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Obama puxa, Putin empurra

06.12.2014
 
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Se se sabe que o adversário tem força seis, e você tem força quatro, se os dois se põem a empurrar-se um contra o outro, o seu quatro muito provavelmente perde para o seis dele. Lição básica de como usar as forças no judô ensina que se você não puxar, mas empurrar, quando o adversário puxa, você consegue somar os seus quatro aos seis dele e, com força de dez, você facilmente derruba o outro.


O presidente da Rússia e mestre de judô Vladimir Putin, com certeza sabe muito bem disso e 'usou a força' contra seu adversário presidente Barack Obama dos EUA, com a surpreendente decisão de pôr fim ao projeto de construção do gasoduto Ramo Sul.

O Ramo Sul, de $40 bilhões, financiado pela Gazprom levaria gás russo, por baixo do Mar Negro até a Bulgária e dali para o sudeste da Europa. Putin fez o anúncio durante visita a Ancara:


"Considerando a posição da Comissão Europeia, que não contribui para a realização desse projeto [Ramo Sul]; considerando o fato de que só recentemente recebemos a autorização das respectivas organizações nos Países Baixos (...) Considerando o fato que nós ainda não recebemos o consentimento da Bulgária, entendemos que, nas atuais condições, a Rússia não pode insistir na realização desse projeto."


À primeira vista, parece que Moscou se teria 'retirado', considerada a atitude 'forte' da Comissão Europeia pressionada pelos EUA, para não aumentar a sua dependência do suprimento de energia russa. Mas, na verdade, Putin passou a perna no 'ocidente'. Na mesma ocasião, Putin disse que


"Passaremos a redirecionar o fluxo de nosso gás para outras regiões do mundo (...). Adiantaremos aos outros mercados, e a Europa não receberá esses volumes de gás, não, pelo menos, da Rússia. Entendemos que não é o que mais completamente satisfaz os interesses  econômicos da Europa e que arranha nossa cooperação. Não é escolha russa: é escolha de nossos amigos europeus."


Em resumo, a Rússia mandou para o estaleiro o Ramo Sul, mas nem por isso deixará de vender gás para a Europa, via Turquia, e nada há que a Comissão Europeia (ou Washington) possa fazer sobre o assunto, se os países do sul da Europa preferirem engajar-se no portal de energia que a Rússia planeja criar na fronteira entre Turquia e Grécia.

A parte surpreendente é que a Turquia está firmando uma parceria com a Rússia, apesar de todas as diferenças entre os dois países na questão da Síria. Claramente, a Turquia já afirmara política externa independente, ao recusar-se a adotar as sanções ocidentais contra a Rússia. Moscou gostou de ver que, sob o governo do primeiro-ministro Recep Erdogan, a Turquia optara por política externa nacionalista autônoma, e pela emancipação frente aos EUA.

Claro que o entendimento estratégico entre turcos e russos tem vastas implicações para a política regional. Washington não gostou do que está acontecendo, como o comprova esse comentário sardônico na RFERL.

O fim do Ramo Sul comprova, mais uma vez, que Putin está decidido a diversificar os mercados para exportação da energia russa. Os mercados asiáticos tornaram-se agora alta prioridade para as exportações russas de energia.

A Índia deve extrair disso tudo as necessárias conclusões e explorar seriamente as possibilidades de, como está fazendo a China, também se beneficiar do atual 'pivô para a Ásia', mas dos russos. Putin estará em Nova Delhi dia 11 de dezembro: é excelente oportunidade para fazer um salto quântico energético, na cooperação entre os dois países. *****

 

2/12/2014, MK Bhadrakumar, Indian Punchline
http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2014/12/02/putin-pulls-when-obama-pushes/

 


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