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Mídia brasileira contribuiu com os EUA contra a integração sul-americana

01.05.2017
 
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Ao mentir sobre a Venezuela, mídia brasileira contribuiu com os EUA para frear integração sul-americana, aponta pesquisador

Em livro lançado em fevereiro e disponibilizado em PDF, autor analisa interferências dos EUA na política interna do Equador e nas relações entre os países sul-americanos na década de 2000

Eduardo Vasco, Pravda.Ru

Segundo investigações do pesquisador norueguês Eirik Vold, baseadas em arquivos desclassificados e publicados pelo site Wikileaks, a mídia privada brasileira e de outros países sul-americanos desempenhou "um papel importante em obstaculizar qualquer cooperação com a Venezuela [por parte] de outros governos interessados em se unir ao projeto integracionista", especificamente a Unasul (União das Nações Sul-americanas), cuja criação em 2008 foi encabeçada principalmente pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

"A partir de 2005, quando o governo de Bush declarou oficialmente a Venezuela como a maior ameaça para os interesses dos EUA no hemisfério ocidental, os documentos [do] Wikileaks indicam um grande auge na cobertura midiática negativa sobre tal país em toda a América Latina", escreve Vold em seu livro Ecuador en la mira, lançado em fevereiro de 2017.

De acordo com telegramas publicados em sua pesquisa, o então embaixador estadunidense no Brasil, John Danilovich, reportou aos EUA em março de 2005 uma conversa que teve com o chanceler brasileiro à época, Celso Amorim, na qual tentou convencer o ministro a se aliar à política externa de Washington contra a Venezuela. Entretanto, teve sua proposta recusada.

Para Vold, a estratégica e crucial campanha dos EUA para dividir Brasil e Venezuela "também teve apoio midiático importante de uma cobertura fortemente enviesada sobre a Venezuela na mídia brasileira, algo que encaixava perfeitamente na agenda dos EUA".

Exemplo disso é um documento secreto datado de 31 de maio de 2005, enviado de Brasília, que cita O Estado de S. Paulo: "Jornais conservadores como 'O Estado de S. Paulo' têm alertado repetidamente sobre o perigo que Chávez representa para as instituições democráticas e para as perspectivas econômicas na Venezuela e na região."

No entanto, como lembra o escritor, graças às políticas implementadas pelo governo de Hugo Chávez o comércio bilateral entre Brasil e Venezuela cresceu 470% entre 2003 e 2006, passando de U$ 883 milhões para mais de U$ 4,1 bilhões. "Pela ligação de O Estado de S. Paulo com a elite empresarial brasileira, a que mais se beneficiava daquele boom comercial bilateral, é impossível crer que o jornal acreditava em seu próprio argumento de que Chávez representava uma ameaça para a economia brasileira e latino-americana", aponta Vold em seu livro.

"O certo é que tal desinformação, segundo o Wikileaks difundida repetidamente pelos jornais conservadores brasileiros, era uma contribuição importante para a estratégia dos EUA de romper a aliança Venezuela-Brasil-Argentina considerada coluna vertebral do novo projeto integracionista latino-americano", conclui.

Também na contracapa do livro, o autor, que é especialista em geopolítica internacional com ênfase na relação entre os EUA e os governos progressistas da América Latina, destaca a relação exposta nas revelações do Wikileaks entre a mídia corporativa e os interesses de Washington.

Os documentos publicados pelo Wikileaks são uma "evidência comprovada de que a atuação de muitos dirigentes políticos, meios de comunicação e jornalistas em busca de desestabilizar os governos populares e legítimos com tendência de esquerda se fez e se mantém em plena harmonia, coordenação e articulação com as embaixadas dos EUA na América Latina".

 


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