Pravda.ru

Mundo

Rússia e Alemanha encurralam Irã por falta de confiança no programa nuclear

07.02.2010
 
Pages: 12
Rússia e Alemanha encurralam Irã por falta de confiança no programa nuclear

O polêmico, misterioso e controvertido programa nuclear do Irã, com idas e vindas, acordos e desacordos, declarações confirmando seguidas de outras negando, colocou o tema sob o manto da desconfiança. O Ocidente acredita que as finalidades do programa nuclear do Irã não são civis nem pacíficas, como ele afirma, pelo contrário, destina-se ao desenvolvimento de uma bomba atômica.

As controvérsias em torno do programa nuclear iraniano são tantas que nesta semana o Governo Brasileiro chegou a desmentir uma declaração do diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluindo o Brasil entre os países com os quis Teerã está negociando para enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre seu possível uso militar, conforme proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU.

A declaração surpreendeu as autoridades brasileiras, e o ministro das Relações Exteriores, chanceler Celso Amorim, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que "Em nenhuma das conversas mantidas pelo governo brasileiro com o Irã foi tratada a possibilidade de enriquecimento do minério iraniano no País".

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, também rejeitou a possibilidade de um convênio nesse sentindo, lembrando que a produção atual da INB ainda não é capaz de atender nem sequer à demanda brasileira.

A Rússia, por exemplo, já quer uma ação mais dura e veemente do Conselho de Segurança da ONU contra a República Islâmica por conta do seu indefinido programa de energia nuclear. Por causa dessa posição de Moscou, os membros do Conselho de Segurança da ONU esperam que o Irã tenha ações construtivas com relação ao seu programa nuclear.

Em Berlim, Alemanha, o chanceler russo, Sergei Lavrov, foi enfático ao dizer que "se não observarmos uma resposta construtiva do Irã teremos de discutir isso no Conselho de Segurança da ONU", e acrescentou que ainda espera que seja encontrada uma solução diplomática para o problema.

Já prevendo um desfecho nada diplomático sobre a questão do programa nuclear Iraniano, a China entrou na discussão e está pedindo calma e paciência ao mundo para com a República Islâmica, e vem mantendo esforços diplomáticos para que seja encontrar uma solução.

O chanceler chinês, Yang Jiechi, disse que as negociações com o governo do Irã "entraram em uma fase crucial, e as partes interessadas deverão, com os interesses globais e de longo prazo em mente, intensificar os esforços diplomáticos, permanecer pacientes e adotar uma abordagem mais flexível, pragmática e uma política pró-ativa".

Se o Irã não mudar sua postura e não enquadrar seu programa nuclear e as suas intenções de enriquecer urânio dentro das exigências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIET) vai sofrer, pela quarta vez, mais sanções do Conselho de Segurança da ONU. Mas o Irã nega as acusações e diz que seu programa atômico tem finalidades apenas pacíficas, mas ninguém acredita.

Já o chanceler alemão, Guido Westerwelle, acusou o Irã de “usar táticas de adiamento, em vez de agir”. Dando sequência ao seu ataque, o chanceler alemão afirmou que “nos últimos dois anos o Irã tem, repetidamente, blefado e usado subterfúgios, e a comunidade internacional não pode aceitar um Irã com armas nucleares."

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad afirmou na última terça-feira que seguia disposto a trocar uma parte do seu urânio pouco enriquecido (3,5%) por um combustível altamente enriquecido (20%), destinado ao seu reator de pesquisas e medicina nuclear em Teerã, com a finalidade de demonstrar que seus propósitos são puramente pacíficos, mas, os países ocidentais reagiram com prudência e desconfiança a essa declaração.

Atuando como pacifista, a misteriosa China disse que “isso representa uma mudança na posição do Irã, significando que vale a pena prosseguir com as negociações em vez de discutir sanções mais amplas contra Teerã”. Entretanto, vários membros da diplomacia internacional disseram o Irã não conduziu nenhuma mudança em sua posição para a AIEA.

O chanceler do Irã, Manouchehr Mottaki, fez críticas às ameaças de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU e agora tem novas exigências para receber urânio enriquecido do exterior. “O compromisso proposto pela AIEA deve ser revisado”, afirmou Mottaki.

As novas exigências da República Islâmica, segundo o chefe da diplomacia de Teerã, são de que o seu país só vai exportar urânio levemente enriquecido se receber imediatamente em troca combustível nuclear altamente enriquecido para seus reatores experimentais.

"Deve haver uma sincronia, ou seja, a troca deve ocorrer ao mesmo tempo", explica Mottaki, que garante que o combustível altamente enriquecido que reivindica “será destinado a um reator que fabrica produtos para fins médicos”. Os país do Conselho de Segurança da ONU consideram que o enriquecimento do urânio para o Irã fora do país permitiria maior controle do seu programa nuclear.

Ao se ver encurralado por Rússia e Alemanha, dois influentes membros do Conselho de Segurança da ONU, o Irã começa a demonstrar, pelo menos aparentemente, que vai concordar com os termos, mas mesmo assim a desconfiança é total.

Pages: 12

Loading. Please wait...

Fotos popular