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Assassinato de Saddam: Um acto criminoso de cobardia

03.01.2007
 
Assassinato de Saddam: Um acto criminoso de cobardia

O assassinato do ex-Presidente Saddam Hussein em Bagdade foi talvez o pior exemplo de cegueira política demonstrada mais uma vez pelo incompetente e incapacitado regime de Bush.

Desde o início, a guerra no Iraque careceu de um preceito fundamental: a legalidade. Desde o início, o “tribunal” estabelecido para julgar Saddam Hussein e outros membros do Governo Ba’atista careceu de um preceito fundamental: a legitimidade, opinião expressa por numerosos peritos internacionais.

Desde o início, a política externa seguida pelo regime de Bush (as mentiras de Colin Powell na ONU, as fantasias e disparates de George Bush, que não só sabia que o Iraque tinha ADM mas até sabia onde estavam, a campanha choque e pavor que não foi menos do que um acto de chacina criminosa), provou ser inteiramente fora de passo com o resto da Humanidade, uma espécie de espasmo hitleriano que afecta o nosso planeta de tantos em tantos anos.

O acto criminoso de invadir uma nação soberana fora dos auspícios da ONU, de escolher como alvos estruturas civis com equipamento militar, de retirar de funcionamento o Estado, de forma tão irresponsável, enviou a sociedade iraquiana três séculos pata trás em três anos. As mulheres, por exemplo, perderam quaisquer direitos que ganharam sob o Governo de Saddam, e agora nem sequer podem sair de casa sem temerem pelas vidas (quantas são decapitadas em plena luz do dia por não usarem o véu?) e a religião já não é um assunto particular mas sim uma causa para ser morto, enquanto os Curdos pela primeira vez lutam para manter a lei Sharia fora da sua Constituição.

Bem-vindos ao Iraque de George Bush.

A violência sectária aumenta dia após dia e as baixas civis chegam a proporções chocantes – dezenas de milhares por ano. Neste cenário, o que pretendia o regime de Bush ganhar com o assassinato de Saddam Hussein de forma tão bárbara, na véspera de uma celebração religiosa?

Será que o Presidente norte-americano acredita que duas acções más criam uma certa? Ele deveria saber – Saddam Hussein foi enforcado por assinar 148 mandatos de execução por alta traição, enquanto George Bush assinou 152 mandatos de execução quando era Governador de Texas por crimes menores.

Com a comunidade Sunita a deplorar este acto criminoso e cruel e alguns sectores da comunidade Xiita a celebrarem, quanto mais perto da guerra civil quer o Bush empurrar a sociedade iraquiana?

A rapidez com que despacharam o Saddam Hussein para o além levanta a suspeição que Washington tinha algo a esconder. Por quê é que só mostraram pequenos extractos do julgamento? Por quê é que Saddam não tinha o direito de se defender plenamente? Por quê é que ninguém ouviu o lado dele? Quem vendeu as armas para ele? Quem vendeu o gás? Sob as órdens de quem? Foi mesmo o Governo do Iraque que atacou os Curdos ou foi algum estado vizinho com uma questão curda a resolver numa altura em que seria mais fácil passar a culpa a outro?

São perguntas às quais nunca saberemos as respostas porque o Governo dos Estados Unidos da América não tinha a coragem de encarar a verdade. O assassinato de Saddam Hussein foi por isso um acto criminoso de cobardia, criando um mártir onde teria sido tão fácil deixar um monstro.

Este acto sórdido demonstra e realça as características criminosas e assassinas de George Bush, o homem, e a Presidência dos Estados Unidos da América. Afinal o monstro se senta na Oval Office.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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