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Uribe, Evo e a Segurança Democrática

05.02.2007
 
Uribe, Evo e a Segurança Democrática

Fanfarroneou o cachorro de Washington, o que se crê porta-estandarte da recolonização neoliberal do continente e das Antilhas. Com sua bravata de sempre, respondeu Uribe ao comentário de Evo Morales sobre a Colômbia na Cúpula do MERCOSUL.

Por Iván Marquez*

Fanfarroneou o cachorro de Washington, o que se crê porta-estandarte da recolonização neoliberal do continente e das Antilhas. Com sua bravata de sempre, respondeu Uribe ao comentário de Evo Morales sobre a Colômbia na Cúpula do MERCOSUL.

O primeiro Presidente indígena na história republicana havia falado com sua singela verdade no Rio de Janeiro: "Colômbia investiu milhões e milhões em projetos contra o narcotráfico e está com déficit comercial e fiscal".

Acaso não é certo?

Ninguém pode negar que Evo tem razão quando reafirma que Venezuela, Cuba e Argentina registram o maior crescimento econômico destas latitudes... E que são países que vivem com dignidade e soberania. E que são antiimperialistas... e anti-neoliberais.

A resposta desaforada de Uribe só tem de positivo que desnuda ante o mundo o modelo de presidente que tem a Colômbia.

"Isso não o dizem nossos críticos, senhor Morales", vociferou raivoso o führer da Colômbia. "A Segurança Democrática é muito diferente do velho conceito da Segurança Nacional para sustentar ditaduras". "Colômbia investiu contra o narcotráfico e a favor da Segurança Democrática, porém tem sido maior nossa inversão social". Com razão, o interpelou Chávez, fazendo-o notar que se havia superdimensionado.

E não só se superdimensionou; também mentiu, porque a Segurança Democrática que hoje se aplica na Colômbia é a versão atualizada da tristemente célebre Doutrina de Segurança Nacional impulsionada pelos gringos em décadas anteriores.

Agora busca garantir segurança às inversões das transnacionais e castigar com leis draconianas, e com o que seja, o inconformismo social. O vazio social da Colômbia é de proporções. O orçamento foi tragado pela guerra. A inversão social é zero. Apostaram na derrota militar da guerrilha com o Plano Patriota, e hoje temem a explosão social com a existência de um movimento insurgente bolivariano, como as FARC.

"Uma coisa é enobrecer uma luta ilegal para derrocar uma ditadura - diz o presidente paramilitar - e outra muito diferente assinalar como terrorista uma luta ignóbil financiada no narcotráfico". Sepulcro caiado por fora, porém apodrecido por dentro, como diria Jesus, o Nazareno.

O que intenta o desavergonhado Uribe é evadir com frasezinhas e sofismas a avalanche de provas e evidências de que seu governo é um governo narco-paramilitar, que o Palácio de Nariño e o Congresso da República foram tomados por assalto por uma máfia genocida, suja de cocaína, de sangue e motosserra, de fraudes, e das piores injustiças.

E o corrobora ante a Fiscalização o próprio Salvatore Mancuso, chefe narco-paramilitar. Obrigaram o povo a votar pelo uribismo em todas as eleições. Financiaram sua campanha. Fizeram fraudes. Massacraram gente desarmada. Deslocaram a milhões de compatriotas. Roubaram o orçamento. Pagaram subornos de milhares de milhões de pesos mensais ao exército e à polícia. Tudo sob a mirada complacente e cúmplice do senhor Uribe. Agora crêem que podem lavar-se as mãos acusando a um Coronel de nexos com o paramilitarismo quando a responsabilidade é do Estado e de seus mais altos dignatários.

Sepulcros caiados por fora...

Essa imagem recente do Presidente Uribe em Costa Rica, acompanhado pela ministra de Relações Exteriores - cota do narco-paramilitar Jorge 40 no gabinete -, dirigindo às FARC o qualificativo de "sicários da democracia", é o mais patético que se pode ver por sua reconcentrada dose de cinismo.

Quer envenenar com o glifosato da corporação Monsanto a Amazônia de Nossa América e pretende que o Presidente Correa e o povo do Equador fiquem calados quando fumiga com o letal veneno as selvas fronteiriças e as águas do rio San Miguel.

A Evo disse, sem nenhum rubor, que 33% de todas as hectares da Colômbia havia dado às comunidades indígenas, quando o único que lhes tem dado é chumbo.

Uribe é um neoliberal; ninguém o pode negar. Evo, o aymara, com o decoro que não tem o senhor que governa a Colômbia, está desprivatizando o que pertence ao povo da Bolívia e que havia sido presenteado às transnacionais.

Se rechaçou Uribe na cúpula do Brasil a união dos países num "molde único", é porque seu molde é o da recolonização neoliberal de Wall Street.

Hoje, nossos povos têm alternativas e exemplos que antes não tinham. O mapa político de Nossa América está mudando. Hoje, tremulam no alto as bandeiras de Bolívar e de nossos próceres da justiça e da independência. O Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, que se ampliou na clandestinidade, espera abraçar-se muito pronto com as lutas dos povos, para que nesta esquina estratégica do norte da América do Sul ressurja a Grande Colômbia de Bolívar, passo inicial para a Pátria Grande, Socialista, que haverá de cobrir-nos a todos com o honroso título de Cidadãos de Nossa América.

Esta é uma luta justa e nobre, senhor Uribe.

*Integrante do Secretariado das FARC-EP

Montanhas de Colômbia, janeiro de 2007


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