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Tchutchuca e a Guerra Híbrida

06.04.2019
 
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Tchutchuca e a Guerra Híbrida

 

Na juventude me encantei com o dramaturgo romeno Eugene Ionesco (1909-1994) e seu teatro do absurdo. Ele descreveu o tragicômico da nossa existência, com humor, em um clima obsessivo e crítico das convenções sociais.

Ao assistir a reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), da Câmara dos Deputados, com o Posto Ipiranga do candidato Jair Bolsonaro, hoje  o ministro da Economia, Paulo Guedes, veio-me a mente o teatro de Ionesco, mas, lamentavelmente, numa encenação da guerra híbrida que se instalou entre nós.

O Wikipédia define guerra híbrida como "uma estratégia militar que mescla táticas de guerra política, guerra convencional, guerra irregular, e ciberguerra com outro métodos de influência, tais como fake news, diplomacia, lawfare e intervenção eleitoral externa". Ou seja, guerra híbrida pode ser inclusive uma encenação de parlamentares e membros do executivo contra o povo brasileiro.

Vamos entender, passo a passo, o que está acontecendo no Brasil, desde a eleição da candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff.

Meus caros leitores já sabem que o poder mundial de hoje não está na nação poderosa - os Estados Unidos da América (EUA) - nem na República Popular da China e, menos ainda, nas ideologias do século XX. O poder atualmente está no sistema financeiro internacional, que denomino banca, que leva a guerra, a corrupção, a morte pelo mundo a fim de obter o maior ganho financeiro de todas as atividades econômicas.

O objetivo maior da banca é um mundo sem Estados, sem leis que não sejam as que imponha, onde apenas o lucro financeiro e a concentração de renda sejam perseguidos. A guerra híbrida produz a confusão de vaca não conhecer o bezerro, de eleitor votar em quem vai desempregá-lo e tirar toda assistência pública dele e de seus filhos.

O motivo da reunião na CCJC seria discutir o projeto encaminhado pelo Executivo para a "reforma" da previdência, que imitando a competente auditora Maria Lucia Fattorelli, com precisão semântica, chamarei "contrarreforma" da previdência.

Não repetirei o que outros mais competentes já demonstraram à saciedade, inteiramente: não há déficit previdenciário e se o poder executivo cobrar as dívidas previdenciárias das empresas e órgãos públicos sobrará muito mais recurso.

O trilhão, que o ministro Guedes tanto deseja, seria obtido num único ato presidencial revogando o presente de Michel Temer para as empresas estrangeiras de petróleo, sem qualquer vantagem para as finanças nem para o povo brasileiros.

Como é óbvio, o Posto Ipiranga estava sendo massacrado pela proposta inaceitável por quem tenha um compromisso mínimo com a "justiça" e a "cidadania", além de respeito aos "princípios constitucionais", esteja nos apoiadores do governo (calados) ou nas oposições (aproveitando seu raro momento).

Assim, o desfecho da reunião não seria bom para o governo nem para o ministro. O melhor seria criar um caos que encerrasse a sessão e desse tema diverso do que era tratado - inteiramente impopular - para os noticiários dos propagadores de alienação e fake news: os canais de televisão.

Quem se apresentou para isso foi um jovem, filho de petista de alta representatividade, com pedigree de primeira linha. Numa alusão ao comportamento de Jano do expositor, deu motivo para o encerramento e os noticiários e comentários dos amestrados jornalistas.

Mas não podemos concluir este artigo sem considerações sobre esta contrarreforma e suas consequências.

O Brasil - e não é surpresa para ninguém - é dos que apresenta maior desigualdade de renda em sua população. Se não fosse a competente pedagogia colonial, viveríamos em constantes levantes populares e insurreições de diversos grupos sociais. Há uma rica classe, majoritariamente ligada à exportação de produtos primários e às especulações financeiras, que não chega a 1%. Uma classe média, acima da renda mensal de três salários mínimos, que seguindo o sociólogo Jessé Souza, fica abaixo de 20% da população e os 80% ou 85% de pobres e totalmente desvalidos. Estes últimos são os mais atingidos pela contrarreforma em questão.

Também serão atingidas mais de mil prefeituras, que vivem fundamentalmente das aposentadorias e pensões rurais (criadas pelos Presidentes Médici e Geisel), que significam para estes municípios mais do que suas cotas constitucionais de aportes da União.

Já vimos que a banca quer o fim do Estado Brasileiro (como do argentino, do francês e todos demais). Ora, uma guerra em nossa Pátria aceleraria esta conquista do sistema financeiro. Melhor ainda, uma guerra civil que transformasse, por exemplo, a riquíssima região amazônica, na Amazonian Division do City Group, a região sudeste, do pré-sal, na Brazilian Southeast Division do JP Morgan Chase, o centro-oeste, com a tríplice fronteira e a possível dominação do tráfico de drogas, seria entregue ao banco inglês fundado para a dominação da China pelo uso do ópio, o HongKong and Shangai Bank Co. - HSBC, que, como os demais, criaria sua Division brasileira, e assim estariam estraçalhando o Brasil.

Para isso a presidente Dilma já deu o primeiro passo com a lei contra o terrorismo, a 007, a licença para matar líderes de movimentos sociais, que o Sergio Moro quer ampliar na "luta contra a corrupção". É sempre bom lembrar que o maior ladrão - no caso a banca - sempre sai berrando "pega ladrão". E fica livre!

As Forças Armadas que só existem se existir um País deveriam prestar um pouco mais de atenção nesta guerra híbrida e nas consequências da contrarreforma da previdência para sua própria existência e de seus filhos que queiram seguir os passos dos pais.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Por dan m, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=13167525

 


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