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Lituânia: um novo parceiro para o Brasil

04.08.2008
 
Pages: 12
Lituânia: um novo parceiro para o Brasil

Por Luiz Machado (*)

Quando o presidente lituano Valdas Adamkus esteve no Brasil, dias atrás, proferiu uma palestra na FAAP, em São Paulo. Falou sobre as relações entre Brasil e Lituânia (que vêm desde o século XVII), sobre o período de ocupação da União Soviética no país e sobre o momento atual. O país alterou suas estruturas políticas e econômicas e cresce 8% ao ano. Adamkus também falou sobre o acordo assinado com o presidente Lula, para estreitar as relações entre os dois países.

"Quando visito países estrangeiros, procuro não apenas discutir assuntos políticos nos gabinetes das instituições
governamentais, mas também encontrar representantes das comunidades acadêmica e cultural, além dos jovens.
Acredito que nada pode ser mais favorável à aproximação de nossos dois países, situados em partes tão distantes do
mundo, do que a abertura de contatos pessoais diretos."
Valdas Adamkus


Uma das vantagens de estar vinculado a uma instituição de ensino há muito orientada para o processo de internacionalização reside no grande número de oportunidades de contato com personalidades ou instituições consagradas mundialmente. É, sem qualquer favor, o que ocorre com a FAAP, que oferece a seus diretores, professores e alunos amplas e variadas chances de travar tais tipos de relacionamento, seja por meio de participação em eventos no exterior, seja através da realização de inúmeras atividades no Brasil com a presença de convidados estrangeiros.

Assim é que em quase 30 anos (Ufa! Como o tempo passa) de vínculo com a FAAP, tive o privilégio de participar de muitos cursos, seminários, congressos e workshops em diversos países do exterior, além de ter tido a chance de ministrar palestras em países como África do Sul, Argentina, Colômbia,

Equador, Inglaterra, México e Portugal. Sem contar as possibilidades de ver e ouvir, no Brasil, nomes tão expressivos como os de George Bush e Bill Clinton (ex-presidentes dos Estados Unidos), Vaira Vike-Freiberga (presidente da Letônia), Raúl Alfonsin (ex-presidente da Argentina), Júlio Sanguineti (ex-presidente do Uruguai), Henry Kissinger (ex-secretário de Estado dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz), além de verdadeiros ícones do mundo da moda como Christian Lacroix, Pierre Cardin e Oscar de la Renta.

Dentro dessa tradição, no último dia 17 de julho, tive mais uma oportunidade dessa natureza, assistindo à palestra proferida pelo presidente da Lituânia, Valdas Adamkus, como parte das atividades de seu giro por alguns países da América do Sul.

Antes de me referir à palestra em si, não posso deixar de registrar uma série de paralelos entre esta palestra e a da presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, realizada em meados de 2007. Além dos dois países se situarem às margem do Mar Báltico e de terem amargado um longo período sob o domínio da União Soviética, os dois mandatários têm em comum o fato de terem vivido várias décadas longe de seus respectivos países durante a fase de dominação soviética.

Um pouco da vida de Valdas Adamkus

Nascido em Kaunas no dia 3 de novembro de 1926, Valdas Adamkus integrou, durante a Segunda Grande Guerra, o movimento de resistência pela independência da Lituânia. Em 1944, foi com seus pais para a Alemanha. Depois de completar seus estudos secundários no Ginásio Lituano local, ele estudou na Faculdade de Ciências Naturais da Universidade de Munique. Em 1949, emigrou com seus pais e irmãos para os Estados Unidos, fixando-se em Chicago, onde trabalhou inicialmente numa fábrica de auto-peças e depois como desenhista numa firma de engenharia. Casou-se em 1951 com Alma Natautaité, que o acompanhou em sua palestra na FAAP. Em 1960, formou-se em Engenharia Civil pelo Illinois Institute of Technology.

De 1958 em diante, Adamkus pertenceu a diversas entidades que reuniam imigrantes lituanos de orientação liberal e foi um ativo organizador de ações de protesto contra a ocupação da Lituânia.

Paralelamente a isso, Adamkus passou a trabalhar, nos Estados Unidos, na área de proteção ambiental, permanecendo nessa atividade de princípios da década de 70 até 1997. Com a experiência adquirida nessa atividade, deu assistência a instituições ambientais dos Países Bálticos, orientando-as na aquisição de literatura especializada, equipamentos e softwares necessários aos seus projetos.

Detentor de diversos títulos acadêmicos tanto em universidades da Lituânia como dos Estados Unidos, Valdas Ademkus recebeu uma carta de agradecimento do presidente Bill Clinton quando, em 1997, renunciou a seu cargo na administração da U. S. Protection Agency (EPA), a fim de retornar definitivamente a seu país.

Eleito presidente da República da Lituânia nas eleições realizadas a 4 de janeiro de 1998, Adamkus

tomou posse no dia 26 de fevereiro do mesmo ano para um mandato de cinco anos, ao longo do qual promoveu a idéia da rápida modernização da Lituânia e trabalhou consistentemente pela sua implementação.

Não conseguindo se reeleger nas eleições de 2002, vencidas por Rolandas Paksas, Adamkus permaneceu ativo nas questões de política interna e externa e ministrou palestras em conferências internacionais.

Em 2004, com o impeachment de Rolandas Paksas, Valdas Adamkus disputou novamente as eleições para a Presidência da República, sendo eleito no dia 27 de junho para um novo mandato de cinco anos.

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