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Montevidéu tingiu-se Tricolor

23.03.2009
 
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Quanto teve a ver com o jogo, Nacional foi bem mais do que o River Plate quase que no decorrer do jogo inteiro. Na primeira metade, foi típico de Libertadores (não precisa nem falar disso, não é?) levando em consideração que foi o Nacional quem tentou alcançar sempre o primeiro grito de gol e atingindo os 40 minutos, uma bola para o «Cacique» Medina (09) no eixo da área pequena, ele não consegue detê-la ficando para o Álvaro Fernández (22), que magrinho que nem palito mas craque que só ele, chuta de perna direita fazendo «sofrer» a torcida local pois antes de entrar na cidadela argentina, bate na coluna direita do guardiã Barbosa. Logo, sim, felicidade tricolor. 1 x 0.

Na hora que o Nacional ficou sossegado no campo, mantendo o controle do jogo, houve uma mudança importante para movimentar o esqueleto da partida. O Sergio «Chapita» Blanco (11) pulou no gramado procurando ziguezaguear sempre rumo ao gol os defensores argentinos. No minuto 73´ foi ele quem na faixa central do campo, perto da grande área deu uma bola com certidão para o Nicolás Lodeiro (14) que com chute canhoto, raso, imperfeito e cruel, ia vencer o esforço do goleiro Mariano Barbosa (23), que dando um mergulho não consegue segurar a bola, e quicando devagar rebota na coluna esquerda para ultrapassar a linha de fundo além de mais um esforço do guardião argentino que não impede que o Estádio Centenario consiga explodir. Se por acaso o Barbosa tivesse «resolvido» essa bola ainda com muita dificuldade, o «Cacique» Medina estava respirando nas costas dele. Só por acaso, percebeu!!!

O River Plate tentou sempre tocar na frente mas encontrou uma muralha uruguaia na metade do campo que acabou impedindo eles progredirem até o guardião Muñoz. Muralha com muita espessura mas nem tão alta. O Oscar Javier «Ojota» Morales (21), um preto no eixo dos 30 que brilhou e continua cativando a cada dia mais os corações dos torcedores do «Bolso». Um «craque» do jeito que o futebol uruguaio gosta e precisa, com raça, muita raça, suando a camisa, indo e voltando inúmeras vezes de uma grande área para a outra e sem mostrar as travas da chuteira para o rival, fazer que os seus pés façam uma de imã recebendo todas as bolas que ficarem de perto dele. Noitada inesquecível para o OJOTA.

Descendo um degrauzinho apenas, Nacional mostrou mais dois grandes destaques, o goleiro Muñoz (25) e Álvaro «Magrinho» Fernández (22), que após o jogo de ontem, fez com que o treinador da seleção uruguaia, Maestro Oscar Washington Tabarez, colocaram-nos na tabela de jogadores «charruas» para os próximos jogos de olho na África do Sul 2010 perante os paraguaios em Montevidéu e Chile em Santiago.

Quanto ao guardião, bem simples...destacam-se inúmeras oportunidades na hora que tem chuva de bolas rivais caindo na grande área, pior ainda se for na área pequena, chutes fortes e precisos vindos de todas partes e resolvem ficando com todos, TODOS.

Ás vezes como no caso de ontem, o Muñoz pula alto e segura algumas bolas, defende alguns chutes difíceis mas isso tudo feito com classe, com tranqüilidade que reflete-se para todos cantinhos do Estádio. Os torcedores encontraram nele um guardião com muito futuro e também presente.

Álvaro Fernández...um jogador com estilo descontraído, desses que acabam incomodando defensores, requebrando e tanto vai progredindo em campo e fora isso é o fura-redes TRICOLOR uruguaio.

Foi grande a surpresa no entretempo no Setor de Imprensa. Um craque uruguaio dos decênios de 1970 e 1980, 1,92 m, primeiro com bigode e logo com cavanhaque tendo emigrado para o Santos, deu uma de comentarista do narrador Deva Pascovicci para Rádio Globo.

Deu no alvo? Rodolfo «Panteira» Rodríguez. Ele foi convidado pela Globo e tendo aceite, deu um pulo até o Centenario desde do Departamento (Estado) de Durazno, moradia atual do guardião uruguaio.

É bom salientar alguns canecos internacionais do Rodolfo antes da viagem para o Brasil. Nasceu no Clube Atlético Cerro de Montevidéu e estourou neste ambiente em 1975 tendo ganho o Sul-Americano Juvenil de Lima – Peru 1975, junto com uma turma de uruguaios que logo foram destaques pelo mundo todo. Hebert Revetria (famoso artilheiro no Cruzeiro de Belo Horizonte junto com o Nelinho), Juan Ramón Carrasco (ex treinador da seleção uruguaia), Ruben «Pico» Umpiérrez (saiu do Peñarol rumo á França sendo ainda muito novo), Alfredo de los Santos, Víctor Duque, Rafael Perrone e José María Muniz.

Os canecos internacionais arvorados pelo Rodolfo foram: Sul-Americano Juvenil 1975, Copa de Ouro (Mundialito de Campeões Montevidéu 1980), Campeão da Taça Libertadores de América 1980 naquela final perante os «colorados» gaúchos que acabou na conquista o 05 de Agosto de 1980 no Estádio Centenario com gol de Waldemar Victorino, tio do atual jogador BOLSO, Mauricio Victorino.

Logo veio a primeira final Intercontinental de Tóquio da história, perante o Nothingham Forest...essa também foi dele. Por incrível que pareça o Rodolfo não jogou nem um minuto numa Copa do Mundo pois mesmo sendo titular da seleção uruguaia, rumo á México 1986, uma lesão no ventre (o José «Charli» Batista camisa seis da seleção e também nascido no Clube Cerro em um treino no Centenario perante os «Grandões Uruguaios» deu com a chuteira na barrida dele e acabou machucando-o). Rodolfo acabou na reserva e o titular foi o Fernando Álvez. O terceiro goleiro foi o Celso Otero, amigo do Maestro Tabarez e treinador desta seleção uruguaia de hoje.

Do River Plate, um time histórico da Libertadores, que costumava atingir as finais em 1966, 1976, 1986 o seguinte:

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