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Gustavo Zerbino – Empresário, Presidente Da União De Ráguebi Do Uruguai E Sobrevivente Na Cordilheira Dos Andes 1972

21.12.2009
 
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Gustavo Zerbino – Empresário, Presidente Da União De Ráguebi Do Uruguai E Sobrevivente Na Cordilheira Dos Andes 1972

Gustavo Zerbino Stajano é Presidente da União de Ráguebi do Uruguai, um dos dezesseis sobreviventes do acidente aéreo da Cordilheira dos Andes em 1972, Gerente Geral de um laboratório uruguaio mas acima de tudo, um ser humano incrível. Conheça-o 37 anos depois da sua Hora H.

PRAVDA: Quem é o Gustavo Zerbino? Temos dois Gustavo a partir de Outubro de 1972? Ou Dezembro de 1972 gerou um outro Gustavo? Sua famiília? Esposa, filhos? Um dia na vida hoje?

GZERBINO: Sou produto do amor de uma família maravilhosa, meu pai um ser humano incrível, Jorge Zerbino que casou com a minha mãe, única namorada tendo apenas 14 anos, logo chegaram nove filhos, eu sou o quinto nessa fileira, quatro irmãos na frente e quatro nas costas, e tive o grandíssimo privilégio de gozar na vida do exemplo e atenção dos meus pais que foram incríveis mesmo. Tenho 33 primos e a CIBELES – www.cibeles.com.uy - é uma empresa familiar, foi fundada pelos cinco irmãos Zerbino com o Dr. Ruben Fostel em 1975 e no meu caso comecei na empresa em 1978 que deu início com um escritório aonde faziam- se notas fiscais e felizmente hoje é um dos laboratórios do agro mais importantes do país com uma Divisão Veterinária e uma Humana. Eu fico na frente da Divisão Farmacêutica faz quase trinta anos e sou Presidente da Indústria Farmacêutica Multinacional. Sendo criança, fui uma pessoa anti autoritária e muito rebelde tendo escolhido ser o «melhor -pior», fui o pior da turma na escola, acabei sendo expulso do Colégio Stella Maris – www.stellamaris.edu.uy - tendo completado nove anos, enfiei para o Colégio Seminário – www.seminario.edu.uy - mais dez anos e aí minha sorte foi bem melhor pois deu uma de homem de MKT confirmando para os freires que eu ia me formar como freire e me agüentaram até o final. Um ano antes do evento da Cordilheira, trabalhei na Castores de EMAUS (entidades que ainda hoje continua fazendo creche com doações) pois tinha uma vocação de serviço muito grande e construíramos casas para MEVIR pelo interior do país todo, sistema cooperativo de ajuda mútua, com um Diretor Espiritual jesuíta que foi o Pablo Touyá e foi tanta minha vocação de serviço que achei mesmo ia me formar como freire. Por enquanto, acabei o namoro com a minha namorada e antes de subir naquele avião tinha feito uma revisão da minha vida...ou seja achei que houve alguma coisa estranha. Porém o dia 13 de Outubro de 1972 pegamos o avião rumo a Chile tendo como objetivo jogar uma partida de ráguebi na terrinha do Presidente Salvador Allende, o primeiro governo socialista eleito de forma democrática, uma grande experiência para nós nessa época, fora que o dólar não era caro e a mulherada era linda mesmo. Essa foi a premissa de uma turma de jovens no eixo dos 18, 19, 20, 21 e até 23 anos que montamos um vôo charter. A vida e as circunstâncias fizeram que o avião explodisse na montanha começando viver uma experiência que foi um soluço existencial. Permitindo nos conhecer os limites mais extraordinários do ser humano, o que tem a ver com o confronto com a natureza, o caos, a desolação, a solidão, a morte, o frio, temperaturas cruéis e tocar na frente que acabou gerando logo, livros, filmes, tentando colocar o branco acima do preto quanto ao que aconteceu na realidade pois continua sendo misterioso difícil de explicar. Nasci o 16 de Maio de 1953 e tinha completado 19 anos alguns meses antes que o avião caísse.

P: Sua mãezinha ainda vive, não é? Ela continua morando na casa na qual o recebeu em Dezembro de 1972? Percorre-a com carinho?

GZERBINO: Nós morávamos na rua Viña del Mar 6828 no bairro Carrasco, foram quase quarenta anos lá e á medida que os filhos íamos casando a casa ia ficando a cada dia mais grande para os nossos pais até que numa hora decidiram mudar-se para um apartamento na Rua Millington Drake, no qual a minha mãe ainda mora lá com 87 anos sendo uma mulher extremamente saudável contornada pelo amor de 33 netos e mais de dez bisnetos hoje.

P: O que acontece contigo na hora de passar pela porta daquela casa que você curtiu os anos de moleque?

GZERBINO: Faz alguns dias acabei dando uma conferência na qual estava como ouvinte o nosso Presidente da República eleito, Pepe Mujica e comentei que eu nasci em um bairro chamado Carrasco, com jardins, sem grandes contornando as casas e terrenos nos quais dava para encontrar vacas, capivaras e sem grades contornando as casas por causa da insegurança, quando conseguia deixar as garrafas de vidro do leite vazias naquela gaiola de ferro contendo umas dez unidades com a grana embaixo no jardim da casa no aguardo do cara que trazia as garrafas lotadas de leite para o dia seguinte, a bicicleta ou a bola de futebol no próprio jardim e ninguém e ninguém mexia. Era uma grande família, o cara da bancas que levava o jornal em casa, o padeiro, o leiteiro, foram todos eles integrantes da família. Nesse ambiente transcorreu a nossa criancice, e agora é um bairro lotado de muros, grades, tendo perdido aquele contato com a natureza, a liberdade, e a anarquia de sair de casa tendo o mundo ao dispor.

P: Um jornalista perguntou para a turma dos Andes se foram 72 ou 73 dias e um de vocês confirmou que com certeza ele não tinha ficado um dia lá na neve, caso contrário um dia não teria sido apenas 24 horas para ele.

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