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Putin à Ucrânia: Não morda a mão que a alimenta

06.10.2008
 
Putin à Ucrânia: Não morda a mão que a alimenta

A Primeira-Ministra da Ucrânia, Yulia Tymoshenko, manteve negociações com seu colega russo Vladimir Putin em 2 de outubro. Tymoshenko chegou a Moscou para discutir a questão do preço do gás natural, que a Ucrânia compra da Rússia.

Especialistas dizem que Tymoshenko poderá levar vantagem em relação a seus rivais políticos na Ucrânia no caso de o problema ser resolvido positivamente por Kiev.

A viagem de Tymoshenko a Moscou foi quase uma aventura. O vôo dela a bordo do jato presidencial foi cancelado pouco antes da partida. Diz-se que o Presidente Yushchenko teria precisado usar o avião para um vôo até Lvov. Em decorrência, Tymoshenko teve que embarcar num vôo fretado. Porta-vozes da primeira-ministra ucraniana em Kiev disseram que o incidente com o avião havia sido tramado pelas bases de Yushchenko.

Putin lembrou Tymoshenko, durante o encontro deles na região de Moscou, que a Ucrânia estava fazendo embarques de armas para a Geórgia.

"É lamentável a Ucrânia ter considerado a possibilidade de enviar armas para a zona de conflito," disse Putin, de acordo com a Interfax. "Não poderia haver maior crime cometido contra o povo da Ucrânia e da Rússia do que fazer embarques de armas para a zona de conflito," acrescentou ele, depois das conversações.

"Seria impossível imaginar, há vários anos, que russos e ucranianos estariam lutando uns contra os outros," disse Putin. O primeiro-ministro enfatizou que os embarques em si não eram tão significativos, na medida em que assunto comercial. "Mas havia sistemas militares e pessoas voltados para matar soldados - matar russos, o que é um sinal de alarme para nós", declarou Putin.

"Foi isso feito em benefício dos interesses da nação ucraniana? Quais são os interesses do povo ucraniano a esse respeito? Há uma intriga política, um crime irresponsável e nocivo, o crime, quando as nações russa e ucraniana entram em conflito," disse Putin.

Yulia Tymoshenko não foi tão enfática em suas observações. Ela declarou que todas as acusações precisariam primeiro ser provadas. "Não acredito que esses fatos venham a ser confirmados," disse ela.

Vladimir Putin enfatizou que a situação política instável na Ucrânia poderá finalmente colocar em questão a eficácia dos acordos assinados entre Moscou e Kiev. "Espero, porém, que eles não venham a ser revistos," acrescentou.

"Infelizmente, nossa reunião está tendo lugar em condições muito complicadas. É conexa com a incerteza das decisões relacionadas com a situação política na Ucrânia. Uma pergunta se faz presente em conexão com os acordos que estamos discutindo hoje - o que acontecerá a eles amanhã?" disse Putin a Tymoshenko.

Tymoshenko declarou que a Ucrânia considera a Rússia absoluta parceira estratégica.

O uso da força pela Rússia na Geórgia aumentou o nervosismo entre muitos ucranianos em relação a sua vizinha maior, cujos líderes estão-se opondo veementemente aos esforços de Yushchenko para inscrever a Ucrânia na OTAN. O Kremlin advertiu a OTAN quanto a conceder a condição de membro à Ucrânia ou à Geórgia.

Moscow poderia usar o preço de seu gás natural como moeda de barganha em seu esforço de conter o fortalecimento de laços da Ucrânia com o Ocidente. .

O memorando de cooperação de gás assinado na quinta-feira deixa amplo espaço para discussão de preços nos contratos concretos. Tymoshenko entretanto disse que obteve da Rússia o compromisso de os preços subirem apenas gradualmente.

"As partes confirmaram seu desejo de movimentarem-se gradualmente para preços de livre mercado no decorrer dos próximos três anos," disse Tymoshenko. "Chegamos a um acordo de que nossos países não precisam de terapia de choque."

As negociações com Putin são uma espécie de reviravolta para Tymoshenko, que no passado criticava fortemente a Rússia.

Ela se aliou com Yushchenko durante a Revolução Laranja que o levou à presidência em 2004 vencendo um candidato pró-Rússia, e ela disse, no ano passado, que o Ocidente deveria conter a ambição de Moscou de recuperar influência sobre países que no passado formavam parte de seu império.

Entretanto, Yushchenko e Tymoshenko têm-se digladiado asperamente — a coalizão governante de seus partidos políticos entrou em colapso no mês passado, suscitando a perspectiva de novas eleições — e ela tem falado cada vez mais a respeito da necessidade de melhorar as relações com a Rússia.

Tradução Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme
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