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Chávez quer V Internacional

04.01.2010
 
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Chávez quer V Internacional

O chamado de Chávez a formar uma V Internacional e a atual situação mundial

Na reunião de partidos de esquerda e socialistas realizada em Caracas, na véspera do Congresso do PSUV, Chávez convocou a formação da V Internacional.

Num discurso intenso, recapitulando a história das internacionais, Chavez disse que "frente à crise capitalista e ameaça da guerra que põe em perigo o futuro da humanidade, chegou à hora de que convoquemos a Quinta Internacional, a unidade dos partidos de esquerda e revolucionários dispostos a lutar pelo socialismo".(..) "como uma instancia dos partidos e correntes socialistas e movimentos sociais do mundo para harmonizar uma estratégia comum para a luta antiimperialista, a superação do capitalismo pelo socialismo"..

Nesta reunião de caráter antiimperialista, sobraram alguns partidos, como o PRI mexicano, o PC chinês e mesmo o PT do Brasil, e faltaram partidos importantes como o PSol do Brasil, o NPA da França, a Frente de Resistência de Honduras, a Tendência Revolucionária de El Salvador, entre outros. O chamado foi rapidamente aceito por um setor da reunião: o MAS da Bolívia, o Partido "Novo País" do Equador (partido de Rafael Correa), a combativa chanceler Patrícia Rodas de Honduras e outros grupos de esquerda presentes, como a Aliança Socialista da Austrália. Houve um rechaço por parte dos PCs - com exceção do PC cubano - e do PT do Brasil, para quem está vigente o Fórum de São Paulo.

Para além de todas as contradições que podemos apontar no bolivarianismo e, em particular, na crítica situação atual do processo venezuelano, produto do peso da burocracia (que veremos mais adiante), Chávez colocou uma proposta que, a nosso ver, é progressiva diante do vazio internacional existente; um avanço que pode transformar-se em um salto para criar uma nova alternativa à situação atual que vivemos, de profunda crise capitalista, para dar uma resposta à política imperialista.

A resposta do PSol a este chamado, como de todos aqueles que se reclamam antiimperialistas e socialistas, e como já fizeram outras forças socialistas como o NPA da França, tem que ser afirmativa e dizer "presente"; estamos e estaremos aí porque queremos participar na construção deste processo que está apenas começando e que tem como próxima data marcada a reunião de final de abril em Caracas.

Esta proposta, se acabar se concretizando, tende a levar uma contradição aguda que hoje em dia existe na situação mundial. Por um lado, a brutal crise do capitalismo globalizado que vivemos colocou de forma concreta e urgente a necessidade de uma coordenação internacional. Porém, ao mesmo tempo, o que existe até agora é uma vazio no terreno internacional. Este vazio existe porque hoje em dia não existe nenhuma organização internacional que seja ou possa vir a ser um pólo real para a vanguarda mundial e os setores mais radicalizados do movimento de massas. Os Fóruns Sociais Mundiais, que foram, em seu momento, um lugar progressivo de articulação de ações do movimento antiglobalização e anti-guerra, perderam força e já passaram a ser aparatos cada vez mais controlados por partidos como o PT e outros aparatos e instituições internacionais burocráticos.

Para nós, tampouco é o Fórum de São Paulo este espaço. Hegemonizado pelo PT brasileiro, terminou, como não podia ser de outra maneira, seguindo o curso burguês desse partido. Também não são as coalizões dos Partidos Comunistas que existem na Europa, nem as organizações trotskistas que têm uma prática internacionalista. A denominada IV Internacional, que responde ao que foi a cisão do Secretariado Unificado, ainda que tenha desenvolvido algum trabalho de massas, como alenta desde a LCR a criação do NPA, não é um pólo. As várias outras organizações internacionais que se reclamam da IV e do trotskysmo não passam de grupos essencialmente auto-proclamatórios de suas posições internacionais.

Seguramente haverá aqueles que, em nome da "pureza programática", vão rejeitar o chamado de Caracas, ou vão exigir que este encontro tenha um programa acabado para a revolução socialista internacional, como teve em seu momento a III ou a IV. Em nossa opinião, tem muita vigência a frase que disse Marx criticando o extenso, porém ambíguo programa de Gotha, ao redor do qual iriam unir-se duas correntes socialista alemãs: "mais vale uma ação comum do que meia dúzia de programas".

O que se trata no chamado de Caracas é construir um reagrupamento onde se encontrem o novo nacionalismo radical bolivariano, as novas correntes antiimperialistas, indigenistas e anticapitalistas com a esquerda socialista.

Um dos requisitos para que esse processo avance é que tenha o critério de uma organização ampla de frente única, que possua traços mais parecidos com a Primeira Internacional de Marx do que com outras organizações. O grande revolucionário russo David Riazanov, em seu brilhante livro sobre Marx e Engels, fez uma boa definição sobre a Associação Internacional dos Trabalhadores. Dissia Riazanov "que Marx, no chamado que terminou sendo escrito por ele mesmo, deu um exemplo clássico da tática de "frente única". Ele formulou as demandas colocando ênfase nos pontos em torno dos quais a classe operária pode e deve unir-se para desenvolver o movimento operário. Destas demandas imediatas do proletariado formuladas por Marx, logicamente a maior demanda do Manifesto Comunista viria depois.". (David Riazanov Marx Engels Capitulo 7).

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