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Síria: Planos da Turquia e outros pensamentos confusos

02.10.2014
 
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Síria: Planos da Turquia e outros pensamentos confusos

Sob pressão dos EUA, o Parlamento turco votará amanhã a integração do país à 'coalizão' contra o Estado Islâmico. Mas será só disfarce. O verdadeiro objetivo do presidente Erdogan da Turquia é instalar regime fantoche islamista em Damasco. Eis o preço que está cobrando em troca de:

1/10/2014, Moon of Alabama - http://goo.gl/aFmxG4
A Turquia não permitirá que membros da coalizão usem suas bases militares ou seu território na luta contra o Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIL), se o objetivo não incluir a derrubada do regime de Bashar al-Assad - foi o que sugeriu o presidente Recep Tayyip Erdoğan, hoje, 1/10.


A Turquia de Erdogan está cooperando com o ISIL, em parte por razões ideológicas, em parte por medo de que os combatentes do ISIL na Turquia comecem a atacar dentro do país.

Erdogan está agora planejando alguma espécie de área de fronteira controlada pelos turcos na Síria, onde ele possa treinar forças anti-Síria e continuar a negociar com o Estado Islâmico longe dos olhares de observadores interessados. O mais provável falso pretexto para uma invasão turca à Síria será um túmulo que está sob proteção dos turcos, que esteve cercado por algum tempo, mas jamais foi atacado, por combatentes do ISIL:


Yeni Safak, jornal pró-governo, disse que algo como 1.100 combatentes do ISIL que agora controlam mais de 1/3 do Iraque e 1/3 da Síria, estão agora em torno do santuário de Suleyman Shah, avô do fundador do Império Otomano. [...] A Turquia mantém uma guarda de honra e um destacamento de 36 soldados para proteger o túmulo, localizado a 24 km da fronteira, em território sírio.


Outra razão para ocupar área de fronteira dentro da Síria são as áreas controladas pelos curdos na Síria governadas pelo [partido] YPG, organização gêmea do [partido] PKK curdo, que luta por direitos para os curdos dentro da Turquia. A área em torno de Kobane está sendo agora atacada pelo Estado Islâmico, e nem Turquia nem os EUA estão fazendo coisa alguma para impedir a tomada da cidade:


Em dias recentes, o Estado Islâmico tem avançado, e a coalisão dos EUA, sem dúvida paralisada pelos medos turcos de que o YPG esteja aliado aos curdos separatistas insurgentes turcos, não veio em socorro do YPG. Quando os curdos turcos tentaram mandar combatentes para lá, foram detidos pelo governo turco que usou gás lacrimogêneo. Ontem, 3ª-feira, não se via sinais de mais voluntários e nenhum dos cerca de duas dúzias de residentes que voltaram às suas casas em Kobane declararam qualquer interesse em unir-se à milícia; em torno dos que fugiram a atmosfera era de total desesperança.


A Rússia alertou a Turquia para que não prosseguisse com esses planos. Moscou com certeza tem planos de contingência para ampliar o apoio à Síria, caso EUA ou Turquia ataquem o governo sírio.

Durante a semana passada, o Estado Islâmico retirou parte de seus combatentes do entorno de Damasco. Com isso, o exército sírio conseguiu ampliar a zona de proteção em torno da cidade. Mas da outra vez em que o Estado Islâmico recuou, daquela vez no noroeste da Síria, a planejada retirada foi seguida pelo grande ataque contra Mosul. A atual retirada dos arredores de Damasco é, provavelmente, preparação para outro grande ataque contra alvo maior ainda não conhecido.

A ação dos EUA contra o Estado Islâmico parece não seguir nenhuma concepção estratégica. Não tem a ver só com pouca inteligência sobre os alvos que ataca; também tem a ver com a nenhuma importância atribuída a baixas civis; é absolutamente impressionante. Se isso continuar, os EUA acabarão por ser o 'lado' que todos os demais 'lados' do conflito odeiam.

O pensamento confuso não acomete só a Casa Branca. Ao longo dos três últimos anos o jornalista David Ignatius do Washington Post fez propaganda a favor de uma "oposição moderada" unida na Síria. É o unicórnio cor-de-rosa: ainda ninguém viu. Pois hoje ele apareceu com uma nova grande ideia de como alcançar aquele seu velho objetivo - bombardear mais cristãos e mais civis:


Se os ataques dos EUA e outros apoiadores são vistos como ataques exclusivamente contra combatentes muçulmanos, e se fortalecerem o desprezado Assad, essa estratégia para criar uma "oposição moderada" provavelmente falhará.

 


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