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Eleições na América Latina: a esquerda comanda batalhas

03.10.2019
 
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Eleições na América Latina: a esquerda comanda batalhas

 

Por Odalys Troya

Havana (Prensa Latina) A Argentina, o Uruguai e a Bolívia celebrarão eleições presidenciais em outubro, num âmbito que se encaminha para o regresso da esquerda ao poder no primeiro e a continuidade nos outros dois países, apesar do arremesso conservador.

 

A Argentina, cujas eleições serão realizadas em 27 de outubro, chega a este processo eleitoral mergulhada numa profunda crise econômica e social.



Depois do duplo triunfo de Mauricio Macri nas presidenciais de 2015 e nas legislativas de 2017, e suas promessas de crescimento e desenvolvimento, suas políticas econômicas esbarraram virtualmente a obra social construída nos mandatos do Néstor Kirchner e Cristina Fernández.



O macrismo dinamizou a queda do produto interno bruto, recorte fiscais, e pôs as contas públicas em mãos do Fundo Monetário Internacional, todo o qual contribuiu a aprofundar a recessão e o deterioro social.



Este cenário é totalmente desfavorável para Macri, por isso nas primárias, denominadas PASO, celebradas em 11 de agosto passado, a maior parte da cidadania que participou das internas presidenciais do opositor Frente de Todos, apoiou a candidatura de Alberto Fernández com 49,49 por cento dos votos totais.



Apesar dos quase 16 pontos de vantagem de Fernández nas primárias, Macri aposta nas suas palestras pela mudança que promulgou desde que ganhou em 2015 e nesse tom inicia sua campanha proselitista.



No Uruguai, que celebrará eleições presidenciais e parlamentarias também em 27 de outubro, de acordo com analistas, está latente uma ameaça direitista que tenta tirar a Frente Ampla (FA).



Esta força política chegou ao governo em 2004 no âmbito da onda de partidos de esquerda na América Latina, mediante eleições e opondo-se às reformas neoliberais da década de 1990.



Realizou uma agenda de reformas redistributivas e de ampliação de direitos e liberdades considerada das mais ambiciosas e bem-sucedidas da região e que o manteve após no poder.



Diversas pesquisas assinalam que a FA tem 39 por cento das preferências eleitorais, seguido de seu principal rival a Partido Nacional, com 26 por cento.



O presidenciable Daniel Martínez apresenta na sua campanha um programa que amplia os sucessos deste partido governamental que acontecem o econômico e o social, fundamentalmente.



Assegura que seu governo dotará ao país de um Estado eficaz, eficiente, dinâmico, transparente e ao serviço das pessoas e propõe trabalhar integralmente os temas vinculados à moradia, saúde, educação, lazer e trabalho.



O presidente da FA, Javier Miranda, considera que neste processo eleitoral ficam em jogo dois modelos políticos: um conservador, neoliberal e reacionário encabeçado pela direita reacionária e a proposta progressista de desenvolvimento com igualdade e de solidariedade pondo como valor central a solidariedade e não o déficit fiscal.



Na Bolívia, as eleições gerais serão em 20 de outubro próximo para escolher ao presidente e vice-presidente do Estado Plurinacional, 130 deputados e 36 senadores para o período governamental 2020-2025 e as preferências eleitorais apontam à reeleição de Evo Morales.



Uma enquete da empresa Viaciencia situa a Morales na primeira posição preferivelmente, com 43,2 por cento dos votos, diante de Carlos Mesa, de Comunidade Cidadã, na segunda posição com 21,3 por cento e do candidato da Bolívia Dice No (Diz Não), Oscar Ortiz, na terceira posição com 11,7 por cento.



Os sucessos em matéria social e econômica durante os 13 anos de governo do Evo Morales criam um alicerce que põem em vantagem ao mandatário apesar do arremesso conservador que busca esmagar sua imagem na tentativa de tirá-lo da cadeira presidencial que ocupa desde 2006.



Sob seus mandatos se construíram mais de 34 hospitais de segundo nível e mil e 61 novos estabelecimentos de saúde; 16 mil e 733 instalações educativas; cinco mil quilômetros de estradas.



Do mesmo jeito, elevou em 4,7 por cento o salário mínimo, o Produto Interno Bruto nominal cresceu 327 por cento nos últimos 13 anos e chegou a 44 bilhões 885 milhões de dólares em 2018.



'A estabilidade econômica e as políticas de fomento à produção permitiram que a inflação na Bolívia tivesse permanecido baixa, mantendo o poder aquisitivo da população', sublinhou o próprio dignitário em seu mais recente relatório de gestão.



A direita boliviana procura apagar seus sucessos e agora como resultado dos incêndios na Chiquitanía trata de criar uma matriz de opinião negativa ao responsabilizar ao governo desta situação que afeta o entorno natural.



Entretanto, suas ações para sufocar as chamas e recompor as zonas afetadas jogam por terra as acusações de seu contrário.



Apenas fica à campanha eleitoral nos três países, mostrar aos eleitores legítimos programas que os beneficiem e envolvê-los nos esforços para transformar estes países em benefício da maior parte da população e está em mãos dos partidos e seus candidatos convencerem e vencer as forças opositoras.



Mmd/mv/otf

 

 

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