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Palestra de Edu Montesanti aos Jogadores Infantis de Limpio, Paraguai

21.01.2017
 
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Palestra de Edu Montesanti aos Jogadores Infantis de Limpio, Paraguai - Trechos*


(...) O esporte é indissociável do respeito, da determinação, da solidariedade e da disciplina, o que inclui boas noites de sono e boa alimentação. Não existe futebol sem qualquer um desses componentes; o jogador que não segue tal caminho, inevitavelmente não irá longe na carreira, apenas se for um craque excepcional, uma rara exceção - mesmo assim, alguns grandes craques que não trilharam por esse caminho renderam e conquistaram menos, bem menos do que poderiam (...). 

Acatar as orientações do professor Alejandro [técnico] é o caminho mais seguro para o sucesso: conhece futebol e já passou por tudo o que vocês estão passando agora. Ele só quer o bem, o melhor para vocês. A vitória de vocês é a dele também, e é esse espírito de união e companheirismo que o jogador de sucesso precisa ter (...).

[É falado, com espaço para perguntas de jogadores, direção técnica, jornalistas e "avó tiete" de jogador presente no bate-papo, sobre alimentos fundamentais, aqueles que devem ser evitados e os que, se possível, nunca devem ser ingeridos. Foi falado também sobre a importância fundamental do sono noturno, e os perigos do álcool e do vício em drogas, com perguntas]

Vocês precisam correr atrás da bola como se estivessem correndo atrás de um prato de comida, morrendo de fome (...). Vocês não devem ser violentos jamais, isso só prejudicará a vocês mesmos. Quando tinha a idade de vocês, eu era muito violento no campo e isso só me distraiu de jogar todo o meu futebol, e acabou gerando inimizade. Por outro lado, como exige qualquer modalidade que envolva choque, contato, devem jogar duro, mas ser duros não contra o adversário e sim na bola, a fim de preservar a vocês mesmos - o jogador frouxo sempre se lesiona, inevitavelmente. O tempo ensinará como jogar duro sendo leal, e esse tipo de jogo deve ser praticado (...). 

Quando passei a ter uma vida intimamente ligada a Jesus, Ele deu muita paz e transformou minha vida: deixei de ser violento em campo e passei a render mais até nos treinos. Deus nos dá muita força, inclusive se as coisas não acontecem como esperamos: Ele nunca nos deixa, e é isso que faz a diferença, dessa segurança vem a paz de espírito que o jovem esportista mais precisa, assim como qualquer ser humano (...). 

O respeito às diversidades deve fazer parte da vida de todos, principalmente do atleta que pratica esporte coletivo. Mas estamos aqui para contar nossas experiências e o que acreditamos: todos nós erramos, sempre cometeremos erros na vida e foi por isso que Jesus morreu na cruz, para pagar o preço dos pecados de cada um de nós, o preço altíssimo que nós deveríamos pagar, e nos ajudar a errar menos, a ser melhores como pessoa. Nossos pecados nos afastam de Deus, mas quando somos perdoados por Jesus, voltamos a ter paz com Deus e nosso caminho é perfeito. Tentaram, com algum sucesso, fazer do Evangelho uma mera tradição religiosa, mas na verdade se trata de uma relação entre o ser humano e seu Criador, e nós não fomos criados para viver distantes Dele.

[É perguntado pela "avó tiete" sobre a importância dos estudos] É fundamental estudar. O jogador que estuda está melhor preparado para as dificuldades da vida, e esse preparo influenciará muito positivamente dentro de campo. Até nas jogadas, os estudos fazem diferença: dá capacidade de antever as jogadas, de quando a bola vier você já saber o que fará com ela. Com os estudos, você adquire maior equilíbrio mental, e o futebol é puramente psicológico. Digo isso por mim mesmo: quando tinha a idade de vocês eu não queria nem saber de escola, dava risada, mas como me arrependo... Me arrependo muito por não ter ouvido pessoas que me diziam o que estou lhes dizendo hoje... Eu não teria perdido tanto tempo na vida. 

A carreira no futebol é curta para todos, e talvez nem todos aqui brilhem como se espera; em ambos os casos, mais ainda se não se for longe na carreira o estudo fará toda a diferença no futuro de vocês, como está fazendo na minha. Estamos em uma época em que as pessoas estão muito bem informadas sobre tudo, cada vez mais cedo, e quem não se dedica à leitura e não tem um bom desempenho na escola, acaba ficando para trás, mesmo dentro do futebol. Uma das melhores coisas que fiz, foi um dia me conscientizar e dedicar aos estudos. Se não fossem os estudos, talvez eu estivesse vendendo limão em alguma esquina hoje. Mas os estudos me garantiram o futuro e o respeito das pessoas (...).

