Pravda.ru

Mundo

Depressão mundial: As guerras regionais e o declínio do império dos EUA

06.04.2009
 
Pages: 1234567
Depressão mundial: As guerras regionais e o declínio do império dos EUA

Todos os ídolos do capitalismo ao longo das últimas três décadas estraçalharam-se. As suposições, presunções, paradigmas e prognósticos de progresso indefinido sob o capitalismo liberal do mercado livre foram testados e fracassaram. Estamos a viver o fim de toda uma época: Peritos por toda a parte testemunham o colapso dos EUA e do sistema financeiro mundial, a ausência de crédito para comércio e a falta de financiamento par investimento.

 Uma depressão mundial, na qual mais de um quarto da força de trabalho do mundo estará desempregada, está a assomar. O maior declínio no comércio da história recente do mundo – baixa de 40% de um ano para outro – define o futuro. As bancarrotas das maiores companhias manufatureira do mundo capitalista assombram os líderes políticos ocidentais. O "mercado" como mecanismo para distribuir recursos e o governo dos EUA como o "líder" da economia global foram desacreditados. ( Financial Times, 09/Março/2009)

 Todas as suposições acerca da "auto-estabilização dos mercados" são demonstravelmente falsas e obsoletas. A rejeição da intervenção pública no mercado e a advocacia da teoria economia da oferta (supply-side economics) ficaram desacreditadas mesmo aos olhos dos seus praticantes. Mesmo círculos oficiais reconhecem que a "desigualdade do rendimento" contribuiu para o início do crash econômico e deveria ser corrigido. Planejamento, propriedade pública, nacionalização estão na agenda, enquanto as alternativas socialistas tornaram-se quase respeitáveis.


Com o início da depressão, todos os slogans da última década são descartados. Quando estratégias de crescimento orientadas para a exportação fracassam, as políticas de substituição de importação emergem. Quando o mundo "desglobaliza-se" e o capital é "repatriado" para salvar sedes de empresas próximas da bancarrota é proposta a propriedade nacional. Quando milhões de milhões de dólares/euros/yens em ativos são destruídos e desvalorizados, despedimentos maciços estendem o desemprego por toda a parte. Medo, ansiedade e incerteza andam sorrateiros nos gabinetes do Estado, nas direcções financeiras, nas fábricas e nas ruas...

Entramos num tempo de reviravolta, quando os fundamentos da ordem política e econômica mundial são profundamente fraturados, ao ponto de que ninguém pode imaginar qualquer restauração da ordem político-econômica do passado recente. O futuro promete caos econômico, levantamentos políticos e empobrecimento em massa. Mais uma vez, o espectro do socialismo paira sobre as ruínas dos antigos gigantes da finança. Quando o mercado livre do capital entra em colapso, os seus advogados ideológicos saltam do navio, abandonam a sua linha e os seus versículos acerca das virtudes do mercado e cantam um novo coro: o Estado como Salvador do Sistema – uma proposição dúbia cujo único resultado será prolongar a pilhagem do tesouro público e prolongar a agonia mortal do capitalismo tal como o conhecemos.

Teoria da crise do capital: A morte do perito econômico

As fracassadas políticas econômicas de líderes políticos e econômicos estão enraizadas na operação de mercados – o capitalismo. Para evitar uma critica ao sistema capitalista, há escritores que estão a culpar os líderes e peritos financeiros devido à sua incompetência, "cobiça" e defeitos individuais.

Psicologismo barato substituiu a análise racional de estruturas, forças materiais e realidade objetiva, os quais conduzem, motivam e proporcionam incentivos a investidores, decisores políticos e banqueiros. Quando as economias capitalistas entram em colapso, os deuses enlouquecem os políticos e os redatores de editoriais, privando-os de qualquer capacidade para raciocinar acerca de processos objetivos e lançando-os em vastas especulações subjetivas.

Ao invés de examinar as estruturas de oportunidade criadas pelos enorme excedente de capital e as margens de lucro reais existentes, as quais levam os capitalistas à atividade financeira, dizem-nos que houve "falha de liderança". Ao invés de examinar o poder e a influência da classe capitalista sobre o Estado, em particular na seleção de decisores de política econômica e reguladores que maximizariam os seus lucros, dizem-nos que houve "falta de entendimento" ou "deliberada ignorância do que os mercados precisam". Ao invés de olhar para as classes sociais reais e relações de classe – especificamente as classes capitalistas historicamente existentes que operam nos mercados reais existentes – os psicólogos baratos postulam um "mercado" abstrato povoado por imaginários capitalistas ("racionais"). Ao invés de examinar como lucros em ascensão, mercados em expansão, crédito barato, trabalho dócil e controle sobre as políticas do Estado e do orçamento criam "confiança do investidor" e a sua ausência destrói "confiança", os psico-tagarelas afirmam que a "perda de confiança" é uma causa da derrocada econômica. O problema objetivo da perda de condições específicas, as quais produzem lucros, como condutor da crise é transformado na "percepção" desta perda.

Pages: 1234567

Loading. Please wait...

Fotos popular