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O Socialismo é o nome político do amor

03.05.2017
 
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Quedava claro que em Cuba tinha-se criado um homem e uma mulher novos, possuídos de uma mística e uns valores capazes de enfrentar e vencer as maiores dificuldades.

A noite do 25 de abril fomos convidados a assistir no Teatro Nacional de La Habana, ao ato em comemoração dos 30 anos do Centro Memorial Martin Luther Ding. Tinha ouvido falar dessa instituição e lembrava a Joel, um homem de berba, com certo aspecto de hippie, que me foi apresentando alguma vez como diretor desse Centro, dedicado fundamentalmente à educação popular. Acho que não sabia mais sobre essa Entidade.

Devo confessar que essa noite confirmei o enorme que era minha ignorância, mas, também, que se pode aprender de forma muito distinta às conhecidas de sempre. Sim, não há dúvidas de que sabem de educação. O ato dessa noite foi um curso de humanidade, de humildade, de amor, de compromisso, de entrega verdadeira a um sonho.

Com o telão ainda fechado, as luzes do teatro foram desligadas e se começou a escutar uma canção que jamais tinha ouvido: "Minha casa" de Tony Ávila, jovem trovador cubano. Foi através do som, pois, ao se abrir o telão não havia mais que instrumentos no cenário. Me chamou a atenção que a letra da canção se entendia perfeitamente, não como essas outras que exigem do ouvente maromas quase filosóficas. Um homem falava da necessidade de restaurar a casa.

Aquí algunos de sus versos:

A seguir alguns de seus versos:

Voy a quitar las viejas cerraduras, creo que están de más ciertas paredes, aprendí con el tiempo que se puede, cambiar sin que se dañe la estructura

Hoy podaré el jardín y a los retoños, los cuidaré para que crezcan sanos, hoy voy a consultar con mis hermanos, los cambios que a la casa sobrevienen

No tengo que correr porque la prisa, puede que le haga daño a los cimientos, y aunque en mi casa me siento contento, hay cambios que mi casa necesita

Voy a hacer ciertos cambios en mi casa, como hicieron mis padres en su tiempo, al cabo esta será la misma casa, los que no son iguales son los tiempos

Não cabia dúvida que a casa à que se referia a canção era Cuba. Boa parte de público a coreava, devia ser muito conhecida. Mas, se tratava de um Ato Oficial, com a presencia de funcionários do Partido e do Governo, que se podiam incomodar. Nada disso, eles mesmos batiam palmas. Se compreende de imediato que pensamento e arte voam livremente na Ilsa.

Depois foi a apresentação do ato a cargo de Joel Suárez, que entendi, é uma especie de coordenador geral do Centro. De entrada, me chamou a atenção que a imensa maioria das representações presentes às que cumprimentou, eram instituições religiosas. Bispos, Bispas, Pastores, Irmãos Irmãs, das mais diversas igrejas, todos cubanos e cubanas.

O público que lotava a sala Covarrubias, batia palmas com emoção ao ouvir o nome de cada um dos mencionados, incluindo às delegações do ELN e das FARC empenhadas na busca da Paz através do Diálogo. Num instante, dada minha formação primária e secundária em colégios religiosos, reconheci no ambiente que me encontrava em meio de um ato com essa conotação. Como aqueles encontros fraternais que vivemos em tempos de retiros espirituais, nos que todo era só alegria.

Devo dizer que me resultava assombroso, precisamente pelo lugar onde se produzia, digamos assim, o ato. Nada mais e nada menos que na capital mundial do comunismo.

Então, em Cuba, não somente, toleram-se as religiões, congregações e cultos de toda ordem, mas, contam com apoio oficial e evidente respeito.

Teria gostado muito que estivessem participando ai o ex-procurador Ordoñez, o pastor Arrázola e demais personagens iracundos que na Colômbia tem feito de um inúmero de igrejas católicas e protestantes o ninho favorito de seus ódios e fanatismos. Em Cuba, pelo contrário, resulta obvio que a fé em Deus e o amor ao próximo volcam-se em prol da Revolução e o Socialismo.

A intervenção principal pelo Centro Memorial correspondeu a três mulheres adultas, que se encarregaram, por turnos, de lembrar os frutos do trabalho do Centro. Chamavam-se Marilín, Irenia e Izzet, todas elas destacadas em distintas igrejas cristãs e vinculadas ao Centro Memorial, há mais de uma década. Suas intervenções eram acompanhadas por diapositivas relacionadas com suas exposições.