Mulher fácil é ilusão, não gosta do jogador, mas do que ele tem. No caso de vocês, ainda jovens, esse tipo de menina não gosta de vocês, mas do que espera conseguir de vocês em um futuro próximo, contando que serão jogadores de destaque. Se não fosse você jogando agora, estaria outro em seu lugar e essa mesma menina não estaria atrás de você lá, estudando em casa, mas atrás do outro que estivesse em seu lugar aqui. No momento que vocês mais precisarem - na fase de contusão, do banco de reservas ou sem time para jogar - elas correrão de vocês, não estarão ao seu lado apoiando, e o golpe psicológico causado por isso é muito forte, já acabou com a carreira de muito craque. O preço dessas brincadeiras pode ser muito alto, e deve-se tomar muito cuidado com os envolvimentos emocionais (...).

[É perguntado por um jornalista se o jogador deve dar ouvidos ao que vem de fora do campo] Dentro de campo, esqueçam qualquer coisa que venha de fora, tanto da torcida quanto dos jornalistas - muitos destes além de não entenderem nada de bola, gostariam de estar no lugar de vocês mas não têm talento, e encherão o saco de vocês por isso. Fiz faculdade de Jornalismo no Brasil, aqui ao meu lado há jornalistas, e nós podemos dizer: joguem a bola de vocês e esqueçam jornalistas! Deem as entrevistas que lhes solicitarem mas falem pouco, saibam que qualquer coisa de mais que disserem poderá, em algum momento, ser usada contra vocês; mantenham boa relação com os jornalistas como com todos sempre que possível, mas não se preocupem com o que eles dizem, se puderem nem leiam jornais para saber o que estão dizendo: esqueçam jornalistas! (...).

Quanto à torcida, você deve estar totalmente concentrado no jogo, fechar-se em relação a qualquer coisa que venha de fora (...). Desenvolver a capacidade de concentração é uma das principais chaves de vitória do atleta (...). Os que vaiam hoje serão os mesmos que aplaudirão e pedirão autógrafo amanhã, no próximo gol que vocês fizerem. Eles adorariam estar no campo jogando no lugar de vocês, por isso cada um aqui deve valorizar o espaço que lhe é dado, e concentrar-se totalmente nisso (...). 

Vocês não serão pagos nem cobrados de todos os lados para dar bonitas entrevistas, nem para agradar a torcida nem ninguém, mas serão pagos e muito pressionados para produzir dentro de campo. Certa vez, no Centro Olímpico de São Paulo, no Brasil, eu li palavras em um quadro na sala do diretor que diziam algo assim: "O segredo do sucesso não tenho, mas a do fracasso eu tenho e lhe dou: querer agradar a todo mundo" (...).


Entrevista de Edu Montesanti à rádio de Limpio após a palestra - trechos:

Os jogadores prestaram atenção, demonstraram muito interesse em cada ponto da conversa, participaram e, juntando tudo isso às informações passadas a mim pelo professor Alejandro sobre eles, acredito firmemente nos frutos dessa conversa de hoje (...). 
Confirmou-me o que conheço do jogador paraguaio, também muito admirado no Brasil como humilde e obediente - principalmente após as passagens de Romerito, Arce e Gamarra pelo futebol brasileiro; eles são muito queridos e admirados em meu país (....). O sucesso do Paraguai na Copa do Mundo [meses antes, na África do Sul] deve-se não apenas ao talento, mas também a esse espírito do jogador paraguaio (...).
Demos orientações sobre alimentação saudável, bebidas alcoólicas, sono noturno, falamos sobre drogas, motivação, disciplina e valores pessoais (...). 
Tenho um carinho muito grande pelo Paraguai, e pela maneira como sempre me recebeu este país. Um abraço a todo o povo paraguaio, e muito obrigado.

* Transcrição de trechos da palestra dada antes do último treino para jogo das quartas-de-final do campeonato nacional infantil de seleções (jogadores de 14 e 15 anos de idade). No dia do jogo, domingo 11 de dezembro, do vestiário minutos antes do time entrar em campo, o técnico Alejandro Jara ligou do seu telefone celular e colocou alguns jogadores para falar conosco, a fim de recordá-los a conversa de sexta e motivá-los. A equipe venceria por 3 x 0 e, imediatamente após a partida, o sr. Ale ligaria novamente, entusiasmadíssimo: "(...) A equipe rendeu muito, ganhamos por três a zero e estamos classificados, Edu!".

 


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