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Uma mudança para o melhor

05.11.2008
 
Uma mudança para o melhor

Só mesmo Satanás teria sido uma pior escolha do que uma continuação do regime de George W. Bush, e felizmente, nenhum dos dois cenários se realizou. Depois de oito anos de divórcio entre os corações e mentes da comunidade internacional e o povo norte-americano que teimou em eleger por duas vezes (se acreditarmos na veracidade do processo eleitoral nos EUA) um Governo que horrorizou o resto do mundo, com tácticas de choque e pavor que incluiu campos de concentração, câmaras de tortura, massacres e um absoluto desrespeito pela lei internacional, na escolha de Obama, o povo norte-americano optou por regressar à comunidade internacional. Bem-vindos de volta, amigos!

Barack Obama é um homem que tem uma missão e um sonho. Ele pode não mudar o mundo, como ele afirma, e ele pode até não mudar os E.U.A., num futuro próximo, pelo menos. Poderosos lobbies puxam as cordas que controlam as marionetas, em Washington - na verdade, não é Washington que precisa ser mudado, mas os barões invisíveis que ditam as suas políticas.

No entanto, Obama (embora que seu companheiro de corrida, Biden, representa o Establishment e é Sionista) é uma lufada de ar fresco e o significado da sua eleição ontem não pode ser sobre-estimado.

Em primeiro lugar, o povo norte-americano virou definitivamente contra o regime odioso e assassino de Bush e seus amigos, um bando de criminosos de guerra que competem para um lugar no livro de história ao lado dos Nazis da Alemanha Fascista - Himmler e Rumsfeld, os torturadores; Goebbels e Rice, as máquinas de propaganda; Hitler e Bush/Cheney, os führers.

Em segundo lugar, o povo norte-americano, na escolha de Barack Obama, deu uma mensagem clara à comunidade internacional que agora quer tomar uma posição a favor do diálogo e discussão, debate e respeito pela lei, os preceitos referidos pelo Presidente-eleito na sua política externa.

Aqueles de nós na comunidade internacional que prevíamos há oito longos anos o que aconteceria se Bush fosse eleito devemos fazer duas coisas - nunca esquecer os danos causados por George W. Bush e suas legiões do Mal e certificarmos que, tal como as gerações depois de Hitler, a história não perdoa esses criminosos, que vão agora representar um papel de vítimas, dizendo que eram bem intencionados mas viviam em tempos difíceis; também, temos de dar ao Barack Obama uma página em branco para ele escrever, e passar-lhe uma caneta com um sorriso sincero e aberto.

Bem-vindo de volta, cidadãos dos Estados Unidos, bem-vindos de volta para o seio da comunidade internacional, onde vão encontrar amigos e não inimigos, onde vocês verão que todos nós preferimos sorrir e não chorar e quando choramos, as nossas lágrimas têm sabor a sal, como vocês, seja qual for a nossa cor, credo ou raça.

Em terceiro lugar, o povo dos Estados Unidos da América submeteu-se a um longo processo eleitoral e sem se tornar obcecado com a cor da pele das pessoas. Os fantasmas dos últimos anos foram exorcizados. Que belo ver uma sociedade que conseguiu reunir, ainda ontem, como uma família grande de irmãos e irmãs quando há tão pouco tempo assistimos com profunda tristeza à segregação nos autocarros e nas escolas e com horror, o KKK a desempenhar seus actos demoníacos de Maldade pura. Os racistas na sociedade norte-americana foram silenciados e relegados à insignificância de vez. Têm tanta credibilidade como aquela gente que passa o Verão a bronzear-se e o Inverno a queixar-se da gente com pele escura*.

O novo presidente irá aprender muito em breve que o resto do mundo não quer o escudo anti-mísseis na Europa Oriental, não quer tropas dos E.U.A. no Iraque, não quer uma continuação deste bloqueio desumano contra a Cuba, não quer uma política estrangeira hipócrita e russofóbica, não quer que a E.U.A. tente “mudar” o mundo - o Presidente foi eleito pelo seu povo para governar os EUA, ponto final.

O resto do mundo tem de ser tratado com o devido respeito, numa base de igualdade e fraternidade e não com a derisão com que trata o mestre seu escravo. Temos de tratarmos como irmãos, porque é isso que somos, uma comunidade de amigos a vivermos nas margens do nosso lago comum, o mar.

Obama é inteligente, articulado e aparentemente abençoado com a humildade denotando a aura de um grande homem. Por isso ele sabe o significado da palavra Realpolitik e as suas consequências. Congratulamos Barack Obama e o povo dos Estados Unidos, recebamo-los de volta para a comunidade internacional com os braços abertos. Vamos juntos construir pontes, respeitando as nossas respectivas culturas. E desta vez, vamos iniciar, juntos, o Terceiro Milénio.

*Ideia expressa pelo meu amigo João Craveirinha, artista plástico, autor, poeta, dramaturgo, jornalista e académico, de Moçambique.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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