Graças à intervenção delas, fiquei sabendo que cada uma das congregações ecumênicas às que pertencem, havia desempenhado um papel cardial em diversas luchas, por exemplo, na obtenção de solidariedade das múltiplas igrejas norte-americanas em campanhas contra o bloqueio econômico à Cuba.

Foram igrejas evangélicas dos Estados Unidos as promotoras da recoleição de ajudas humanitárias para os cubanos nos piores momentos do bloqueio. E foram, também, igrejas protestantes de lá as encarregadas de encabeçar a luta pela libertação dos cinco heróis cubanos. Todas unidas com congregações ecumênicas de Cuba. Esse tipo de igrejas estavam vinculadas ao Centro Memorial Martín Luther King e à sua escola de educação popular.

Fotografias exibidas na tela gigante permitiam ver seus pastores e coordenadores reunidos com Fidel e Raul, em distintos momentos, em atos nos que saltava à vista seu caráter religioso. Assim também, ver as diversas campanhas de educação e solidariedade cumpridas por essas igrejas e o Centro Memorial nos sítios mias diversos e remotos de Cuba. Era fácil constatar que para todas elas o amor ao próximo era algo mais que uma palavra para repetir nas orações.

Silvio Rodríguez interpretou seis canções, com seu violão. Os temas pareciam cuidadosamente selecionados para essa ocasião, pois, falavam de quando jogávamos com Deus, de amor, de orvalho, de anjos da guarda, de ser um pouco melhores e menos egoístas. Encerrou sua apresentação com a canção "El Necio". O publico assistente cantou com ele. A mensagem era clara: eu morro como vivi, não como queiram os inimigos d Pátria, da Revolução e o Socialismo.

Frei Betto, o religioso e educador brasileiro, foi convidado a falar e chamou ingeniosamente todos os presentes de "irmãos e irmãs em Cristo e em Castro". Foi ovacionado. O relato sobre a sua primeira viagem a Cuba e suas conversações com Fidel sobre o papel da educação popular e como todo levou a que fosse criado o Centro Memorial, resultou sumamente interessante e ilustrativo. O Socialismo é o nome político do amor, afirmou.

Como Martin Luther King, a principal motivação de sua vida tinha sido servir aos demais, aos mais pobres e necessitados. E a melhor forma de fazer isso era abrindo-lhes os olhos para que aprendessem a se reconhecer, a se unir, a se educar nos valores da solidariedade, a cooperação, a justiça, a busca do bem geral. O sentimento do amor não pode ficar lá dentro, tem que brotar, se manifestar e realizar em fatos, em ações efetivas em prol do outro. É isso que faz que o amor seja eficaz.

A apoteose do ato esteve a cargo do grupo juvenil Harmonia, cuja canção Caminhar com Cristo, levou a que o público ficasse em pé para acompanhar a letra com suas vozes e palmas. Parecia incrível, comunismo e cristianismo se uniam numa só fé, inspirados no Pastor batista Martin Luther King, assassinado em Menphis pelo seu trabalho pela paz

Delegados das distintas comunidades de Cuba ofereceram emotivos presentes a Raúl Suárez, fundador e cabeça principal do Centro. Entre elas o Conselho de Igrejas de Cuba, como mostra de reconhecimento pela sua labor em prol da Igreja e o ecumenismo na Ilha. Um grupo infantil, Geração com Propósito, apresentou uma sentida e comovedora versão de Eu venho a oferecer meu coração, a canção de Fito Páez que se escutou no som.

O mesmo grupo Harmonia, encerrou o evento com seus alegres ritmos dedicados ao amor, a solidariedade e o caminho da Revolução. Definitivamente, estava claro que em Cuba se havia produzido um salto social qualitativo, criado um homem e uma mulher novos, possuídos de uma mística e uns valores capazes de enfrentar e vencer as maiores dificuldades. Assim deveriam ser as primitivas comunidades cristãs que desfiaram com sua fé o Império romano. Bem-aventuradas!!

La Habana, 27 de abril de 2017.

Escrito por  Gabriel Angel

Fonte: farc-ep,co

 


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