Pravda.ru

Desporto

Futebol e cinema

19.11.2017
 
Futebol e cinema. 27695.jpeg

Está nas telas dos cinemas, o filme Borg x MC Enroe, dramatizando o jogo final de Wimbledon, em 1980, entre o sueco Bjorn Borg (Sverrir Gurdnason) e o americano John Mc Enroe (Shia La Beouf)

O cinema, principalmente o norte-americano, já usou muitos esportes para criar  filmes inesquecíveis, mas quase sempre são esportes individuais. Uma das razões para isso é a dificuldade de recriar na tela, por exemplo, um jogo de futebol que tenha o mesmo realismo que os espectadores se acostumaram a ver nos campos de futebol ou nas coberturas pela televisão.

Assim, também são poucos os filmes de qualidade sobre o basquete e o basebol, esportes típicos dos Estados Unidos.

Já o boxe, talvez pelo fato de dramaticamente superar o seu aspecto apenas esportivo, já nos deu grandes filmes.

Martin Scorcese dirigiu o Touro Indomável, em 1980, biografia romanceada de Jake La Mota, com Robert de Niro e Clint Eastwood, fez a Menina de Ouro, em 2005, com Hillary Swank, dois filmes para serem lembrados para sempre.

Até as corridas de automóvel foram tema de um grande filme, Grand Prix, de 1966, com direção de John Frankenheimer

Mas, em esportes coletivos são poucos os exemplos na cinematografia do mundo inteiro de bons filmes.

O Brasil, sempre dito como o país do futebol, tem poucos filmes que mereçam ser lembrados, além de Os Boleiros, Era Uma Vez o Futebol, de Ugo Georgetti de 1998 e Heleno, de José Henrique Fonseca, de 2012, com Rodrigo Santoro.

Já documentários sobre o futebol são muitos, envolvendo figuras famosas, principalmente Pelé e Maradona.

Nesse campo, parece que os argentinos nos levam vantagem com o clássico Maradona by Kusturica, dirigido pelo sérvio Emir Kusturica,em 2008.

Os ingleses, que inventaram o futebol, fizeram alguns filmes sobre esse esporte, mas o único grande destaque é Á Procura de Eric, de Ken Loach, de 2009, contando mais a paixão de torcedores do Manchester United pelos "Reds" do que as jogadas de Eric Cantona.

Filme mesmo, feito para usar um jogo de futebol como base dramática, para o desenrolar de uma história, foi A Fuga para a Vitória (Escape to Victory) que o grande John Huston (1906/1987) dirigiu.em 1981.

Huston, durante sua longa carreira, além desse filme, dirigiu dezenas de outros, alguns deles, fundamentais na história do cinema americano, como Relíquia Macabra (O Falcão Maltês), Moby Dick, Moulin Rouge, Glória de um Covarde, Uma Aventura na África, Os Desajustados (Misfits), Cassino Royale, a Cidade das Ilusões, O Segredo das Jóias, Freud (com Montgomery Clift) e o Tesouro de Sierra Madre.

A história de Fuga para a Vitória é inspirada num fato real: um improvável jogo de futebol entre um time do exército nazista e outro, formado por prisioneiros  de vários países que estavam em campos de concentração na Europa.

Max Von Sydow, o grande ator sueco dos filmes de Bergman, é o Major Karl Von Steiner, que no passado havia jogado futebol na Alemanha, e que agora pretendia enfrentar e derrotar uma seleção formada por prisioneiros para comprovar a supremacia ariana.

Michael Cane é o capitão inglês John Colby, que também tinha sido jogador de futebol no passado.

Ele é encarregado de reunir ex-atletas, nem todos craques de futebol, para formar uma equipe, com um objetivo oculto dos alemães, o de aproveitar o fato de que o jogo seria realizado no Estádio Colombes, em Paris, para um plano de fuga.

A curiosidade é que ex-jogadores famosos participaram do filme, como o brasileiro Pelé, vivendo um prisioneiro de Trinidad-Tobago, o argentino Ardiles e o inglês Bobby Moore.

Astro de cinema de verdade, além de Cane e Von Sydow, foi Sylvestre Stallone, que desempenhou e bem, segundo se pode ver, o papel de goleiro da equipe de prisioneiros.

A propósito do filme sobre o tênis, que deu início a esse texto, como ele conta uma história verdadeira, documentada amplamente na época,Borg, chamado pela imprensa de Ice Borg pela sua frieza,derrotou McEnroe na final de 1980, sagrando-se penta campeão de Wimbledon, mas foi derrotado na final do ano seguinte pelo mesmo Mc Enroe.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


Loading. Please wait...

Fotos popular