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Mínimo Denominador Comum (Parte I)

03.09.2008
 
Mínimo Denominador Comum (Parte I)

Mais de dez anos depois, ainda me lembro da aula expositiva. Meu professor de Direito havia traçado dois quadrados na lousa e os denominara A e B.

"Estes quadrados," explicou, "representam duas fábricas vizinhas que fabricam o mesmo produto. O produto tem a mesma qualidade e é vendido pelo mesmo preço. É fabricado só para exportação e, portanto, todos os lucros vêm de mercados externos."

O problema," continuou ele, "é que a fabricação desse produto é ambientalmente nociva. A poluição do ar que essas fábricas geram vem fazendo com que as pessoas residentes nas proximidades apresentem índices mais altos de câncer e doenças respiratórias do que a média da população."

"Para combater o problema, a dona da fábrica A resolveu instalar "depuradores de gás" dentro das chaminés, capazes de reduzir as emissões em cinquenta por cento. Contudo, o custo de instalação e manutenção desses "depuradores" a obrigará a também aumentar o preço do produto em um dólar por unidade."

"Assim, ela procura o dono da fábrica B com sua proposta, e recebe a seguinte resposta: 'É realmente decoroso da parte da senhora preocupar-se com o bem-estar da comunidade. Visto, porém, que nossos lucros provêm de mercados externos, eu realmente não me importo com os danos que minha fábrica esteja causando localmente. Na verdade, se eu me recusar a instalar "depuradores," tornar-me-ei mais competitivo, visto que poderei vender meu produto por preço mais baixo.'"

Diante da perspectiva de perder renda, a dona da fábrica A abandona a idéia de instalar "depuradores": "Assim, a recusa de B," disse o professor "reduziu A ao mínimo denominador comum."

O objetivo daquela aula foi ilustrar como, com frequência, as leis tornam-se indispensáveis para conseguir-se aquilo que um senso de propósito mais elevado não consegue. Como o Dr. Martin Luther King Jr. explicou depois que o Presidente Dwight Eisenhower denunciou a legislação de direitos civis proposta como uma tentativa de "legislar moralidade": "Uma lei não pode criar um homem como eu, mas pode impedir que outra pessoa me linche."

Discerni, porém, outra lição no exemplo do professor: É mais fácil para os que fazem o mal degradar outros trazendo-os à lama onde chafurdam do que, para os que fazem o bem, alçar outros às alturas onde se encontram.

A mais vívida ilustração disso tem sigo o legado de péssima qualidade de George W. Bush e sua cabala de criminosos. Em poucos curtos anos, sua ditadura reduziu os outrora sagrados princípios dos Estados Unidos a seu "mínimo denominador comum." E o resto do mundo acompanhou.

Pensem o quanto soa vácuo quando membros da ditadura de Bush condenaram uma eleição fraudulenta no Zimbabwe, quando eles fraudulentamente se apossaram da Casa Branca durante o golpe de 2000, ajudados por autoridades corruptas do governo, inclusive o próprio irmão de Bush, e igualmente corruptos "juízes" do Supremo Tribunal.

Pensem quão hipócrita soa a ditadura Bush ao criticar o histórico de direitos humanos da China, quando ela continua a adotar uma política de tortura, cessão extrajudicial e detenções ilegais.

Pensem como soa oco argumentar que a falta de "democracia" em Cuba exige que um embargo econômico continue vigente, quando no próprio solo de Cuba, na Baía de Guantânamo, centenas de prisioneiros, mantidos cativos pela ditadura Bush, existem num limbo jurídico, sendo-lhes negados os próprios direitos de processo devido que a maioria das democracias consideram ponto pacífico.

Pensem o quanto soa insincero condenar o governo de Myanmar pela manipulação dos suprimentos de ajuda envidados para as vítimas do ciclone, quando a resposta da própria ditadura Bush às vítimas do furacão Katrina foi um exercício de insensibilidade e incompetência.

Mais hipócrita do que tudo talvez, entretanto, pensem o quanto é burlesco a ditadura Bush condenar a invasão e ocupação, pela Rússia, de duas regiões separatistas na Geórgia quando ela ilegalmente invadiu e ocupou a nação inteira do Iraque.

Obviamente, Bush e seus subordinados argumentarão que as condenações que proferem são justificáveis, porque eles sempre agiram pelos motivos "corretos", enquanto que as outras nações agiram pelos motivos "errados".

O problema fundamental dessa lógica é que nenhuma nação jamais admitirá que esteja fazendo algo pelo motivo "errado", e os governos certamente não estarão inclinados a ouvir hipócritas que cometem os mesmos atos que condenam.

Na verdade, muitos jornalistas ocidentais, embora relutantemente, já concederam que as ações provocadoras do governo georgiano poderão ter deflagrado a invasão russa. Contrastem isso com a invasão do Iraque, a qual foi fomentada por meio de mentiras completas a respeito de Saddam Hussein possuir "armas de destruição em massa," e de ter "vínculos com a al-Qaida.

" Com efeito, um novo livro de Ron Suskind, ex-repórter do Wall Street Journal, afirma que a CIA, agindo por ordem da Casa Branca, forjou uma carta em nome do chefe da inteligência iraquiana Tahir Jalil Habbush numa tentativa de vincular o governo iraquiano aos eventos de 11 de setembro de 2001. Naturalmente a ditadura Bush está negando. Dada entanto sua reputação de licenciosidade e mendacidade, tais negações para sempre soarão falsas.

Continua …

David R. Hoffman, Editor Legal do Pravda.Ru

Tradução Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme

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