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Chávez em um giro euroasiástico

03.08.2006
 
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Chávez em um giro euroasiástico

No último dia 25 de julho, o presidente da Venezuela Hugo Chávez iniciou um giro euroasiático estratégico que deu um importante passo na consolidação da colaboração Sul-Sul. O líder bolivariano passou três dias na Rússia, dois no Irã e dois no Vietnã, onde manteve encontros com líderes que defendem o direito de seus países a soberania, independência política e econômica, e a multipolaridade nas relações internacionais.

Chávez e Jamenei (na foto) aprofundaram a cooperação política e econômica em diversas áreas, ampliando o desenvolvimento do que podemos chamar de um eixo de nações antiimperialistas, além de enrijecer os preceitos da política externa bolivariana, fundamentada na solidariedade entre os povos. 

A integração militar é uma das questões primordiais para a Revolução Bolivariana. Há algum tempo o governo fala da criação de uma Força Armada Sul-Americana, que seria integrada pelos países sul-americanos. Mais um dos projetos que foi elaborado inicialmente pelo libertador Simón Bolívar, ao pensar na Grande Colômbia, e que agora toma maior corpo com o fortalecimento do movimento integracionista continental. Principalmente depois do ingresso formal da Venezuela no Mercosul na última reunião na Argentina, que teve até a valorosa presença do presidente cubano Fidel Castro.  

No começo do mês de julho, a Secretaria Geral do Parlamento Latino-Americano, junto com a Universidade Nacional Experimental das Forças Armadas da Venezuela e a Frente Cívico Militar Bolivariana realizaram o "Seminário latino-americano sobre segurança regional, integração e Forças Armadas" em Caracas. Na declaração final do evento, as organizações participantes - venezuelanas e latino-americanas  denunciam as manobras militares conjuntas, "com hipótese de guerra", concebidas pelo Departamento de Defesa norte-americano e propõem a caducidade da Junta Interamericana de Defesa por não atingir os objetivos das Forças Armadas Latino-americanas, assim como a eliminação das Conferências de Ministros das Defesas da região, promovidas pelos EUA. 

O documento defende a criação da Força Militar Sul-Americana, "que sirva de apoio aos interesses políticos e militares de todos os países da região, a fim de defender sua soberania, liberdade e recursos naturais, quando fatores externos aos interesses de cada país ameacem sua integridade"; a implementação de uma organização regional de caráter humanitário para atender e apoiar países que tenham sido atingidos por desastres naturais ou qualquer outra dificuldade de necessidade imediata; a possibilidade de criar uma Força de Reserva Regional; a formação de uma comissão multinacional de especialistas militares e assessores jurídicos capazes de estudar e analisar mecanismos para a criação de um Sistema Sul-Americano de Defesa. 

Na sua quarta visita ao Irã, Chávez encontrou-se com o presidente Mahmoud Ahmadinejad com quem revigorou a aproximação energética. Os dois líderes antiimperialistas manifestaram apoio mútuo – inclusive ao programa de energia nuclear para fins pacíficos iraniano  e aprovaram mais de dez acordos de cooperação e desenvolvimento, entre eles a de criação de uma empresa mista entre a Petróleos de Venezuela (PDVSA) e a Petroparck, empresa petrolífera do Irã.  

A Venezuela é o quinto país com maiores reservas de petróleo do mundo. O Irã tem a quarta maior.  O primeiro é um dos principais fornecedores do "ouro negro" do qual tanto necessitam os Estados Unidos, junto com a Arábia Saudita e o Iraque. O segundo distribui, sobretudo, para China, Japão e Coréia. Os presidentes destas duas nações já foram a público denunciar que o império norte-americano tem planos para invadi-los. Ambos são "pintados" como os monstros antiamericanos pelos poderosos instrumentos midiáticos do pensamento único. Os adjetivos são os mesmos: ditadores, tiranos, antidemocráticos, cerceadores da liberdade de expressão.  

Em Teerã, o governo venezuelano criticou o apoio bélico e político dos Estados Unidos a Israel, que já assassinou brutalmente quase 300 civis, entre eles muitas crianças, e está pronto para invadir o Líbano a qualquer momento - e os veículos da imprensa hegemonista estão ao lado dos tanques israelenses prontos desde já para "cobrir em tempo real" o terrorismo de Estado. Chávez também desaprovou a ação - ou melhor, inação da ONU por não exigir o cessar fogo imediato. E admitiu pela primeira vez estar estudando a possibilidade de interromper o fornecimento de petróleo ao império. 

O líder bolivariano também manteve um encontro fechado com o aiatolá Ali Jamenei, a autoridade religiosa de mais alto nível no país, no Palácio do Líder Supremo do Irã. De acordo com a constituição iraniana, é ele o responsável pela delineação e supervisão das políticas gerais da República, é o comandante em chefe das Forças Armadas e controla as operações de inteligência e segurança do país.  

Além disso, Chávez ainda foi condecorado com a ordem da República Islâmica do Irã. E na cerimônia, alertou que é preciso "criar consciência entre nossos povos para enfrentar o império que pretende manter sua hegemonia e infringir os direitos das nações". Ele também fez um chamado ao mundo para deter a loucura: "Todos sabemos aqui qual é a loucura, esta tem um nome: o imperialismo norte-america. 

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