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Caças israelenses ainda sobrevoam o Líbano

06.11.2006
 
Caças israelenses ainda sobrevoam o Líbano

Por Gustavo Barreto - gustavo@fazendomedia.com

Caças israelenses sobrevoaram o Líbano na segunda-feira (23/10), apesar dos apelos da ministra da Defesa francesa, Michele Alliot-Marie, e da resolução 1701 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para que Israel pare de violar o espaço aéreo de seu vizinho. Os aviões passaram pela maior parte do sul do Líbano e moradores viram as aeronaves em vôos baixos sobre a capital Beirute, informou a agência de notícias Reuters.

Jatos israelenses têm voado rotineiramente sobre o Líbano desde o fim oficial da guerra de 34 dias entre o país e o grupo Hezbollah, em 14 de agosto. O conflito terminou com uma trégua intermediada pela ONU e a expansão de uma força de paz do órgão, que inclui um contingente francês. Segundo informes da Anistia Internacional, após o dia 14 de agosto tanto o governo de Israel quanto o Hezbollah continuaram efetuando ataques indiscriminados e desproporcionados contra civis, entre eles bombardeios de infra-estrutura civil feitos pelas forças israelenses em todo o Líbano.

O governo libanês e a ONU dizem que os sobrevôos desta segunda-feira violam a trégua e também os termos da retirada anterior de Israel, que deixou oficialmente o sul do Líbano em 2000. No domingo, Israel afirmou que os aviões de combate continuarão a sobrevoar o sul do Líbano "para garantir que armas não sejam contrabandeadas à região a partir da Síria". Michele Alliot-Marie classificou na sexta-feira (20/10), na ONU, as violações do espaço aéreo libanês como "extremamente perigosas" e disse que elas deveriam acabar imediatamente.

Desconhecimento ou arrogância


Amir Peretz, ministro da Defesa de Israel, afirmou neste domingo (22/10) que o governo libanês está falhando em atender a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. Peretz chegou a afirmar que "a força de paz que a ONU deslocou para a região" tem o objetivo de atuar "contra o Hezbollah, não contra Israel". Segundo ele, "a segurança de Israel é o objetivo mais importante".

A força de paz a qual se refere Peretz foi criada, na verdade, em 1978 para confirmar a retirada de Israel da região. O Conselho de Segurança reforçou atribuições do grupo avançado da ONU, atribuindo, entre outras coisas, o monitoramento do fim das hostilidades. Também daria suporte às forças armadas no Líbano na região.

Apesar de exigir a segurança de Israel por parte da ONU, o próprio governo não parece preocupado com a segurança da Organização. No dia 27 de julho, bombardeios aéreos e da artilharia israelenses reduziram a escombros um posto de observação militar da ONU em Khian, matando todos os quatro ocupantes. O então Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, revelou que, durante um único dia, o posto foi atacado por tropas israelenses 14 vezes.

Annan declarou ainda que "reiterados chamados a Israel por parte da Força de Paz da ONU no Líbano e da sede principal em Nova Iorque não conseguiram evitar os ataques". O primeiro ministro israelense Ehud Olmert pediu desculpas públicas a Annan, mas insistiu que os 14 ataques em um único dia à base da ONU foram "um acidente".

Saldo do terror de Estado


No primeiro mês do conflito de julho/agosto de 2006, cerca de um milhão de pessoas - um quarto da população do Líbano - foram obrigadas a abandonar seus lares. Segundo a Anistia Internacional, centenas de milhares ainda não têm para onde regressar, pois o que resta de seus lares é um monte de escombros. As investigações feitas pela Anistia indicam que as forças israelenses mataram centenas de civis em ataques de destruição em massa contra zonas residenciais. Outros morreram em ataques contra veículos quando os habitantes das localidades do sul do Líbano abandonavam seus lares seguindo as indicações do exército israelense.

Segundo a rede árabe Al Jazeera, os conflitos de julho/agosto deixaram mais de 1.200 mortos entre os libaneses, a maior parte civis, e mais de 160 israelenses, a maior parte militares. Israel intervém no sul do Líbano desde as guerras árabe-israelenses em 1948 e 1967, quando milhares de palestinos se refugiaram na região.

Gustavo BARRETO

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