperação de segurança com parceiros na região, trabalhando de forma coordenada com o CCG, inclusive mediante a venda de artigos norte-americanos de defesa, através do CCG, como organização," disse [o secretário de Defesa Hagel]. "Esse é um passo adiante natural, para melhorar a colaboração EUA-CCG, e permitirá que o CCG adquira capacidades militares críticas, inclusive itens para defesa com mísseis balísticos, segurança marítima e contraterrorismo."

...

[Hagel] disse que nos últimos dez anos, a venda de armamento militar avançado dos EUA às nações do CCG alterou o equilíbrio militar a favor do CCG e contra o Irã."


Hoje,  o CCG rachou:[2]


"Arábia Saudita, Bahrain e os Emirados Árabes Unidos retiraram seus embaixadores de Doha, na 4ª-feira, como protesto contra a interferência do Qatar em seus assuntos internos, anunciaram em declaração conjunta.

Os três países árabes do Golfo tomaram a decisão, depois do que os jornais descreveram como "reunião tempestuosa" em Riad, tarde da noite, na 3ª-feira, entre os ministros de Relações Exteriores das seis nações que formam o CCG.

Os países do GCC "empreenderam esforços massivos para entenderem-se com o Qatar, em vários níveis, para chegar a uma política unificada (...) para garantir a não interferência, direta ou indireta, nos assuntos internos de cada um dos estados membros" - diz a declaração.

As nações também pediram ao Qatar, apoiador do movimento da Fraternidade Muçulmana, banido na maioria dos estados do Golfo, que "não apoie qualquer partido que ameace a segurança e a estabilidade de qualquer membro do CCG" - citando, em particular, as campanhas pela imprensa contra aqueles membros.

A declaração diz que, apesar de o emir do Qatar , Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, ter-se comprometido com esses princípios, em mini-cúpula realizada em Riad em novembro, com o emir do Kuwait e o monarca saudita, o Qatar não cumpriu o compromisso que assumiu.


Os investimentos do Golfo em empresas do Qatar caíram[3] depois de divulgada a declaração, mas o Qatar ainda tem alguns instrumentos de pressão, porque fornece gás natural aos Emirados Árabes Unidos. Kuwait e Omã, também membros do CCG não convocaram seus embaixadores.

Qatar e Arábia Saudita vêm lutando pela liderança do "arquivo sírio", em torno de interpretações ideológicas do Islã, mas também em torno da posição anti-Irã fanática da Arábia Saudita. Omã é outro país que não adere muito firmemente à posição anti-Irã liderada por EUA/sauditas, no CCG. Agora, os EUA têm em mãos mais um grande problema de política exterior.

Os EUA parecem estar falhando em todos os cantos onde tentam unir seus "aliados" em campanha anti-alguém, sob comando dos EUA.

Na Europa, os "aliados" dos EUA discordam quanto a possíveis sanções contra a Rússia, e não seguirão o comando anti-Rússia que os EUA preferem. No sudeste da Ásia, os "aliados" dos EUA, Coreia do Sul e Japão batem cabeça um contra o outro, e não acompanharão os EUA em sua campanha anti-China. Agora, com o CCG rachado, a campanha anti-Irã comandada pelos EUA no Golfo parece também estar fazendo água.

As aspirações de política externa de total dominação pelos EUA enfrentam dificuldades, com os "aliados" cuidando cada vez mais dos próprios interesses, em vez de acompanhar a liderança, tantas vezes lunática, de Washington.

Aí está um fato histórico, que os atores da política exterior em Washington ainda não entenderam.

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[1] http://www.defensenews.com/article/20131207/DEFREG04/312070009

[2] http://gulfnews.com/news/gulf/uae/government/uae-saudi-arabia-and-bahrain-recall-their-ambassadors-from-qatar-1.1299586

[3] http://www.arabianbusiness.com/saudi-uae-bahrain-pull-envoys-from-qatar-in-security-row-541529.html

 


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