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Defender Scolari

15.09.2007
 
Defender Scolari

Luiz Felipe Scolari envolveu-se com Ivica Dragutinovic no final do jogo Portugal-Sérvia na quarta-feira à noite. “Lamentavel” foi a palavra mais utilizada nos meios de comunicação em Portugal. E se deixássemos de lamentar, e sim, apoiar o Felipão?

Por qualquer razão, Felipão foi campeoão mundial. Nasceu no seio de uma família de futebol (seu pai Benjamim foi considerado um dos melhores defesas do Brasil), depois de uma carreira razoavel de jogador que incluiu um campeonato alagoano, como treinador ganhou praticamente tudo que havia para ganhar. Em 1987, levou o Grêmio so tricampeonato gaúcho, ganhou a Copa do Brasil com Criciúma, ganhou a Taça Libertadores da América com Grêmio em 1995, ganhou o campeonato brasileiro em 1996, ganhou a Copa do Brasil outra vez em 1998 com Palmeiras, venceu o Libertadores outra vez em 1999. Conquistou o pentacampeonato do Brasil na Copa do Mundo em Coreia/Japão em 2002.

Em Portugal, levou a equipa pela primeira vez à final da UEFA (2004) e ao quarto lugar do Mundial em 2006 (a melhor classificação desde que Portugal passou ao terceiro lugar no mundial em 1966, sob o comando de outro técnico brasileiro, Otto Glória).

E por quê é que Luiz Felipe Scolari ganhou tantos títulos? Porque desde sempre, se empenha com raça, dedicação, amor à camisola, garra, espírito, atitude e trabalho, sete palavras chave para o sucesso no futebol de hoje. Quando Portugal contratou Luiz Felipe Scolari, contratou um campeão, contratou também um Homem e contratou um ser humano.

Como campeão, Scolari, o sargentão, soube impor os seus valores sobre o grupinho de fedelhos (geração de ouro) que herdou de António Oliveira, técnico em Coréia/Japão que, se tivesse prestado mais atenção ao balneário do que às bengalas (que usava sem qualquer razão, senão “show-off”), teria tido mais êxito.

Felpião transformou uma cambada de prima-donas em homens, mandou dois murros na mesa para retirar por completo a cultura de vedetismo que pairava sobre o grupo de trabalho da selecção nacional portuguesa, relegando para o passado incidentes do tipo “caso Saltillo” (quando a selecção nacional fez greve durante a estadia no Mundial do México), do tipo do caso Sá Pinto/Artur Jorge (o jogador agrediu o seleccionador nacional durante uma sessão de treino) e no balneário antes do jogo Portugal/EUA no Mundial de 2002 (cenas de tensão/zaragatas), formando um grupo de trabalho, formando uma equipa.

Formando uma equipa, coisa que poucos portugueses sabem fazer, quer dentro, que fora do relvado, Felipão levou a selecção nacional e o povo português a novos horizontes, precisamente porque reúne as únicas qualidades pelas quais foi escolhido. Conseguiu unir o país atrás da equipa. Felipão não é português, é brasileiro. Não suporta fofoquices atrás das costas, não suporta vedetismos, não suporta faltas de confiança.

Felipão já mostrou a sua garra como técnico. Reagiu a uma provocação (Dragutinovic bateu no seu braço e chamou-o “hijo de puta”) como Homem e pediu depois desculpas pela sua reacção como ser humano. Se Portugal e os portugueses não cerrarem filas atrás deste técnico, Homem e ser humano especial, então pode concluir-se que nem o Felipão merece os portugueses, nem Portugal merece os serviços do Felipão.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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