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Breve história do Dia Internacional do Trabalhador

01.05.2016
 
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Vamos fazer uma viagem. Da celebração pagã de fertilidade, Beltane... passando pelo festival romano de Florália, para a luta para a jornada de 8 horas nos Estados Unidos da América, nos fins do século XIX onde nasceu o Dia Internacional do Trabalhador e sua internacionalização.

Beltane, Festival da luz

Beltane (ou Bealtaine ou Cetsamhain) é o nome do Festival da Luz dos Celtas britânicos, indicando a morte do Inverno e o início da Primavera, celebrado neste dia. É uma festividade de fertilidade, simbolizando a união das forças masculinas e femininas e foi celebrado pelo acto de acender uma fogueira nova – nova vida. O gado atravessava a fogueira ou o seu fumo e os jovens saltavam por cima das chamas para serem protegidos com nova vida.

Florália

O início de Maio também foi uma altura importante para os romanos. Eles celebravam o festival da Flora, Deusa das Flores (em português, deriva a palavra "folar", pão de Páscoa, desta origem). A celebração da Flora foi o Festival da Florália, que durava 5 dias desde 28 de Abril até 2 de Maio. Durante a Idade Média em toda a Europa, esta altura era celebrada com cantares e danças. As populações iam às florestas trazer uma árvore para o centro da aldeia/vila, tiravam os ramos e as folhas e o tronco era o centro das atenções – as pessoas dançavam à volta dele.

Celebrações de Maio no Novo Mundo

Estas formas europeias de celebrar o início do ano de plantações/fertilidade atravessaram o Oceano Atlântico e embora fossem reprimidas pelos Puritanos, sobreviveram entre os povos do Novo Mundo.

Como nasceu o Dia Internacional do Trabalhador?

E foi nos Estados Unidos da América que nasceu o movimento laboral que iria escolher este dia para celebrar as suas reivindicações. As associações e sindicatos de trabalhadores organizavam-se durante o século XIX e começaram a lutar contra deploráveis condições de trabalho – entre 10 a 18 horas por dia e em alguns casos, sem qualquer segurança. Em algumas indústrias, a esperança de vida entre os trabalhadores nem chegava aos 25 anos!

Os sindicatos/associações formavam a Federação de Ofícios e Sindicatos Laborais Organizados (FOTLU), mais tarde a Federação Americana de Labor, que na sua Convenção Nacional em Chicago em 1884, proclamou que a partir do dia 1 de Maio de 1886, a jornada seria de oito horas. FOTLU anunciou que iria iniciar uma série de manifestações e greves para aplicar pressão nas autoridades no sentido de forçá-las a implementar o novo regime de trabalho. Entretanto o movimento laboral foi brutalmente reprimido pelos agentes de segurança Pinkerton e as forças policiais.

Quando chegou o dia, 1 de Maio de 1886, cerca de 300.000 trabalhadores em 13.000 firmas entraram em greve. Chicago foi o epicentro do movimento laboral e nomes como Louis Lingg, Johann Most, Albert Parsons e August Spies estarão para sempre ligados a este dia. As greves e o ambiente revolucionário criado pelas várias facções ligadas ao movimento laboral continuaram durante os dias 2 e 3 de Maio, mas em clima de paz. Tudo iria mudar, porém, no dia seguinte.

Massacre de Haymarket

Devido à crescente brutalidade das autoridades contra o movimento pacífico laboral, os operários decidiram organizar uma conferência pública na Praça de Haymarket (Harmarket Square) em Chicago no dia 4. O orador principal, August Spies, falava à multidão de operários e suas famílias, incluindo muitas crianças, nos direitos de trabalho. Testemunhas oculares, incluindo o Prefeito de Chicago, declararam que nunca usou qualquer palavra inflamatória e nunca fez qualquer apelo à violência.

No entanto, as forças policiais começaram a carregar de forma violenta contra a multidão; alguém (não se sabe se foi um operário ou um agent provocateur próximo das autoridades) arremessou uma bomba artesanal contra os policiais e estes, por sua vez, abriram fogo contra os operários e suas famílias.

Oito líderes anarquistas foram presos e acusados de instigarem a violência e os jurados (escolhidos entre o tecido corporativo de Chicago) acharam-nos culpados. Quatro foram enforcados e um (Lingg) suicidou-se na sua cela na noite antes do seu enforcamento em Novembro de 1887. Os outros três foram perdoados seis anos depois devido à grande injustiça do processo extra-judicial.

Nunca foi adoptado nos Estados Unidos da América como feriado nacional, mas o movimento operário e suas reivindicações ecoaram pelo mundo fora, onde o dia 1 de Maio começou a ser foco de manifestações a favor dos direitos dos operários. A Internacional Socialista proclamou-o o Dia Internacional do Trabalhador em 1889.

Em 1890, manifestações no dia 1 de Maio eram já generalizadas, na Irlanda, na Rússia, no Brasil, no Chile, Peru, Cuba… O dia tornou-se feriado nacional no Brasil em 1925 (Decreto-Lei do Presidente Arthur Bernardes) e a legislação de Getúlio Vargas na década de 1930 introduziu a jornada de oito horas e o direito a férias. Em Portugal, os operários tinham de esperar até quase meio século mais tarde, pela Revolução do 25 de Abril de 1974...

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

tem trabalhado como correspondente, jornalista, editor-adjunto, editor, editor-chefe,  gerente de projeto, diretor, diretor executivo, sócio e proprietário de publicações diárias, semanais, mensais e anuais impressos e on-line, emissoras de TV e grupos de mídia impressos, difundidos e distribuídos em Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe; tem contribuído para a publicação do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, Dialog e tem escrito para o Ministério das Relações Exteriores de Cuba nas Publicações Oficiais.

Passou as últimas duas décadas em projectos humanitários, ligando comunidades, trabalhando para documentar e catalogar línguas, culturas, tradições em vias de desaparecimento, trabalhando para formar redes com as comunidades LGBT, ajudando a criar abrigos para vítimas abusadas ou assustadas e como Media Partner da ONU Mulheres, trabalhando para promover o projeto UN Women para lutar contra a violência de gênero e de lutar por um fim ao sexismo, racismo e homofobia.

Vegano, é também Media Partner da Humane Society International, lutando pelos direitos dos animais. Ele é diretor e editor-chefe da versão em Português do Pravda.Ru desde o lançamento em 2002.

 


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