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Daniel Enriquez – Gerente Esportivo Do Club Nacional De Football De Montevidéu

25.06.2010
 
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Daniel Enriquez – Gerente Esportivo Do Club Nacional De Football De Montevidéu

O Club Nacional de Football acabou de comemorar 111 anos o dia 14 de Maio de 2010. Daniel Enriquez é Gerente Esportivo do clube desde 2005 tendo conquistado como jogador o Campeonato Sul-Americano Júnior de seleções na Venezuela 1977, a 4ª vaga no Primeiro Mundial Júnior na Tunísia deixando na reserva um herói do Grêmio, o Hugo De León. Além disso Campeão da América e do Mundo 1980 – 1981 com o Nacional. Confira agora o histórico dentro da grande área e fora do tapete verde.

PRAVDA: Se não me engano, do lado do José Luis «Pete» Russo foram os dois zagueiros titulares daquela seleção uruguaia juvenil na capital venezuelana. Quais as lembranças daquele Sul-Americano de Caracas e logo a Primeira Taça do Mundo Juvenil na Tunísia?

ENRIQUEZ: Vamos ver, cheguei no Nacional em 1973, houve um treino-teste do clube e tem alguma coisa a ver com a história do ano 1977 pois nessa turma também encontrei o Alberto Bica, o ponta direita da seleção juvenil uruguaia dessa geração, os dois nascidos no ano 1958. Aquele treino ocorreu numa quadra na frente do Cilindro Municipal, palco dos sucessos da seleção brasileira de basquete adulto no Sul-Americano de 1971. Felizmente ficamos os dois e daí para frente a gente continuou no clube na 6ª Divisão, 5ª Divisão e já na 4ª Divisão (categorias de base) fomos convocados da seleção juvenil uruguaia. O Alberto Bica e eu, éramos destaques desse time do Nacional, ele ponta direita e no meu caso zagueiro. Neste comentário tentei envolver esta história toda pois junto com Alberto, os dos conquistamos o título de Campeões de América e do Mundo perante o Internacional de Porto Alegre (05 de Agosto de 1980) e o Nottingham Forest da Inglaterra. Ancoramos na pré-seleção juvenil treinada por Dom Raúl Bentancor e como preparador físico o Professor Esteban Gesto que pela primeira vez tinha muitos jogadores vindos do interior do país. Acabamos montando uma turma boa, que jogou o Sul-Americano na Venezuela em 1977, pode ter certeza que foi a nossa primeira viagem, não tendo nessa data torneios Sub- 15 nem Sub-17, porém participar de uma seleção juvenil só poderia refletir em viagens até o interior, na Argentina ou no máximo até o Brasil. Viagem longa distancia era impossível de imaginar, fora que hoje numa Sub-20 viajam na prévia ao torneio e acabam fazendo pouso no próprio certame, como teria que acontecer sempre. Um mundo extremamente diferente ao atual.

Então, chegamos na Venezuela, posso me lembrar que na Argentina tinha aparecido o Maradona, com apenas 15 anos. É bom salientar que nós tínhamos 17 ou 18 anos. Aliás, nos ganhamos da Argentina 1 – 0 no Grupo e deixamos eles fora do Mundial e conquistamos o título vencendo aos chilenos. O que foi mesmo interessante para nós é que conseguimos classificar para o Primeiro Mundial Juvenil na Tunísia no finalzinho de 1977. Imagina só, carinhas de 18 anos que nunca tinham viajado, num piscar de olhos pegamos o avião duas oportunidades, primeiro rumo a Venezuela e logo na Tunísia, com escala prévia na Holanda treinando lá com antecedência á Taça do Mundo. Um país africano estranho pois é da faixa do Norte, não é «africano da gema», na beira do Mediterrâneo, mais turístico, bem mais semelhante ao esquema de país européio exótico do que africano mesmo. Da para entender? E no Mundial da Tunísia foi uma apresentação muito boa, alcançamos as Semis perante a Rússia, encerrando os 90 minutos de 0 x 0, logo houve tempo suplementar, pênaltis, chutei e furei as malhas, e falharam o Venancio Ariel Ramos (ponta direita) e Carlos Amaro Nadal (centro avante). Tendo perdido, ficamos com a chance do Bronze perante a seleção brasileira, fui expulso, Íamos perdendo o jogo e acabei reboleando a chuteira tendo ganho cartão vermelho mas acho que nós tínhamos perdido o objetivo que foi arvorar o caneco de Campeão do Mundo. Não dava nem para imaginar que nosso objetivo fosse viajar no Sul-Americano tentando classificar na Taça do Mundo, o nosso único alvo na Venezuela era trazer o caneco de Campeão e concretizamos, sem ficar apavorados e logo na Tunísia, na verdade, tal vez a juventude, quem sabe um outro momento do futebol, a valia da equipa, tínhamos um timaço e viajamos para sermos mais uma vez campeões. Foi perante os russos uma das Semis, um jogo super difícil, aconteceu um fato marcante no meu ver, um minuto antes do apito final do árbitro no tempo suplementar, houve alteração nos vermelhos da CCCP, entrando um goleiro extremamente alto e gigante para tentar defesas boas nos pênaltis. Acho que esse cara obstruía a cidadela toda ficando embaixo do travessão, porém acredito que foi um instante chocante para todos nós. Falhamos dois pênaltis e perdêramos a possibilidade de chegar na Final com os mexicanos. Logo veio Brasil, a derrota de 1 x 3 e fui expulso. Acho que não jogamos naquela média dos sucessos pois o objetivo tinha sumido no confronto com a Rússia. Uma experiência incrível...um mundo diferente. Hoje é difícil conquistar uma vaga na Taça do Mundo no Sul-Americano, e caso classificar alcançar ás oitavas é complicado. Aliás, nos ficamos bravos por não ter conquistado o objetivo de Campeões.

P: Jogadores dessa seleção Júnior do Brasil que logo foram destaques, lembra?

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