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Raul Reyes assassinado

01.03.2008
 
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Raul Reyes assassinado

Informações chegadas a PRAVDA.Ru baseadas em fontes oficiais na Colômbia descrevem uma batalha em que 17 guerrilheiros das FARC foram mortos, entre os quais Raul Reyes, (nome de nascimento Luis Edgar Devia) porta-voz para relações externas do movimento progressista colombiana. Estas informações citam o Ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos , que disse que foram abatidos no lado equatoriano da fronteira.

Acrescentou o Ministro que os corpos foram retirados do local. O Ministro também declarou que houve um bombardeamento aéreo contra um campo de guerrilhas (Frente 48 das FARC) no território do Equador, a 1.800 metros da fronteira.

Rafael Correa, Presidente do Equador, confirmou que tinha sido avisado das intenções das forças militares colombianas.

Raul Reyes foi uma grande figura nas FARC, que liderou as negociações de paz com Presidente Andrés Pestrana entre 1998 e 2002. Sempre esteve à procura de uma solução política e negociada, como se pode confirmar pela entrevista que incluímos abaixo.

Raul Reyes foi das primeiras figuras internacionais a abraçar o projecto da PRAVDA.Ru em português, mesmo quando ainda eramos pouco conhecidos, no lançamento do projecto em 2002. Morreu sabendo que tinha razão, porque lutava para uma causa social e política, que procurava a paz e uma solução negociada ao conflito mas que não iria deitar fora os esforços feitos ao longo de décadas, de construir uma sociedade progressiva na Colômbia, por se render.

Raul Reyes e seus companheiros morreram como heróis. A luta continua, a causa continua, seus sonhos e projectos continuam e o seu desaparecimento será apenas físico e nunca em vão.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Entrevista exclusiva com Raul Reyes (Abril de 2005)

01. Senhor Comandante, apresentamos-lhe a saudação do Portal Pravda em português.

R/ Em nome dos Comandantes e Combatentes de nossa organização revolucionária, agradeço a saudação que nos enviam. Da mesma maneira, saudamos a Direção do Portal Pravda em Português, seus colaboradores, leitoras e leitores. Com certeza os povos de língua portuguesa estão de parabéns. Recebam, pois, amigos desse Portal nossas felicitações por tão importante trabalho jornalístico.

02. A muitas pessoas no mundo, os grandes meios de comunicação têm-lhe formado uma opinião negativa sobre as FARC-EP por meio da difusão permanente de meias verdades, mentiras e calúnias. É importante que você explique esta situação e exponha algumas verdades.

R/ A campanha midiática, cuja origem está nos sucessivos governos dos Estados Unidos da América do Norte, não é somente contra nós, e sim contra todas e todos aqueles que promovam, por qualquer meio ou mediante qualquer forma de luta, a conscientização de nossos povos que precisam conhecer sua verdadeira História, a situação atual (o presente) e também o que estamos chamados a ser (o futuro).

A consciência e o compromisso político de transformar a realidade latino-americana são determinantes para o processo de libertação que está tomando novos ares em nossa Grande Pátria América. Por isso trabalhar pelo conhecimento de nossa realidade continental, pela integração e pela unidade latino-americana, por nossa identidade de povo formado por uma mestiçagem excepcional, possuidor de costumes, culturas, hábitos, credos, etc. que têm raízes comuns, é uma tarefa fundamental na luta pela Segunda e Definitiva Independência. E como se trata de lutar contra o Império que nos tem dominado de maneira brutal e violenta, é quase óbvio que haja não somente a difusão permanente de meias verdades, mentiras e calúnias, mas também uma política de extermínio contra todos aqueles que lutem por mudanças profundas na América Latina, incluindo, claro está, os revolucionários. Felizmente os povos não engolem isso inteiramente, estão aprendendo a discernir e a identificar de maneira precisa o seu inimigo principal e a levantar-se, primeiro, em luta para construir um destino que lhes possa garantir o maior grau de felicidade possível, como nos ensinou Bolívar e, segundo, em defesa de seus líderes, como no caso venezuelano. Já lhe disse várias verdades, companheiro jornalista.

03. Em termos militares qual é a situação atual, quando têm passado vários anos de aplicação do Plano Colômbia e agora o Plano Patriota, que, pelo que entendo, obedecem àquela cadeia de planos de guerra contra o povo colombiano, montados pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte desde meados do século passado.

R/A política imperialista para a América Latina e o Caribe desde meados do século passado possui a característica de ingerência à mão armada, ou seja, a diplomacia da força, da imposição, da chantagem, da perseguição, do terrorismo de Estado e do magnicídio. Tudo isso concebido dentro de planos militares concretos. A razão é muito simples, o Império não tem amigos, tem interesses. Vejamos: “Os países em desenvolvimento com imensas dívidas externas devem pagá-las com terra, com riquezas. Que vendam suas selvas tropicais” (frase dita por George W. Bush, candidato à presidência dos Estados Unidos, durante um debate com Al Gore, Washington, 2000). Outra: “As nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei àquilo que é comum a todo o mundo. As companhias ecológicas internacionais que buscam a limitação das soberanias nacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandística para dar início à fase operativa, que pode definitivamente ensejar intervenções militares diretas sobre a região” (John Major, primeiro-ministro da Inglaterra, Londres, 1992)”.

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