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Esquivel alerta que política de direitos humanos é perigosa na AL

05.12.2013
 
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Esquivel alerta que política de direitos humanos é perigosa na AL

A revista "Outro Viento" visitou, recentemente, as instalações do Serviço de Paz e Justiça (Serpaj) para entrevistar o presidente do Conselho Honorário da entidade na América Latina e Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel.

Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel
A revista "Outro Viento" visitou, recentemente, as instalações do Serviço de Paz e Justiça (Serpaj) para entrevistar o presidente do Conselho Honorário da entidade na América Latina e Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel.


Para ele, a política de direitos humanos na América Latina é difícil e perigosa, já que, por um lado, ainda há países em que se encontra uma forte perseguição àqueles que defendem os direitos humanos, como México, Honduras, Colômbia e Paraguai. "Em Honduras, há mais de 100 jornalistas mortos, muitos estão exilados e outros tantos presos, tudo por defender  a liberdade de informação".


Na entrevista aos jornalistas Pablo Frías Aramis Lascano, Esquivel observou que o exemplo mais grave é o da Colômbia, que tem mais de 50 anos de conflito armado, envolvendo basicamente as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o governo. "Há outros grupos, como os 'parapoliciais', 'paramilitares' e o exército dos Estados Unidos". Segundo ele, nesse país, há mais de 6 milhões de pessoas desalojadas, de quem foram tiradas as terras para entregá-las a empresas multinacionais, que não vêm para promover políticas de desenvolvimento, mas de exploração. "Eles vem para saquear tudo o que podem. Aqui na Argentina, no Chile, ou em qualquer país latino-americano".


Os governos, mesmo os ditos mais populistas, estão fazendo acordos secretos com multinacionais, como a Monsanto, que, segundo Esquivel, foi expulsa de diversos países do mundo, mas que "o governo argentino trata como heróis".


Além das expropriações de terras, essas grandes empresas trazem outro grande problema: a exploração ambiental. Casos como as plantações de soja, que causam a desertificação do solo, e das plantações de pinho e eucalipto, que consomem muita água. "Os pinhos e os eucaliptos, quando são árvores adultas, passando dos 15 anos, absorvem entre 60 e 70 litros de água por dia. Quando se corta uma dessas árvores e a leva num caminhão, há de se calcular o quanto de água também está sendo levado. Multiplique essa quantidade de litros por 365 dias, por 15 ou 20 anos. E eu estou falando de apenas uma árvore. Então, quando passamos por quilômetros de hectares dessas plantações, percebemos o absurdo de água que é gasta", assinalou.


O Nobel também relatou que há vários países no mundo que sofrem com a falta de água, 32 deles já quase não dispõem mais. Falta água para as coisas mais básicas. Além disso, essa água ainda é utilizada de outras formas mais preocupantes, como é o caso do "Fracking". Esta é uma técnica para se extrair gases naturais de rochas profundas, injetando água a fortes pressões para causar rachaduras nessas rochas e liberar os gases. "Há alguns anos, meu amigo Fidel ([Fidel Castro, ex-presidente cubano] me disse: 'tenham cuidado com o fracking', eu nem sabia o que era isso, e ele me explicou". Essas perfurações, se mal feitas, podem contaminar os lençóis freáticos e prejudicar muita gente, pois esses gases causam diversas doenças, como o câncer.


O argentino Adolfo Pérez Esquivel iniciou, nos anos 1970, um trabalho com organizações e movimentos dos direitos humanos na América Latina. Posteriormente, participou dos movimentos de não-violência e, em 1973, publicou o periódico Paz e Justiça para difundir essa filosofia. Em 1980, recebeu o prêmio Nobel da Paz por seu compromisso com a democracia e os direitos humanos por meios pacíficos frente às ditaduras militares na América Latina.
 
Fonte: Adital
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=587fd75693a16aa08e0ede3071a634aa&cod=12863


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