Pravda.ru

Mundo

Guerra contra Cuba: novos orçamentos e a mesma premissa

03.05.2010
 
Pages: 123
Guerra contra Cuba: novos orçamentos e a mesma premissa

Os presidentes em Washington vão e vêm, mas o princípio das relações exteriores dos Estados Unidos é o mesmo: descarrilar os governos que se atrevem a defender a soberania nacional e destruir qualquer revolução que se aventure em um mundo diferente do programado por eles. As armas usadas pelos EUA na ofensiva contra Cuba evoluíram ao longo dos últimos 50 anos, mas a guerra é a mesma.


Por José Pertierra*, em Cuba Debate

Como artefato de subversão na ilha, os cubanólogos de Washington e Miami querem construir um suposto movimento social e político plantado, irrigado e colhido nos EUA. Mas um genuíno movimento nacional político não se fabrica em capital inimiga. Os partidos e os movimentos não se exportam como mercadorias, porque um partido político não se compra e se vende como se fosse uma lata de salsichas.


Desde que George W. Bush assumiu a presidência dos EUA, em 2001, o orçamento para a criação de uma oposição social em Cuba, aliada aos interesses de Miami e da Casa Branca, aumentou astronomicamente: de 3,5 milhões de dólares em 2000 para 45 milhões em 2008. Em 2003, Bush criou uma comissão para prestar " assistência a uma Cuba democrática".


Esta comissão apresentou um documento de mais de 400 páginas no qual propõe "identificar meios adequados para pôr fim rapidamente ao regime cubano e organizar a transição". A política do presidente Barack Obama segue o padrão da comissão e do orçamento criado por sua recomendação: "Tomar medidas dirigidas ao treinamento, desenvolvimento e fortalecimento da oposição e da sociedade civil cubana".


Como a guerra contra Cuba é uma indústria em Miami, os mais beneficiados por esse projeto foram os que administravam a verba a partir da Flórida. Uma auditoria do tribunal de contas dos EUA em 2006 concluiu que a fortuna havia sido dissipada pelos grupos em Miami. Por exemplo, usaram o dinheiro para comprar chocolates Godiva, latas de carne de caranguejo e Nintendo Game Boys. Em 2008, o diretor de um dos grupos admitiu ter roubado quase 600 mil dólares, antes de renunciar para assumir um cargo político na Casa Branca do presidente Bush.


Indignado diante da dissipação do patrimônio milionário, o senador John Kerry (democrata de Massachusetts), presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, pediu no ano passado uma revisão do projeto, que hoje tem orçados 20 milhões de dólares por ano. Com isso, o Departamento de Estado suspendeu temporariamente a verba até concluir uma investigação.


Suspensão
Neste mês, o Departamento de Estado concluiu sua investigação e anunciou planos de liberar 20 milhões de dólares do patrimônio anticubano, argumentando que havia reestruturado o programa para os fundos chegarem clandestinamente a certos cubanos na ilha, e não a outros em Miami. No entanto, o senador Kerry não está muito convencido e paralisou temporariamente o projeto para estudá-lo.


A suspensão imposta por Kerry é pragmática, não filosófica. Ou seja: ele não se preocupa com a subversão; quer estudar sua eficácia. A prisão em Cuba de um empreiteiro norte-americano chamado Alan P. Gross, enviado por Washington, mostra que o projeto do Departamento de Estado põe em perigo os agentes contratados para realizar esse trabalho clandestinamente em Cuba.


A procuradoria cubana estuda as acusações que apresentará contra Gross. Para defender-se da subversão milionária originada em Washington, Cuba decretou uma lei que pune com até 20 anos de prisão a colaboração com o programa USAid, criado pela lei Helms-Burton, de 1996. O crime é grave.
Talvez seja por isso que o Departamento de Estado e a USAid se recusam a identificar os destinatários em Cuba do dinheiro de Washington e distribuem os fundos clandestinamente.


O programa contra Cuba que está em xeque inclui:


• 750 mil dólares para “promover os direitos humanos e a democracia” em Cuba;
• 250 mil dólares para ajudar os parentes dos supostos presos políticos (por exemplo, as chamadas
“Damas de Branco” e as recém-criadas “Damas de Apoio”);
• 500 mil dólares para os que lutam para libertar os supostos presos políticos;
• 900 mil dólares para a Freedom House, uma organização que durante dez anos foi dirigida por Frank Calzón. O dinheiro serviria para fortalecer os líderes da suposta oposição: artistas, músicos e blogueiros, com uma cínica ênfase nos afrocubanos;
• 400 mil dólares para o Instituto para Comunidades Sustentáveis. O objetivo é "identificar os novos líderes da comunidade cubana" e ajudá-los em sua campanha publicitária e política. Ou seja, quase meio milhão de dólares para que Washington identifique os novos líderes aos quais distribuirá o dinheiro;
• 200 mil dólares para supostamente fortalecer as redes de apoio que Washington criou em Cuba, além de fornecer equipamentos e treinamento a elas;
• 2,6 milhões de dólares para a Development Associates Inc., com o objetivo de ampliar a rede de apoio cubana que Washington criou e transmitir a mensagem de Miami para Cuba;

Pages: 123

Loading. Please wait...

Fotos popular