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Reflexões de Fidel: Dimitri A. Medvedev

02.12.2008
 
Reflexões de Fidel: Dimitri A. Medvedev

TINHA-O observado nas numerosas atividades que, como presidente da Federação Russa, realizou nas últimas semanas, a partir do agravamento da crise financeira que assola o mundo. A Federação Russa é um dos Estados mais poderosos da comunidade internacional, apesar da desintegração da URSS.

Em suas intervenções, o presidente russo se caracteriza pela precisão, clareza e brevidade. Não elude nenhum tema, nem deixa pergunta alguma sem responder. Possui vastos conhecimentos. Persuade os ouvintes. Os que discordam, respeitam-no.

Expressou sua vontade de conversar comigo durante sua visita. Para mim foi uma honra, e tive certeza de que seria um encontro agradável.

Os últimos meses foram de mudanças surpreendentes e situações novas. Os ianques lançaram suas ações ilegais sobre Ossétia do Sul e Abkházia, dois países que não têm nada a ver com a Geórgia, armada até os dentes pelos Estados Unidos, que alentaram e prepararam os homens e forneceram as armas para atacar as forças russas que legalmente ali estavam para evitar o derramamento de sangue que estava acontecendo, um fato reconhecido pela comunidade internacional e ainda sem solução.

Da aventureira guerra do Iraque se deslocavam, como reforço dos atacantes, dois mil mercenários georgianos a serviço da infame guerra de conquista ianque na busca de petróleo.

A voz calma, porém firme de Medvedev, recém-eleito presidente da Federação Russa, fez-se sentir com força.

Outra mudança importante foi a eleição do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de pele negra, cansado da chacina implantada por Bush no Iraque, e sobretudo, descontente com a maneira errada com que este enfrentava e agravava a crise financeira, cada vez mais séria e potencialmente mais perigosa para a economia desse país e do mundo.

Os fatos aconteciam simultaneamente com as eleições gerais no Paraguai e com o referendo no Equador, os dois de grande importância; as eleições regionais na Nicarágua, e de maneira especial, na Venezuela, que criavam um contexto de crescente desacato à hegemonia asfixiante do império. Em paralelo com tais acontecimentos, tiveram lugar reuniões em Washington e Lima do G-20 e G-21. Os presidentes da Rússia e da China, dois baluartes importantes do cenário mundial, estavam presentes nas duas reuniões dos líderes de dezenas de Estados dos cinco continentes que participaram e com muitos dos quais conversaram.

Ao voltar do Peru, depois de sua visita ao Brasil, Medvedev viajou para a Venezuela, onde coincidiu com a reunião da ALBA em Caracas, com cujos representantes de alto nível se reuniu para satisfação de todos.

Ao mesmo tempo, um destacamento naval russo chegava a esse país irmão. Não é difícil compreender a importância da presença, em tais atividades, do ilustre visitante com que me reuni hoje de manhã, sexta-feira.

Para mim era de sumo interesse conhecer suas impressões sobre os acontecimentos assinalados.

Desta vez, a reunião durou apenas uma hora e quinze minutos. Veio acompanhado de Ricardo Cabrisas, vice-presidente do governo cubano, responsável pelas negociações de Cuba com a Rússia, China e Venezuela, os três alicerces mais importantes de nosso intercâmbio comercial neste momento, que o poderoso império não conseguiu bloquear.

Não deixei de tratar com ele nem um só ponto essencial, de nossas posições, em relação aos Estados Unidos, onde não cabe a idéia de que aceitemos a política do garrote e da cenoura, nem de que renunciemos à devolução de, até o último metro quadrado, do território de Guantánamo, ocupado à força em nosso país.

Enfatizei nossa política paciente e pacífica, mas sem nunca descurar nossa capacidade defensiva face a um potencial agressor. Nenhum país compreende melhor esta política que a Rússia, constantemente ameaçada pelo mesmo adversário da paz.

De igual ou maior importância, ainda, foi a expressão de nossas idéias sobre os sérios problemas imediatos em áreas cruciais que hoje encaram os povos, em sua busca de um mundo multipolar que garanta o desenvolvimento sustentável e pacífico.

A agenda parecia apertada, contudo, os dois dialogamos sobre esses temas, prova de que ainda, apesar da complexidade, os problemas do mundo podem ser abordados antes de se tornarem ingovernáveis.

Para mim, o encontro constituiu um grande incentivo. Fiquei com um alto conceito sobre a capacidade intelectual de Medvedev, que já tinha imaginado nele. É o mais novo entre os mais importantes chefes de Estado do mundo, que por sua vez, abrange o mais vasto território.

Com quanta emoção ouvíamos em toda parte o hino russo, sob cujas notas, o povo heróico da Rússia derramou o sangue de muitos milhões de homens e mulheres, sem cujo sacrifício não se teria obtido a vitória sobre o nazifascismo!

Fidel Castro Ruz

Ler original em:

http://www.granma.cu/portugues/2008/diciembre/lun1/Reflexoes-28nov.html


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