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Diferença entre Royal e Sarcozy ficou bem vincada

03.05.2007
 
Diferença entre Royal e Sarcozy ficou bem vincada

O primeiro debate presidencial em 12 anos na França durou ontem (02) duas horas e 40 minutos assistido pelos 23 milhões de telespectadores. Antes do início do debate , os candidatos cumprimentaram-se efusivamente, mas logo a candidata socialista Ségolène Royal avançou sobre o adversário, o direitista Nicolas Sarkozy, com uma ferocidade inesperada. Ao final do debate que foi esquentando até atingir o ponto de ebulição, Ségolène acusou Sarkozy de "imoralidade" por causa de sua posição em relação ao ensino para crianças com necessidades especiais.

"A senhora tem a visão sectária da esquerda, de que todo mundo que tem opinião diferente da sua é imoral", reagiu Sarkozy, depois de alguns minutos de perplexidade. "Quem usa palavras que ferem divide o seu povo."

Foi o desfecho de um crescendo, no qual Sarkozy e Ségolène percorreram dezenas de temas, do desemprego à energia nuclear, e discordaram sobre praticamente tudo, numa discussão marcada pela divisão ideológica clássica entre direita e esquerda. Ségolène, menos ‘branca de neve’ do que é costume – apresentou-se de camisa branca sob tailleur escuro – falou da necessidade de tirar a França da situação de dívida pública, embora as preocupações com o desemprego que deseja ver combatido pelo Estado, e a pobreza não pareçam dar muitas hipóteses ao controlo de despesas.

 
A diferença entre os candidatos ficou bem vincada. Sarkozy quer uma Françaa de proprietários, enquanto Ségolène defende um país de empresários; ele quer cobrir o défice de segurança social com taxas sobre as importações e ela prefere cobrar mais а s empresas cotadas em Bolsa; ele quer fazer funcionar o que está menos bem e ela declara-se “a presidente do que funciona”.

Sarkozy revelou-se convincente e pragmático, excepto quando foi acusado de uma série de erros a propósito da energia nuclear. Tremeu quando foi acusado de mentir a propósito do apoio escolar аs criaças deficientes e Ségolène fez o papel de mulher em cólera contra as injustiças. Pareceu frágil nas propostas concretas, mas revelou-se feminina e sedutora.

O momento de maior tensão ocorreu depois que Sarkozy, ex-ministro do Interior do atual governo, observou que na França apenas 40% das crianças com necessidades especiais estudam em escolas normais, e que ele planeja elevar esse índice a 100%, como ocorre no resto da Europa. "Estou escandalizada com o que estou ouvindo", interrompeu Ségolène - as regras do debate permitiam interrupções, com o tempo de cada um cronometrado e depois reequilibrado.

"Criei 7 mil cargos de auxiliares de integração (para os deficientes nas escolas normais) e o seu governo os suprimiu", acusou a candidata, que foi ministra de Ensino Escolar (1997-2000).

Havia uma expectativa sobre como Ségolène, em torno de 6 pontos atrás de Sarkozy nas pesquisas, se portaria diante do adversário conhecido por sua língua afiada e estilo direto, ao passo que a socialista costuma ser mais suave e abstrata.

Depois de alguns minutos de nervosismo, em que falava consultando anotações, Ségolène conquistou segurança e, aos 15 minutos de debate, começou a interromper Sarkozy, e não parou mais, deixando-o na defensiva e evitando que ele concluísse seus raciocínios. "Madame Royal, deixe-me responder", pedia Sarkozy. Ela não o chamou pelo nome em momento algum.

Sarkozy tentou conter a enxurrada de críticas de Ségolène ao governo do atual presidente Jacques Chirac e primeiro-ministro Dominique de Villepin, ambos de seu partido, exclamando: "É falso."

A candidata socialista procurou dissipar a imagem segundo a qual suas posições são ideológicas e vagas, enquanto o direitista seria concreto e pragmático.

"Eu sou a presidente do que funciona", insistiu várias vezes. Mas não conseguiu evitar de responder a perguntas de Sarkozy com a frase: "Isso será negociado entre os setores."

Ao fim, os dois recuperaram um tom mais amigável, mas ficou a confirmação de que a França está diante de duas opções profundamente diferentes - de programa, estilo e visão de mundo.

 Com Agência Estado


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