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“EUA querem separar Kosovo para concentrar armas contra Rússia”

04.09.2007
 
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“EUA querem separar Kosovo para concentrar armas contra Rússia”

O general Leonid Ivashov, ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, afirmou no sábado, 1º de setembro, que “a questão do Kosovo é atualmente o mais importante ponto da batalha por uma ordem mundial justa”.

Uma ordem mundial que prime “pela preservação do Estado Nacional como base no desenvolvimento das relações internacionais e para as perspectivas dos povos de manterem suas identidades nacionais, sejam elas russas, sérvias, alemãs ou francesas”.

Ivashov denunciou que “o atual movimento separatista pró-americano em Kosovo visa garantir uma ainda maior concentração de forças militares norte-americanas na região, que já possui contingentes armados na Bósnia-Herzego-vina e na Bulgária, sem contar a inclusão de elementos do sistema anti-mísseis na Polônia e na República Tcheca” que compõem o quadro de ameaça ao Estado russo e que “objetiva garantir para si o controle do transporte de hidrocarbonetos”.

Segundo o general Ivashov - que atualmente ocupa a vice-presidência da Academia Russa de Questões Geopolíticas e de Segurança -“o que querem os EUA é a humilhação dos sérvios diante do mundo inteiro e o estabelecimento de um regime pró-americano na Sérvia e um facista-albanês no Kosovo”.

ESTADO GANGSTER

“A construção de um Estado gangster com base no Kosovo vai de encontro aos interesses da oligarquia mundial que tenta consolidar o poder do dinheiro e do crime organizado mundialmente. Os principais atores no Kosovo incluem o capital financeiro internacional, que está usando os Estados Unidos como aríete, e a Europa e Otan como braço militar”, complementa Ivashov, que também é membro da iniciativa “Eixo pela Paz”, movimento intelectual que reúne cerca de 150 líderes de 37 países para contrapor-se à agressão imperialista.

“A queda da União Soviética da arena política global foi considerada uma vitória do Ocidente, e os ‘valores ocidentais’ foram proclamados universais para todas as nações, Estados e civilizações. Por conseqüência, acham que não pode haver nenhuma diversidade de tradições, de fé, modelos de desenvolvimentos socio-econômicos de inter-relação entre o Estado e a sociedade. Tudo aqui, na visão deles, é plano e uniforme e todos obedecem ao poder do dinheiro. Os sérvios que mantém seu senso de orgulho nacional recusam-se a viver nesse gueto, sem rosto e sem espírito. Assim como nós russos, eles recusam-se em tornar-se bio-robôs cujo único sonho é comida e prazer. Assim como nós, eles desejam ser seres humanos que preservam suas almas e as memórias de sua história”, disse Ivashov.

“Entretanto, os novos donos do mundo, oligarcas do império do capital globalizado, não estão dispostos a assistir nações desobedientes e Estados escolhendo modelos independentes de desenvolvimento. Por isso a Grande Iugoslávia foi lançada na guerra, quebrada em pedaços e jogada no controle dos oligarcas. Os líderes do movimento de resistência da Sérvia foram presos e levados sob custódia do ilegal Tribunal de Haia. Slobodan Milosevic foi assassinado e o genocídio contra os sérvios começou”, relembrou.

“Tudo isso aconteceu pelo fato de que nos anos 90 os sérvios transformaram-se em símbolo do espírito inquebrável e um exemplo de luta mantido pelos eslavos pela preservação de sua identidade nacional.

Todo um arsenal de técnicas e meios estão sendo usados na guerra para subjugar os sérvios, incluindo operações secretas de serviços especiais, lavagem cerebrais em massa da população, a criação e o financiamento de uma quinta coluna construindo sentimentos separatistas, a formação e o armamento de grupos gangsteres, o uso de sanções econômicas e isolamento político, encorajamento do tráfico de drogas, e finalmente, uma aberta agressão militar”.

“E essa tática continuou a ser seguida após a adoção da resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU. Paradoxalmente, ela foi votada com o objetivo de conquistar resultados totalmente opostos ao que foi praticado pelos agentes de paz e da missão da ONU. Eles fizeram o seu melhor para estimular o separatismo do Kosovo e da Metohia da Sérvia, tentando quebrar o elo de seu coração espiritual do corpo do povo sérvio”, afirmou ao denunciar a influência nociva da Casa Branca sobre a atuação dos agentes das Nações Unidas no Kosovo.

“Mas as coisas não aconteceram da forma que eles planejaram. As forças políticas da Sérvia (com exceção da quinta coluna representada pelos Liberais Democratas) se unem ao apoio à nação e rejeitam a capitulação e eles continuam sua luta”.

Ivashov exalta a atuação da política externa do governo Putin na questão: “A Rússia se mantém firme em sua recusa à traição como a que foi cometida no tempo do ex-premiê russo Viktor Chernomyrdin (que ocupou o cargo de primeiro-ministro russo de 1992 a 1998, anos em que a Iugoslávia perdeu dezenas de milhares de vida devido aos bombardeios da Otan). As tentativas norte-americanas de levar a questão do Kosovo para além da alçada do Conselho de Segurança da ONU, transferindo-a ao Grupo de Contrato Internacional, fracassou diante da firme posição do primeiro-ministro russo (Sergei Lavrov) que declarou que ‘a suspensão das atividades sobre o Kosovo no Conselho de Segurança da ONU não significa a remoção desse assunto das estruturas das Nações Unidas. A decisão final, assim como o status do Kosovo deve ser feito pelo Conselho de Segurança da ONU baseado nos acordos entre os sérvios e os kosovares’.”

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