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Como ganhar as Olimpíadas aqui no Rio de Janeiro

15.08.2012
 
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Eu compreendo que as Olimpíadas foram criadas em um momento distinto. O nobre Barão Pierre de Coubertin, era o reflexo de uma sociedade que ainda acreditava que era mais importante competir do que propriamente ganhar. Hoje, os valores são outros. É mais importante ganhar do que propriamente competir. E de sua criação, até o presente momento, muitas modificações foram impostas para adaptação de um jogo antigo, a uma época moderna.

Sempre achei que ser disputada apenas por amadores, uma coisa de pouco senso. Pois, a idéia básica sempre foi mostrar o que cada uma nação era capaz de produzir. Logo, quando os profissionais foram acolhidos em esportes coletivos e mesmo no tênis, vi esta medida como lúcida. Outrossim, como disse anteriormente, a ideia básica sempre foi o que uma nação seria capaz de produzir entre seus filhos, isto é, os que nasceram em solo pátrio, não importando onde foram criados ou mesmo onde treinam.

E parece que o Brasil, faz parte da minoria dos países que se utilizam de seus filhos. Tão somente de seus filhos. Houve uma época que um grupo de países que formavam a extinta União Soviética dominaram estes jogos. Não era para menos, além da gerência militar que eram obrigados a viver, na verdade eram sete ou dez nações juntas. Graças a Deus, esta união, ruiu, junto com um muro e um regime. Mas vejo hoje os Estados Unidos usando destes mesmos artifícios. Porto Rico tem a sua própria equipe, mas a terra mater, aceita a nacionalização de vários nascidos em outras paragens.

Desculpem, mas não acho isto justo. Ainda mais que um dos requisitos para se tornar residente, e posteriormente cidadão norte-americano, é ser um must naquilo que o faz, seja na engenharia, como no esporte. Ai o que se vê neste time americano é um montão de nascidos em outros países, para se tentar desbancar a China, que até que me provem ao contrário, tem em sua equipe, apenas nativos.

Como pode ser visto, a lei do Gerson, se tornou internacional. Levar vantagem em tudo, passou um desejo além fronteiras. O que se está fazendo neste exato momento, é o poder imoral de uma ilusão vendida aos olhos nacionalistas. A vaga sombra de intenção de uma velada meia-verdade vem casada à comiseração. O perfeito equilíbrio entre nacionalidade e inverdade me parece claro. Límpido. Afirmo isto com a impassibilidade que só as grandes convicções o podem fazer sentir.

E tudo isto para que? Para se vender mais material esportivo, Coca-Cola e contas bancárias. Como na Copa do mundo, as Olimpíadas passaram a ser propriedade dos patrocinadores. Qualquer um que possa sair da obscuridade comum e tenha um patrocínio, pode chegar lá ao pódium. Basta apenas achar o país certo que o acolha. Estas mutações espontâneas e súbitas, podem a longo prazo, desvirtuar, os ideias básicos do nobre Barão de Coubertin. Não que isto possa fazer muita diferença para alguns.

Entre as maiores exportações do Brasil, creio que estão o café, a carne, as laranjas e os jogadores de volley de praia. Estes últimos estão em países que eu juro não saber que sequer existiam.

As próximas Olimpíadas serão no Rio de Janeiro. E não podemos fazer feio. A Inglaterra, sede das atuais, chegará em terceiro no quadro de medalhas. Aliás, a turma da Rainha, quando organiza algo, não perde viagem. Até uma Copa do mundo ganharam, com um gol que a bola que não entrou.

Temos uma das maiores populações do planeta. E nunca conseguimos chegar entre as 15 primeiras nações, por número de medalhas, em qualquer Olimpíada até aqui disputada. Este ano periga que cheguemos atrás do Casaquistão, cuja população é menos de 10% que a nossa. Logo, algo deve ser feito. Como inventamos a lei do Gerson, deveríamos acrescer a este já grande número de gente que aqui nasceu, pessoas como o Lionel Messi, que no fundo adoraria ser espanhol e campeão do mundo; o Lebron James, que mais parece puxador de samba da Mangueira e já vive em Miami, cujo clima é semelhante ao do Rio de Janeiro; o Michael Phelps, que não teve infância e nas próximas classificatórias não creio que possa fazer parte do time norte-americano; o Andy Murray, que agora que a Escócia parece que finalmente vai se separar da Inglaterra, poderia bem que adotar a nacionalidade brasileira; o Ruben Limardo Gascon, um venezuelano que como todos preferiria até a dona Dilma, ao Hugo Chavez; o Kirani James de Granada, para nos representar nos 400 metros, já que Granada e nada é a mesma coisa e certamente o Usain Bolt, que tem todos os trejeitos cariocas e apenas não foi ainda alertado do fato.

Para o último caso, independentemente de preferências partidárias, mandemos para a Jamaica o Lula - que adora viajar de graça - e creio piamente, que do encontro dos dois homens mais rápidos do planeta - cada um em sua especialidade -, há de certamente nascer uma nacionalização brasileira, com direito a cesta básica.

Cuidado apenas, que as medalhas de ouro não venham a desaparecer como a taça Jules Rimet...

Publicado no planetachamadoterra.blogspot.com

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2 desp


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