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Pela Paz na Península da Coreia

04.05.2018
 
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Pela Paz na Península da Coreia

É com satisfação e expectativa que o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) acompanha os esforços, iniciativas e passos de aproximação entre a República Popular Democrática da Coreia e a República da Coreia, que teve nos acontecimentos do passado fim-de-semana um importante e significativo desenvolvimento.

A «Declaração de Panmunjom para a paz, a prosperidade e a unificação da Península da Coreia», celebrada entre os líderes dos dois países - respectivamente Kim Jong-Un e Moon Jae-in - afirma o início de uma «nova era de paz» e que «não haverá mais guerra na Península da Coreia», a qual é, desde há 70 anos, uma das regiões mais militarizadas do mundo. Entre as intenções apontadas pelos representantes máximos das duas partes da Península da Coreia está a sua total desnuclearização.

Estes desenvolvimentos dão razão aos que, como o CPPC, sempre defenderam que a única solução para o conflito da Península da Coreia será a negociada, no respeito da soberania do povo coreano, ou seja, sem ingerências externas. Assim se comprova que, como também o CPPC sempre afirmou, a salvaguarda da paz na Coreia necessita não de ameaças, sanções e medidas unilaterais contra uma das partes, mas de acções que promovam efectivamente o diálogo, a confiança mútua, o desanuviamento, a desmilitarização e a cooperação.

Valorizando estes esforços e passos promissores para o desanuviamento e a paz, o CPPC espera que estes não sejam boicotados, nomeadamente pelos EUA, como,aliás, já aconteceu em similares iniciativas no passado. Recorde-se que, desde meados do século passado, os EUA têm instalados poderosos meios militares na República da Coreia e mantêm múltiplas bases militares e esquadras navais na região da Ásia/Pacífico, nomeadamente no Japão.

O desanuviamento e desarmamento duradouros na Península da Coreia implicam que haja esforços de todas as partes com esse mesmo objectivo, incluindo o respeito pela soberania da República Popular Democrática da Coreia, como sucedeu nestas conversações.

Recorde-se que o conflito da Coreia remonta ao final da Segunda Guerra Mundial e à ocupação da zona a Sul do Paralelo 38 pelas forças armadas dos Estados Unidos da América, o que acabaria por se tornar permanente, em flagrante violação de acordos então firmados. O passo que se seguiu foi a guerra contra a República Popular Democrática da Coreia (1950-53), sobre a qual os EUA lançaram mais bombas do que contra o Japão, em toda a guerra do Pacífico. Milhões de coreanos morreram e importantes infra-estruturas foram destruídas. A capital, Pyongyang, ficou totalmente arrasada.

De então para cá, os EUA procuraram travar a celebração de um acordo de paz definitivo e de qualquer iniciativa visando a reunificação pacífica do país, ao mesmo tempo que instalaram poderosos contingentes militares e sofisticado armamento na República da Coreia, realizaram com regularidade provocatórias manobras militares, impuseram sanções e traçaram planos de ataque directo à República Popular Democrática da Coreia.

O povo coreano tem direito a decidir do seu destino sem ingerências externas.

Direcção Nacional do CPPC

 


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