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Cartolas do futebol mundial são presos por corrupção na Suiça; um brasileiro está no meio

29.05.2015
 
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A polícia suíça fez uma operação surpresa e cinematográfica  e prendeu, por corrupção, em um hotel de luxo de Zurique, 14 pessoas, sendo nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de marketing esportivo internacional.

A policia invadiu hotel cinco estrelas e efetuou as prisões. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, é um dos presos. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, não está entre os presos, mas dizem estar sob investigação dos Estados Unidos.

A Fifa está sob duas investigações distintas: uma dos Estados Unidos e outra da Suiça.

Os presos podem ser extraditados para os Estados Unidos. O Departamento Federal de Justiça suíço informou que está questionando 10 dirigentes sobre a votação para escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022. Uma nota oficial da Advocacia-Geral do país informou que procedimentos criminais foram abertos sobre o caso.

Delegados de quase todas as federações de futebol ao redor do mundo estão em Zurique para o congresso da FIFA, marcado para esta sexta-feira (28/05), no qual Joseph Blatter tentaria buscar seu quinto mandato como presidente da entidade.

As acusações foram baseadas numa investigação do FBI, a Polícia Federal Americana, que começou em 2011 e apontam corrupção generalizada na FIFA nos últimos 20 anos, envolvendo a disputa pelo direito de sediar as Copas da Rússia (2018) e Catar (2022), além de contratos de marketing e televisionamento. O rival de Blatter na eleição, o príncipe saudita Ali Bin Al Hussein, comentou para a emissora inglesa BBC: "Hoje é um dia triste para o futebol. É uma história em andamento, cujos detalhes ainda estão aparecendo".

Fontes da justiça americana dizem que 14 pessoas ligadas à FIFA serão indiciadas por crimes como fraude, lavagem de dinheiro e extorsão.  Eles seriam o citado Webb (Ilhas Cayman), vice-presidente da comissão executiva e presidente da Concacaf; Eugenio Figueredo (Uruguai), que também integra o comitê da vice-presidência executiva e até recentemente era presidente da Conmebol; Jack Warner (Trinidad e Tobago), ex-vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Concacaf, acusado anteriormente de inúmeras violações éticas; Julio Rocha (Nicarágua), presidente da Federação Nicaraguense; Costas Takkas; Rafael Esquivel; Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol; e o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Outro já identificado é Eduardo Li, presidente da Federação da Costa Rica. Após ser apreendido, o dirigente foi conduzido por policiais juntamente com sua bagagem e imediatamente deixou o hotel por uma porta lateral. Além dos dirigentes, cinco executivos de marketing também serão indiciados.

A Justiça Suíça divulgou nota oficial informando que seis acusados foram presos e aguardarão processo de extradição para os EUA. Segundo a nota, as autoridades americanas acusam os suspeitos de receberem milhões de dólares em subornos. As escolhas de Rússia e Catar como sedes para as duas próximas Copas (2018 e 2022) podem ser o tema central das investigações.

Joseph Blatter não está entre os acusados, porém seu nome figura na lista de investigados pela polícia. Segundo informações da TV americana "CNN", o FBI já vinha atuando sobre o caso há cerca de três anos.

A operação surpresa foi realizada por policiais à paisana, que se dirigiram ao balcão de registros do Hotel Baur au Lac e, já de posse das chaves, subiram aos quartos dos suspeitos, efetuando as prisões.

Todos os acusados responderão, entre outras, por fraude eletrônica, extorsão e lavagem de dinheiro.

O escândalo das detenções em Zurique pode comprometer a tentativa de reeleição de Blatter à presidência da Fifa. O objetivo do dirigente era deixar encaminhado o acerto para o seu quinto mandato à frente da entidade maior do futebol mundial.

Quatorze pessoas - nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de marketing esportivo - são acusados de crimes como extorsão e lavagem de dinheiro. As três principais linhas de investigação são:

1 - o pagamento de propina dos organizadores das copas da Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022, a dirigentes da Fifa para garantir que os países fossem escolhidos como sedes.

2 - o superfaturamento do contrato da CBF com uma empresa de fornecimento de material esportivo.

3 - a compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo dos seguintes campeonatos: Copa América Centenária, edições da Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil (torneio de clubes brasileiros).

A investigação acusa empresas de marketing esportivo de pagamento de propina a confederações donas originais desses direitos. Não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão das partidas e dos campeonatos.

A investigação americana é conduzida há três anos pelo FBI e abrange casos de corrupção na Fifa durante os últimos vinte anos. O esquema de corrupção teria movimentado mais de US$ 150 milhões. Todos os presos serão extraditados para os Estados Unidos.

O Departamento de Justiça americano afirma que seis acusados já se declararam culpados, entre eles José Hawilla, que já está condenado no processo e é dono da empresa de marketing esportivo Traffic, que negocia direitos de competições com a Conmebol, Concacaf e a CBF. Hawilla é também acionista da TV Tem, uma das afiliadas da TV Globo.

Os cartolas presos podem pegar até 20 anos de cadeia, cada um. Segundo procuradora geral de justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch, o próximo passo do processo é a extradição dos presos, acusados de corrupção e desvio de verbas na ordem de 470 milhões de reais.

Já o procurador Kelly Currie, de Nova York, Estados Unidos, acrescentou que o processo de extradição é apenas o ponto de partida das investigações sobre o escândalo de corrupção na Fifa. "Quero ser claro que hoje é só o começo dos nossos esforços. Queremos continuar com a colaboração de todos que estiverem dispostos a trabalhar conosco em esforços contínuos para tirar o futebol desse esquema", afirmou.

As denúncias divulgadas pela Justiça americana incluem 14 acusados - nove dirigentes e cinco empresários - e foram executadas em ação conjunta do FBI e da polícia suíça. "Agradecemos às autoridades que fizeram as detenções. O próximo passo é que os réus cheguem aos Estados Unidos, e vamos pedir às autoridades suíças a transferência de custódia", disse a procuradora-geral Lynch.

De acordo com as investigações, as acusações de desvio de verbas se estendem há mais de 20 anos.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que os réus, e também a própria Fifa, estão envolvidos em irregularidades nas vendas de direitos comerciais de torneios, de contratos de empresas de marketing esportivo e de transmissão televisiva. (Com informações das agências internacionais de notícias).


 ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU

 


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